Paulinho foi justiceiro bracarense que agudizou a época negra do Sporting

O Sp. Braga venceu o Sporting, por 2-1, graças a um golo em cima do minuto 90. Os leões viram Bolasie ser expulso quando o resultado era de 1-1 e passaram a jogar para o desempate por penáltis. Os minhotos tiram assim aos leões a possibilidade de os leões conquistarem a terceira Taça da Liga consecutiva, deixando os jogadores leoninos descontrolados (Mathieu e Borja foram expulsos) com mais uma desilusão.

O Sporting de Braga é o primeiro finalista da Taça da Liga ao vencer o Sporting, por 2-1, numa partida disputada no Estádio Municipal de Braga, que teve emoção, golos, algum bom futebol e terminou de forma feia, com os jogadores a envolverem-se em confrontos.

Os bracarenses conseguiram chegar à terceira final da prova, enquanto os leões despedem-se de um troféu que conquistaram nas duas últimas épocas. A equipa de Jorge Silas foi vítima da expulsão de Bolasie aos 61 minutos, quando o resultado estava empatado. Depois disso, os leões passaram a jogar para chegar ao desempate por penáltis, até que aos 90 minutos surgiu Paulinho a marcar o golo da vitória dos minhotos. O avançado minhoto marcou o 17.º golo da época, vestindo a capa de justiceiro numa partida em que a sua equipa fez por merecer ganhar.

Mais do que a derrota é preciso ter em conta o descontrolo emocional dos jogadores do Sporting, como é bem exemplo Mathieu que perdeu a cabeça e praticamente se auto-expulsou já em período de tempo extra. Os leões chegam a esta fase da temporada sem possibilidades de ganhar qualquer prova interna e resta-lhes agora lutar por minimizar estragos no campeonato, onde estão em quarto lugar a 19 pontos do líder Benfica. Ainda há a Liga Europa para tentar fazer uma gracinha...

Já o Sp. Braga continua em lua-de-mel desde que Rúben Amorim chegou ao comando técnico da equipa, tendo vencido os quatro jogos que disputou, um dos quais no Dragão frente ao FC Porto. No sábado, vai tentar conquistar o seu primeiro troféu como treinador e, ao mesmo tempo, a segunda Taça da Liga da história do clube minhoto, que já não vence um troféu desde 2015/16, com Paulo Fonseca, quando ergueu a Taça de Portugal.

Rúben Amorim apresentou em campo o modelo que adotou desde que chegou ao Sp. Braga, o que levou Jorge Silas a mudar aquilo que tem sido o seu onze base, preferindo um 4x3x3 mais clássico, com um meio-campo com duas unidades para recuperar a bola (Battaglia e Idrissa Doumbia) e outra (Wendel) para levar a bola até zonas mais adiantadas. Por isso mesmo, fez derivar Bruno Fernandes para o lado direito, mas com liberdade de movimentos que lhe permitia surgir em zonas interiores e perto do ponta-de-lança Luiz Phellype.

Entrada forte deu belo golo a Ricardo Horta

Os bracarenses entraram a todo o gás, com uma pressão muito forte para recuperar a bola e uma variação rápida e constante do seu jogo, o que impedia os leões de conseguirem sair do seu meio-campo. Foram 15 minutos em que o Sporting sofreu bastante com a intensidade de jogo do adversário, que provocava constantes perdas de bola. E foi numa dessas situações que surgiu o primeiro golo, com a bola a surgir perto da área em Fransérgio, que tocou para Ricardo Horta, que na direita aplicou um remate em arco fazendo rebentar a festa na Pedreira.

Aos poucos o jogo foi ficando equilibrado, sobretudo porque os arsenalistas recuaram um pouco as suas linhas para tentar aproveitar as transições rápidas para voltar a marcar. No entanto, esse recuo permitiu ao Sporting superiorizar-se na zona central do meio-campo face à maior quantidade de jogadores que ali colocava, permitindo assim que aos poucos Bruno Fernandes fosse aparecendo, comandando as ações ofensivas da sua equipa.

O remate de Rafael Camacho que Matheus desviou para canto (31 minutos) foi o primeiro sinal de perigo iminente criado pelos leões, que ainda assim apanharam pouco depois um susto numa transição rápida protagonizada por Galeno que fez a bola sair perto da barra da baliza de Luís Maximiano.

Acabou por ser já bem perto do intervalo que o Sporting aproveitou uma enorme desatenção da defesa do Sp. Braga, que permitiu a Bruno Fernandes cobrar rapidamente um livre que isolou Mathieu para fazer o empate. Estava relançada a partida para a segunda parte.

Silas equilibra equipa e Bolasie é expulso

Ao intervalo, Jorge Silas tirou Doumbia e lançou Bolasie para dar à equipa mais velocidade e, consequentemente, chegar mais perto da baliza adversária, até porque Bruno Fernandes passou a jogar numa zona mais central. O Sporting mudava a face, mas a saída do médio costa-marfinense abria mais espaços no meio-campo, que os bracarenses poderiam então aproveitar.

