Bruno de Carvalho continua suspenso de sócio e da vida ativa do clube

Ex-presidente sofreu mais uma derrota em Assembleia Geral. Este sábado, os sportinguistas votaram pela suspensão do ex-líder, destituído em reunião magna do dia 23 de junho e suspenso pela Comissão de Fiscalização no dia 2 de agosto.

Bruno de Carvalho continua suspenso. Os sócios leoninos votaram favoravelmente à manutenção da suspensão de sócio, por um ano, castigo que lhe foi aplicado no dia 2 de agosto pela Comissão de Fiscalização. Agora, 68.55% dos cerca de quatro mil sportinguistas presentes na Assembleia Geral deste sábado optaram por manter o ex-líder à distância dos destinos do clube. O que significa que o ex-presidente ficará pelo menos cinco anos, até 2023, sem poder concorrer como cabeça de lista às eleições do Sporting, por exemplo e de acordo com algumas restrições estatutárias.

Além de Bruno de Carvalho, também os sócios de Alexandre Godinho, Carlos Vieira, Rui Caeiro, José Quintela e e Luís Gestas, todos ex-elementos do anterior Conselho Diretivo, suspensos por 10 meses pela Comissão de Fiscalização vão manter-se afastados por vontade dos associados. Já Elsa Judas e Trindade Barros, membros da Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral nomeados por Bruno de Carvalho foram expulsos de sócio.

O ex-líder leonino não foi à reunião magna que manteve a suspensão. Foi representado pelo pai, que falou em "golpada" para afastar o filho da vida do clube, e pela irmã. Foi ela a ler o discurso de defesa de Bruno de Carvalho, que minutos depois o publicou na íntegra no Facebook. "Nem tudo foi perfeito, errei. Foi uma defesa cega e intransigente do Sporting e passei a ideia que estava agarrado ao poder, quando estava concentrado na defesa do clube. Por isso peço desculpa. (...) Apresento me pela voz da minha irmã, não porque não queria estar presente. A minha ausência representa o respeito que tenho ao Sporting. Peço humildemente a todos os sportinguistas que pensem neste homem, bem como nos cinco anos de amor que dediquei ao Sporting. Estou a defender-me perante algo que considero injusto. Estou de consciência tranquila e não me arrependo da história que ajudámos a construir", pediu o ex-líder destituído a 23 de junho e suspenso a 2 de agosto, pela voz da irmã.

Uma espécie de mea culpa que de nada lhe valeu, visto que a maioria dos associados votou pela continuidade da suspensão.

Destituído, suspenso, detido e outra vez suspenso...

Depois de protagonizar uma crise sem precedentes, Bruno de Carvalho foi destituído a dia 23 de junho em Assembleia Geral Extraordinária. Depois, a 2 de agosto foi suspenso de sócio por um ano pela Comissão de Fiscalização (CF), no seguimento de um processo disciplinar como está previsto no novo Regulamento Disciplinar aprovado a 17 de fevereiro em reunião magna. Também os antigos dirigentes, nomeadamente Carlos Vieira, ex-número 2 com a pasta das finanças no mesmo Conselho Diretivo, foram suspenso por dez meses. Luís Roque teve somente uma repreensão por escrito no final do processo.

Segundo o comunicado da CF, datado de agosto, o antigo presidente foi "inegavelmente o principal artífice e responsável da situação grave e anti-estatutária criada", o que levou à pena aplicada. Em causa a "oposição continuada e acirrada à realização da Assembleia Geral de dia 23 de junho", assim como a criação de "órgãos não estatutários com os quais tentaram iludir os sócios". A Comissão de Fiscalização sublinha ainda que, tendo "legitimidade" para expulsar de sócio Bruno de Carvalho, "e havendo matéria suficiente para o fazer, não quis deixar de considerar atenuantes e de respeitar o passado do clube".

Agora vai manter-se longe da vida do ativa do clube a que presidiu de 2013 a 2018. Bruno de Carvalho está acusado de ser o mandante do ataque à Academia no dia 15 de maio.