Bernardo Silva. A saída do Benfica e as culpas de Jesus

Internacional português do Manchester City lembra que quando chegou à equipa principal do Benfica, Jorge Jesus não o quis e queria mandá-lo mais um ano para a equipa B. Por isso decidiu aceitar a proposta do Mónaco e sair em 2014.

Bernardo Silva é hoje uma das peças chave do Manchester City de Pep Guardiola, que esta quarta-feira vai tentar assegurar um lugar na meia-final da Champions, tendo para isso que ultrapassar o Tottenham. Em entrevista ao jornal El País, o internacional português abordou várias temas do passado e da atualidade e, claro, a sua saída do Benfica em 2014, culpando Jorge Jesus por ter deixado a Luz.

"Quando cheguei à equipa principal do Benfica com 19 anos não foi fácil. Sonhava desde criança jogar no Benfica. Era a minha equipa do coração e queria chegar ali. Mas quando lá cheguei, descobri que o treinador [Jorge Jesus] não me queria", começou por revelar, explicando depois melhor os motivos que o levaram a querer sair.

"Não foi num treino, foi numa pré-temporada inteira. Em jogos particulares. Vinha da equipa B com a intenção de ficar e tentar jogar na equipa principal do Benfica. Mas o treinador não contava comigo. Colocou-me a jogar a lateral esquerdo na pré-época, atuei apenas uma vez na Liga e no final da temporada disse-me que queria que voltasse à equipa B por mais um ano. Eu sentia que isso não era bom para mim. Entendi que tinha de sair e chegou o Mónaco. Na minha primeira época fomos terceiros na Liga Francesa, jogámos os quartos-de-final da Champions e aprendi ao lado de jogadores como Tiago, Carrasco, João Moutinho, Ricardo Carvalho e Fabinho. Entre isso e ficar no Benfica B, acho que foi melhor para mim sair".

Bernardo Silva confessou que a sua baixa estatura chegou a ser um problema e que o deixou muitas vezes de fora das equipas. "Quando tens 14 ou 15 anos, se não jogas... muitas vezes não jogava porque era mais baixo do que os outros. Há sempre dúvidas, não sabes se vais conseguir. Quando cheguei à equipa B comecei a acreditar que podia ser profissional. Mas nunca imaginei que chegaria ao nível da Premier League e muito menos ao Manchester City. Sair para o Mónaco foi a melhor decisão que tomei, pois ajudou-me a crescer como pessoa e futebolista".