Benfica agarrou triunfo com a Champions no pensamento

A equipa de Bruno Lage conseguiu só fintar a boa organização do Gil Vicente à beira do intervalo através de mais um autogolo. Pizzi, que tinha falhado um penálti, marcou o sexto golo na I Liga e deu tranquilidade à equipa, que baixou o ritmo a pensar no RB Leipzig.

O Benfica fez o que lhe competia, sem brilho, ao vencer o Gil Vicente por 2-0, no Estádio da Luz. Um resultado que permite à equipa de Bruno Lage manter-se a um ponto do surpreendente líder isolado Famalicão, pressionando ainda os rivais FC Porto e Sporting, que este domingo têm deslocações perigosas aos terrenos do Portimonense e Boavista, respetivamente.

O último jogo da equipa de Bruno Lage em casa tinha sido dececionante, perante o FC Porto, pelo que esta era a oportunidade de se redimir perante um Gil Vicente muito bem organizado, ou não fosse uma equipa treinada pelo experiente Vítor Oliveira.

É verdade que há quinze dias tinham vencido de forma categórica em Braga (4-0), mas no regresso a casa, os encarnados voltaram a não ser brilhantes. Com um futebol muito previsível, pouca velocidade, o que facilitava a organização defensiva dos gilistas.

Há um fator que pode explicar esta menor exuberância do Benfica, afinal a maioria dos jogadores chegaram a meio da semana das seleções e na próxima terça-feira há a estreia na Liga dos Campeões com o RB Leipzig (na Luz). Estes são dados que, a avaliar pelo que aconteceu um pouco por toda a Europa neste sábado, podem explicar a falta de dinâmica benfiquista. Sobretudo depois de se colocar em vantagem ficou a sensação que a cabeça dos jogadores já estava na Champions.

O Gil Vicente apresentou-se na Luz com duas linhas muito juntas à frente da sua área e, sobretudo, com muita gente à frente da sua área, por forma a impedir o jogo interior do Benfica, obrigando os campeões nacionais a procurar as alas, ficando também a depender dos passes de Taarabt para descobrir Raúl de Tomás e Seferovic na área. O marroquino voltou a jogar como médio centro, tendo na sua retaguarda Fejsa, que foi a surpresa de Bruno Lage no onze.

Penálti falhado e mais um autogolo

O primeiro sinal de perigo do Benfica foi dado por Ferro, de cabeça, na sequência de um canto e logo a seguir Ygor Nogueira, com uma noite desastrada, derrubou Pizzi na área. O penálti, no entanto, não foi transformado por Pizzi, que permitiu a defesa do guarda-redes Denis. Os encarnados desperdiçavam assim a quarta grande penalidade nas duas últimas épocas, ninguém falha tanto na I Liga.

Após esse momento, o Gil Vicente ganhou mais confiança, mas apesar de sair algumas vezes para o contra-ataque não conseguia criar perigo junto da baliza de Vlachodimos. Por sua vez, o Benfica vivia do dinamismo de Adel Taarabt, um jogador que ganha uma nova dimensão depois de um período negro da sua carreira que o afastou dos relvados.

O guarda-redes Denis foi adiando o primeiro golo do Benfica, até que Taarabt fez um passe a rasgar a organização defensiva dos gilistas, libertando André Almeida na direita, que com um cruzamento tenso obrigou Ygor Nogueira a marcar na própria baliza, quando tentava que a bola não chegasse a Raúl de Tomás. Estava quebrada a resistência do Gil Vicente mesmo em cima do intervalo. Esta era a terceira vez consecutiva que os encarnados beneficiavam de um golo na própria baliza, depois de dois que fecharam a goleada em Braga.

Pizzi faz sexto golo e dá tranquilidade

Esperava-se que o Benfica tivesse mais espaços na segunda parte para aumentar a vantagem, mas acabou por ser o búlgaro Kraev (bom jogador) a desperdiçar o empate com um remate ao lado depois de ultrapassar Rúben Dias. Só que na resposta surgiu o segundo golo por Pizzi, que ao segundo poste rematou para o fundo da baliza na sequência de um canto de Grimaldo. Era o sexto golo do médio benfiquista, que assim fica mais confortável na liderança da lista de melhores marcadores.

A partir desse momento, o Benfica diminuiu o ritmo de jogo, talvez a pensar no jogo de terça-feira com os alemães do RB Leipzig, na Luz, que marca a estreia na Liga dos Campeões. É verdade que a equipa de Bruno Lage dominou completamente a partida, criou ocasiões, mas acabou por apanhar dois grandes sustos quando Kraev (70' e 90'+2) desperdiçou duas grandes oportunidades para reentrar na luta pelo resultado.

Regressou da seleção marroquina motivado pelos elogios e pelo carinho que recebeu e voltou a sobressair a jogar numa nova posição na sua carreira, como médio centro. E foi impressionante a forma como recuperou e manteve a posse da bola, além de ter protagonizado passes de rotura que obrigaram a organização defensiva gilista em sentido (um deles deu origem ao primeiro golo). Isto para já não falar daquelas arrancadas poderosas que foram deixando adversário para trás. É cada vez mais um jogador importante na equipa.

Veja aqui os golos:

FICHA DO JOGO

Estádio da Luz (54 706 espectadores)
Árbitro: João Pinheiro (Braga)

Benfica - Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo; Pizzi, Fejsa, Taarabt, Rafa Silva (Caio Lucas,71'); Raúl de Tomás (Jota, 77'), Seferovic.
Treinador: Bruno Lage

Gil Vicente - Denis; Fernando Fonseca, Rodrigo, Ygor Nogueira, Rúben Fernandes; João Afonso (Leo Cordeiro, 82'), Soares, Kraev; Samuel Lino (Romário Baldé, 46'), Sandro Lima, Baraye.
Treinador: Vítor Oliveira

Cartão amarelo a Ygor Nogueira (30'), Kraev (46'), Soares (78'), Baraye (80') e Jota (90').

Golo: 1-0, Ygor Nogueira (45' pb); 2-0, Pizzi (53')

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