E um remate de Fransérgio que Luís Maximiano defendeu foi um aviso sério para os leões, que no entanto passaram a conseguir chegar mais perto da área adversária, ao contrário do que tinha acontecido no primeiro tempo. Ainda assim foi na sequência de um canto cobrado por Bruno Fernandes que Battaglia esteve perto de marcar, valendo a defesa de Matheus para canto.

As transições do Sp. Braga causavam mossa na equipa de Silas, com Vítor Tormena e Ricardo Horta a estarem perto do golo. E as coisas ficaram ainda mais difícil quando Bolasie entrou de sola à canela de Nuno Sequeira, acabando por ser expulso depois de o árbitro Nuno Almeida recorrer ao VAR.

Jogar a pensar nos penáltis e golo de Paulinho

Os minutos que se seguiram à expulsão foram terríveis para os leões, que viram o adversário assaltar a sua área. A equipa parecia à beira do colapso, o que levou Jorge Silas a fazer uma alteração, no mínimo discutível, ao tirar o único ponta-de-lança Luiz Phellype colocando o defesa-central Luís Neto.

Na prática, o Sporting passou a jogar com três centrais, passando Rafael Camacho a ficar entregue a si próprio na frente de ataque. Os leões pareciam aposta tudo no desempate por penáltis, a fórmula que, afinal, lhe valeu a conquista das duas anteriores edições da Taça da Liga. E a provar isso mesmo é que já perto do final da partida Renan Ribeiro, o herói dessas finais, esteve a aquecer, o que faz supor que iria entrar para o desempate.

Acabou por não ser lançado no jogo porque aos 90 minutos, Paulinho surgiu nas costas de Mathieu a cabecear para o fundo da baliza, após uma assistência de cabeça de Raúl Silva.

O golo da vitória bracarense acaba por surgir depois de o Sporting, é justo que se diga, ter estancado o ataque adversário. Os arsenalistas sentiram mais dificuldades em criar ocasiões porque os caminhos para a baliza leonina estavam fechados. Foi assim durante 20 minutos em que a equipa de Jorge Silas praticamente não saiu do seu meio-campo.

Mathieu perde a cabeça após o 2-1

Com o golo sofrido nos instantes finais, os jogadores do Sporting perderam o controlo emocional e Mathieu foi expulso por uma entrada dura fora de tempo sobre Ricardo Esgaio. Estava instalada a confusão. Os jogadores envolveram-se em empurrões e trocas de mimos, que obrigaram mesmo a entrada em campo dos seguranças do recinto e de elementos do staff das duas equipas.

Ao mesmo tempo, na bancada do Sporting voltaram a ser arremessadas tochas para dentro do relvado. Quando os ânimos serenaram, Nuno Almeida, auxiliado pelo VAR, distribuiu cartões, sendo que dois deles foram vermelhos a Eduardo, guarda-redes suplente do Sp. Braga, e a Eduardo Henrique, suplente do Sporting.

Aliás, este jogo deixa os leões bastante desfalcados para o próximo jogo da I Liga, em casa com o Marítimo, uma vez que Mathieu, Bolasie e Eduardo Henrique ficam impedidos de jogar devido a expulsões, juntando-se a Marcos Acuña que também terá de cumprir suspensão.

Uma palavra ainda para o facto esta final four, que a Liga definiu ser uma festa do futebol, estiveram pouco mais de dez mil espectadores nas bancadas do Estádio Municipal de Braga, além de que o relvado se apresentou em condições muito deficientes, que poderá até estar pior esta quarta-feira quando FC Porto e V. Guimarães disputarem a segunda meia-final.

VEJA AQUI OS MELHORES MOMENTOS DA PARTIDA

FICHA DO JOGO

Estádio Municipal de Braga (10 047 espectadores)
Árbitro: Nuno Almeida (Algarve)

Sp. Braga - Matheus; Vítor Tormena, Bruno Viana, Raúl Silva; Ricardo Esgaio, Fransérgio, João Novais (André Horta, 82'), Nuno Sequeira (Rui Fonte, 77'); Galeno, Paulinho, Ricardo Horta (Francisco Trincão, 69')
Treinador: Rúben Amorim

Sporting - Luís Maximiano; Ristovski, Coates, Mathieu, Marcos Acuña; Battaglia, Idrissa Doumbia (Bolasie, 46'), Wendel; Bruno Fernandes, Luiz Phellype (Luís Neto, 68'), Rafael Camacho
Treinador: Jorge Silas

Cartão amarelo a Nuno Sequeira (17'), Ricardo Esgaio (20'), Raúl Silva (44'), Coates (45'), Bruno Fernandes (57'), Battaglia (67'), Paulinho (79'), Luís Maximiano (84'). Marcos Acuña (90'+7), Galeno (90'+7). Cartão vermelho a Bolasie (61'), Mathieu (90'+4), Eduardo (90'+7), Eduardo Henrique (90'+7)

Golo: 1-0, Ricardo Horta (8'); 1-1, Mathieu (44'); 2-1, Paulinho (90')

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