Noite de sonho de Rúben Dias garante vitória ao soar do gongo

A seleção nacional encerrou a participação na Liga das Nações com uma vitória por 3-2 na Croácia. Mais de 21 anos depois, um defesa-central voltou a bisar na equipa das quinas. Uma proeza que manteve a invencibilidade lusitana diante dos croatas. Isto numa noite em que a Espanha humilhou a Alemanha.

A seleção nacional despediu-se da segunda edição da Liga das Nações com uma vitória, em Split, diante da Croácia por 3-2, num jogo marcado por alguns erros das duas equipas, sendo que o maior de todos foi do guarda-redes Livakovic, que em cima do minuto 90 deixou escapar uma bola, que Rúben Dias aproveitou para bisar e dar o triunfo à equipa das quinas.

Aliás, o defesa do Manchester City fez os primeiros golos com as quinas ao peito e terminou com um jejum que durava há mais de 21 anos, durante os quais nenhum defesa-central bisou num só jogo. O último tinha sido Paulo Madeira, em março 1999, alcançou essa proeza num jogo com o Liechtenstein. Antes, só Frederico (1989), Humberto Coelho (1980) e Jacinto (1968) tinham conseguido tal feito.

Foi uma vitória, a 49ª de Fernando Santos como selecionador, que representou uma despedida digna do atual detentor do título da Liga das Nações, que nos seis jogos do grupo 3 só não venceu os dois com a França (um empate e uma derrota). Os gauleses, que venceram a Suécia (despromovida à Liga B) por 4-2, seguem assim para a fase final na companhia da Espanha que, em Sevilha, esmagou a Alemanha por 6-0, naquela que foi a maior goleada sofrida em jogos oficiais na história da seleção alemã. Os outros dois semifinalistas serão conhecidos esta quarta-feira.

Kovacic abanou a seleção nacional

Em Split, o jogo era mais importante para os croatas que jogavam a manutenção na Liga A e para isso tinha de fazer igual ou melhor resultado que a Suécia em França. Apesar disso, Portugal, com cinco alterações no onze em relação à partida anterior, entrou melhor, com várias situações perigosas, das quais se destacam uma perdida de Diogo Jota.

Mas aos poucos a Croácia equilibrou e acabou por chegar à vantagem, aproveitando um erro de Rúben Semedo, que falhou um corte e permitiu a Pasalic servir para Kovacic abrir o marcador. O médio do Chelsea fazia o seu segundo golo ao serviço da sua seleção e não ficaria por aqui.

O intervalo chegou com a equipa das quinas um pouco perdida em campo, procurando invariavelmente os cruzamentos para a área que, ainda assim, mostravam alguma fragilidade da organização defensiva adversária. Talvez com o intuito de criar mais desequilíbrios com a bola colada à relva (em muito mau estado, diga-se), Fernando Santos lançou Francisco Trincão ao intervalo para o lugar de Bruno Fernandes.

Reviravolta em nove minutos

E foi ainda antes de se ter notado alguma melhoria nos processos atacantes portugueses que, num ápice, tudo mudou. O médio Marko Rog viu o segundo amarelo e foi expulso por uma falta dura sobre Ronaldo e na sequência do livre de CR7, o guarda-redes Livakovic sacudiu para a frente, tendo Rúben Semedo assistido Rúben Dias para o empate.

Ainda os croatas tentavam recompor-se de tamanho revés e eis que João Félix consumou a reviravolta no marcador aproveitando, desta vez, um erro do árbitro, que não viu que Diogo Jota ajeitou a bola com o braço. E como não há VAR nesta fase da Liga das Nações, o golo foi validado, com o jovem avançado a festejar o seu terceiro golo com as quinas ao peito.

Em nove minutos tudo mudou e por esta altura pensava-se que a vitória estaria garantida por Portugal, afinal o soco no estômago dos croatas tinha sido enorme e ainda por cima viam-se a jogar com apenas 10 unidades. Só que num lance em que a defesa portuguesa foi bastante cerimoniosa, sobretudo Rúben Semedo, Kovacic fez o empate.

Fernando Santos não gostou nada do que estava a acontecer e, vai daí, lançou João Cancelo para defesa esquerdo para dar mais velocidade e Bernardo Silva para ligar mais o jogo da equipa. Bernardo até teve a vitória nos pés aos 79 minutos, mas acabou por ser Rúben Dias a vestir a pele de goleador, premiando a pressão exercida nos minutos finais junto da baliza de Livakovic.

Portugal arrancava uma vitória que, feito o balanço, acabou por justificar, mantendo assim a invencibilidade fora de casa na curta história da Liga das Nações, uma vez que nos cinco jogos venceu quatro e empatou um. Ainda para mais manteve a tradição de não perder com a Croácia, frente a quem contabiliza seis vitórias e um empate.

FICHA DO JOGO

Estádio Poljud, em Split
Árbitro: Michael Oliver (Inglaterra)

Croácia - Livakovic; Juranovic, Lovren, Skoric, Bradaric; Luka Modric, Marko Rog, Kovacic (Toma Basic, 90'+3); Vlasic (Orsic, 83'), Pasalic (Brekalo, 64'), Perisic
Treinador: Zlatko Dalic

Portugal - Rui Patrício; Nélson Semedo, Rúben Dias, Rúben Semedo, Mário Rui (João Cancelo, 70'); João Moutinho, Danilo Pereira (Sérgio Oliveira, 77'), Bruno Fernandes (Francisco Trincão, 46'); João Félix (Bernardo Silva, 70'), Cristiano Ronaldo, Diogo Jota (Paulinho, 77')
Treinador: Fernando Santos

Cartão amarelo a Marko Rog (23' e 51'), Cristiano Ronaldo (54'), Perisic (57'). Cartão vermelho a Marko Rog (51')

Golos: 1-0, Kovacic (29'); 1-1, Rúben Dias (52'); 1-2, João Félix (60'); 2-2, Kovacic (65'); 2-3, Rúben Dias (90')

FILME DO JOGO

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