Daniel Carriço assina por clube de... Wuhan

Português deixa o Sevilha após seis anos e meio no emblema andaluz e transfere-se para o Wuhan Zall, da Superliga Chinesa

Numa altura em que a cidade de chinesa de Wuhan, com 11 milhões de habitantes, está isolada depois de ter sido identificada como epicentro do novo coronavírus, o futebolista português Daniel Carriço assinou pelo Wuhan Zall, depois de seis anos e meio no Sevilha.

A transferência foi anunciada esta quinta-feira pelo Sevilha, depois de várias semanas de negociações entre os dois clubes pelo central de 31 anos.

"Acordo com os chineses do Wuhall Zall para a transferência de Daniel Carriço. Obrigado por tudo, comandante", informou o clube espanhol nas redes sociais.

Daniel Carriço era um dos capitães do Sevilha, clube ao qual chegou no verão de 2013 proveniente dos ingleses do Reading e pelo qual disputou 167 jogos, marcou sete golos e conquistou a Liga Europa em três épocas consecutivas: 2013-14, 2014-15 e 2015-16.

Apesar das muitas lesões que sofreu, estreou-se pela seleção nacional portuguesa em 2015, pela mão de Fernando Santos.

O Wuhan Zall é orientado pelo espanhol José Manuel González López e na época passada terminou a Superliga chinesa em 6.º lugar. Nas últimas semanas, o clube acertou a contratação de dois futebolistas brasileiros - Rafael Silva e Léo Baptistão.

Equipa retida em Espanha há duas semanas

Devido ao coronavírus, o Wuhan Zall está há cerca de três semanas dias a estagiar na Andaluzia, em Espanha, e os jogadores ainda não sabem quando poderão regressar a casa. Ao mesmo tempo que na China a cidade de Wuhan virou quase fantasma, por ser o epicentro do surto do novo coronavírus, com as pessoas trancadas em casa, a equipa de futebol chinesa da cidade encontra-se a cerca de 12 mil quilómetros, em Espanha, a realizar um estágio - o campeonato estava para ter início no final do mês, mas devido à epidemia foi adiado para data incerta.

Os 50 elementos da comitiva do Wuhan Zall Football Club, entre eles 27 jogadores, vivem sentimentos contraditórios. Por um lado estão longe do perigo de poderem ser infetados, mas ao mesmo tempo longe dos familiares, dos pais, mulheres e filhos. E ainda sem qualquer notícia sobre a data de regresso.

O dia-a-dia da equipa tornou-se uma rotina nas últimas semanas. Treinam de manhã, e da parte da tarde e à noite estão agarrados aos telemóveis e aos computadores em contacto com as famílias e amigos mais próximos para saberem novidades e acompanharem as últimas notícias.

A equipa chegou há cerca de duas semanas a Sotogrande, uma vila na região da Andaluzia perto de Cádiz, debaixo de uma enorme desconfiança. O perigo e o receio de contágio levaram a que os campos de futebol onde se iam treinar fossem encerrados e tornou-se muito complicado arranjar adversários para realizar jogos amigáveis.

Com o passar dos dias, a população foi-se habituado à presença da equipa no local e até conseguiram arranjar uma equipa para fazer um jogo treino. "Agora está tudo bem, não existe qualquer problema e podemos treinar com toda a normalidade. Estão a tratar-nos muito bem, apesar de nos primeiros dias termos sentido que havia receio das pessoas. Agora já confiam em nós", disse ao jornal espanhol Marca o capitão de equipa Yao Han Lin.

"As nossas famílias estão em Wuhan e não podem sair de casa. Falamos por vídeo-chamada. Entre nós obviamente que a epidemia domina todas as conversas. Mas confiamos no governo e nos responsáveis da nossa cidade. Estamos otimistas. Para já todos os nossos familiares estão bem de saúde", acrescentou.

Preocupados com as famílias, o futebol acaba por ser um escape diário no momento em que estão a treinar. E há dias até houve sorrisos, quando conseguiram finalmente arranjar um adversário, no caso o Almuñecar City, para poderem defrontar num jogo de 11 contra 11. Ou quando puxados pelo treinador se aventuraram a tourear umas vacas numa praça de touros em Cádiz.

Outra equipa chinesa, o Dalian Yifang, encontra-se em estágio no sul de Espanha, mais concretamente em Marbella, mas os seus jogadores encontram em quarentena, com rigorosas medidas de prevenção devido ao coronavírus. Rafa Benítez, o treinador espanhol desta equipa chinesa, revelou que nas últimas semanas os atletas estão circunscritos às áreas de treino e do hotel. "Temos tido o cuidado de nos assegurarmos que está tudo em ordem. Os jogadores verificam a temperatura duas vezes por dia e estamos a monitorizar o estado de saúde de todos", explicou, admitindo que ainda não sabem quando poderão regressar à China, nem quando se iniciará o campeonato, que foi adiado pelas autoridades.

A presença do Dalian Yifang nessa unidade hoteleira de Marbella, obrigou mesmo o Manchester United, onde jogam os portugueses Diogo Dalot e Bruno Fernandes, a escolher outro hotel da cidade para não se cruzar com a equipa chinesa orientada por Rafa Benítez. Uma medida de percaução dos red devils para não terem problemas para regressar a Inglaterra, depois do estágio que realizaram na semana passada no sul de Espanha.

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