Bruno Lage não quer pensar em festa antes do jogo com o Santa Clara acabar

Jogo com o Santa Clara é sábado, às 18.30, no Estadio da Luz e pode dar o título ao Benfica.

Bruno Lage colocou água na fervura na véspera do jogo com o Santa Clara, que pode dar o título nacional ao Benfica. "Temos passado tanto tempo aqui, a preparar o jogo, que tem passado muita coisa ao lado. Tem sido assim desde inicio: muito trabalho para focar naquilo que controlamos, no que é essencial. Isso é que nos tem preocupado", afirmou o técnico encarnado em conferência de imprensa.

O discurso do treinador do Benfica não fugiu muito ao registo de que é preciso jogar e ganhar antes de pensar na festa: "Imagens da festa de 2017? Não me imagino a fazer nada, o que me imagino é a preparar a equipa para estar focada. Esse foi o nosso caminho desde o primeiro dia. Temos encarado todos os jogos como uma final, este é o último jogo, mais uma final. Temos de entrar em campo preparadíssimos para dentro do relvado confirmar o que temos feito e terminar o campeonato na posição em que nos encontramos."

Mas é preciso ter atenção, porque o adversário é perigoso. "Esperamos encontrar um adversário muito competente, que fez um campeonato muito bom, com uma permanência histórica acima dos 40 pontos, e com exibições muito interessantes com FC Porto, Sporting e Sp. Braga. Gosta de jogar em bloco médio, sabe fechar muito bem os caminho da sua baliza, mas também sabe o que fazer quando tem bola. Gosta de sair curto, atrair para criar espaço à frente. Perspetivamos um jogo difícil, como todos os que tivemos. Temos de estar no nosso melhor para vencer esta última final", visou Lage, que se pode sagrar campeão no ano de estreia.

Depois explicou que não são só os títulos que fazem a carreira de um bom treinador. "Os título fazem parte do nosso percurso. Há muito treinadores sem títulos que fazem um trabalho fantástico. O Nuno em Inglaterra está a fazer um trabalho fantástico no Wolves. Independente dos títulos, importa é o caminho que se vai construindo e a forma de jogar.
Vamos jogar contra um treinador que tem feito isso. Curiosamente, o ano passado vi que os dois treinadores que tinham descido tiveram oportunidade de continuar na I Liga. Um com uma participação muito boa e chegada à Liga Europa e outro com manutenção acima dos 40 pontos. Independentemente de os resultados não terem aparecido na época anterior, os convites surgiram porque o trabalho em campo era positivo."

Questionado como se prepara um jogo que pode valer um campeonato, respondeu que se "prepara tudo da mesma maneira".

E se o Benfica for campeão, é um campeão justo? "Isso não é importante. O que é importante é haver a justiça do reconhecimento do trabalho que estamos a fazer. Queremos vencer, mas o mais importante é haver o reconhecimento de todo o trabalho. Há treinadores que não têm títulos e têm um percurso enorme pela forma como treinam e lideram, isso é que é o mais importante de realçar. A primeira conquista foi no treino, a forma como os jogadores treinaram e quiseram jogar em equipa", respondeu o técnico encarnado.

Depois foi desafiado a recuar até 3 de janeiro, dia em que foi oficializado no Benfica. O que lhe foi pedido? Afinal, nunca uma equipa tinha recuperado de uma desvantagem de sete pontos em 19 jornadas para ser campeão." Não me foi pedido nada. Na situação em que estávamos, tinha de ser por fases. A primeira era começar a jogar bom futebol para reconquistar os adeptos, vencer jogos. A partir do quarto, quinto, sexto jogo começámos a sentir isso. Sentimos logo um ambiente muito forte no primeiro jogo, aos 20 minutos quando estávamos a perder 2-0 com o Rio Ave. As pessoas iam ver que tipo de Benfica ia haver num futuro próximo. A determinada altura, as coisas começaram a ligar-se, a relação entre equipa e adepto começou a notar-se mais, em casa e fora. Sentíamos isso. Depois foi agir com naturalidade e as coisas foram acontecendo, tendo em consideração o que estamos a preparar para amanhã: fomos vivendo o dia-a-dia, de final em final, até esta situação, dependentes apenas de nós", explicou Lage.

No jogo com o Rio Ave, da jornada passada, o treinador das águias falou com Jonas ainda no relvado após o triunfo (3-2), mas garante que não foi uma despedida, até porque nada sabe sobre o futuro do jogador: "Foi uma conversa entre nós os dois e fica entre nós.. Nunca ouvi Jonas dizer que amanhã ia ser o último jogo, nunca me disse, nem nunca o ouvi dizer a alguém. A maneira como o vi a treinar hoje não me leva a pensar isso."

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