Gabigol: "O que Jesus vê dentro de um jogo não é normal"

Flamengo está a dois pontos da conquista do Brasileirão e na final da Taça Libertadores.

Gabigol teve um jogo agridoce em Porto Alegre. O ex-Benfica marcou o golo que deu o triunfo ao Flamengo frente ao Grémio (1-0) e foi expulso. O resultado deixou o clube carioca à beira de se sagrar campeão do Brasil. No final deixou elogios a Jorge Jesus, um treinador "especial". "Todos os treinadores têm a sua qualidade. Acho que é um erro estar a fazer comparações, mas nós temos um que é especial. Já trabalhei com inúmeros treinadores, todos tinham uma qualidade imensa, mas o que o mister está a fazer, o que ele vê dentro de um jogo, não é normal. Ele está num nível muito alto. Ainda bem que ele está aqui, tomara que continue. Muito do que ele fala durante a semana, acontece. Para mim o mais extraordinário é que todos os jogadores estão ao mesmo nível, hoje foi uma prova disso, mas já antes vínhamos rodando a equipa com três ou quatro jogadores e dava resultado. É o trabalho que fazemos durante a semana em que ele tem todo o mérito", elogiou o avançado do Fla.

E não esqueceu quem o criticou no início. "Ele chegou ao Flamengo a ser criticado pelos jornalistas, diziam que ele estava numa fase descendente da carreira. Teve convites de vários clubes estrangeiros, escolheu o Flamengo. Se ele escolheu o Flamengo é porque sabia que a equipa tinha qualidade para entender o que ele quer e a equipa entende o que ele quer", defendeu.

"Acho que tem de se estudar o que Jorge Jesus faz, para que todos possam aprender", diz Gabigol

Gabigol destacou ainda a forma como o técnico eleva o valor do plantel: "Nem todos os treinadores conseguem colocar os jogadores a jogar ao nível que ele está a fazer. Hoje foi prova disso mesmo, mudou oito jogadores e as ideias foram as mesmas. O Flamengo está num nível muito alto de intensidade e competitividade. Tem vindo a fazer um trabalho maravilhoso, não só como mister, mas também fora de campo tem sido um exemplo."

Para o avançado do Flamengo, Jesus e os seus métodos deviam ser alvo de estudo. "Vive o futebol. Quer só jogar, demonstrar o nosso potencial, é isso que fazemos todas as semanas. Quando um treinador é muito bom, talvez o melhor, é natural que tenha contestatários. Tudo o que ele fala, com a experiência dele, é pensado. Acho que tem de se estudar o que ele faz, para que todos possam aprender. Como ele aprende com outros treinadores, acho que também deviam aprender com ele. Tudo o que o Flamengo está a fazer tem muito a ver com ele ou totalmente a ver com ele. Acho que ele é o melhor", elogiou o internacional brasileiro, melhor marcador do campeonato canarinho com 22 golos.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.