Alex de ouro, Marega e liderança. O epílogo perfeito no Dragão

Num jogo marcado pelo apoio dos adeptos a Marega, os dragões sentiram muitas dificuldades para bater o Portimonense. Nulo só foi desbloqueado aos 87 minutos com um grande golo do defesa brasileiro. Jackson falhou um penálti.

O FC Porto-Portimonense deste domingo não podia ter um melhor epílogo para a equipa de Sérgio Conceição. Além do triunfo (difícil), que colocou os dragões provisoriamente na liderança, à espera do que o Benfica fará nesta segunda-feira em Barcelos, frente ao Gil Vicente, Marega teve um apoio incondicional dos adeptos depois de uma semana difícil marcada pelo episódio racista em Guimarães. Um grande golo de Alex Telles aos 87 minutos resolveu um jogo sempre muito complicado em que Jackson desperdiçou um penálti para os algarvios.

O jogo deste domingo no Dragão estava definitivamente marcado pelo tema do racismo e pela forma como nas bancadas os adeptos portistas iriam assinalar o momento e apoiar o atleta, dado tratar-se do primeiro jogo do avançado maliano em casa depois dos tristes episódios registados em Guimarães há uma semana.

Tal como em todos os jogos da Liga desta jornada, os jogadores entraram em campo com uma camisola a dizer não ao racismo, uma iniciativa da Liga de Futebol e do Sindicato Nacional dos Jogadores. Mas no Dragão, por estar presente Marega, a vítima deste caso, que há uma semana abandonou em campo em sinal de protesto contra os insultos de que estava a ser alvo, o momento teve ainda mais significado.

Antes do jogo passaram no ecrã do estádio várias mensagens de jogadores e ex-jogadores contra o racismo. E quando as duas equipas se juntaram para a fotografia com as camisolas alusivas ao tema, o público aplaudiu.

Mas o momento alto estava guardado para o minuto 11, o número da camisola de Moussa Marega. O apelo tinha sido feito nas redes sociais durante a semana e todo o estádio se levantou e aplaudiu o jogador maliano, que no relvado agradeceu o gesto e bateu palmas. Foi também exibida uma tarja onde se podia ler "Somos todos Marega".

Sérgio Conceição procedeu apenas a uma alteração na equipa que na quinta-feira tinha sido derrotada pelo Bayer Leverkusen, na Alemanha, em jogo da Liga Europa, com a saída de Manafá para a entrada de Otávio. Uma alteração que obrigou o recuo de Corona para a função de defesa direito. Já o Portimonense apresentou-se no Dragão com um esquema de três centrais.

O FC Porto tentou tomar conta das operações, mas sentiu muitas dificuldades em furar o bloco defensivo do Portimonense, que concedia poucos espaços e dificultava a missão dos jogadores de Sérgio Conceição. Os algarvios, uma equipa com bons executantes, criavam sobretudo perigo através de ações de Tabata pelo corredor esquerdo, em rápidas transições para o ataque.

A primeira grande ocasião dos dragões surgiu apenas aos 33 minutos, com um remate de Soares às malhas laterais. O mesmo Soares, três minutos depois, cabeceou com perigo, mas Gonda defendeu. Respondeu o Portimonense, aos 39', com Jackson Martínez isolado na área a cabecear rente ao poste de Marchesín.

Aos 45', em cima do intervalo, os algarvios desperdiçaram uma grande oportunidade para se ficarem em vantagem, com Jackson, ex-jogador do FC Porto, a falhar a conversão de um penálti - atirou por cima. O castigo máximo demorou vários minutos a ser decidido, com o árbitro a consultar as imagens e só depois a decidir que existiu falta de Uribe sobre Jackson. Como curiosidade, há dez anos que um jogador adversário não desperdiçava um penálti no Dragão, o último tinha sido Jailson, do V. Guimarães, em 2010.

A segunda parte começou com poucas melhoras da parte do FC Porto. E por isso Sérgio Conceição não esteve com meias-medidas e, aos 54', fez logo duas substituições de uma assentada, colocando em campo Nakajima e Zé Luís, que entraram para os lugares de Uribe e Soares.

O FC Porto intensificou a pressão, mas o Portimonense foi aguentando o nulo, com a defesa a mostrar-se concentrada, sem cometer erros. Aos 72', Sérgio Oliveira arrancou um grande centro na direita, mas na área Luis Díaz não deu o melhor seguimento ao lance.

O jogo caminhava para o final e o FC Porto continuava sem encontrar o caminho da baliza. Até que aos 87 minutos Alex Telles resolveu a questão, com um grande golo, num remate em força e colocado de fora da área que levou as bancadas e o banco do FC Porto ao delírio. Agora, tem a palavra o Benfica nesta segunda-feira.

FICHA DO JOGO

Jogo disputado no Estádio do Dragão, no Porto.

FC Porto-Portimonense, 1-0.

Ao intervalo: 0-0.

Marcador:1-0, Alex Telles, 87 minutos.

FC Porto: Marchesín, Corona, Mbemba, Marcano, Alex Telles, Otávio, Uribe (Nakajima, 54), Sérgio Oliveira (Romário Baró, 83), Luis Díaz, Marega e Soares (Zé Luís, 54).

Treinador: Sérgio Conceição.

Portimonense: Gonda, Hackman, Jadson, Lucas Possignolo, Henrique, Pedro Sá, Willyan, Lucas Fernandes (Bruno Costa, 72), Dener, Jackson (Aylton Boa Morte, 64) e Bruno Tabata (Mohanad Ali, 77).

Treinador: Paulo Sérgio.

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Dener (69), Pedro Sá (74), Henrique (79), Otávio (83), Willyan (86) e Aylton Boa Morte (86).

Assistência: 40 129 espectadores.

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