Acabou-se o sonho. Sprindrift desiste de recorde na volta ao mundo

Um problema num leme levou a tripulação, liderada pelo francês Yann Guichard, a ter de suspender o sonho de conquistar o Troféu Júlio Verne. É a segunda vez que acontece.

A primeira comunicação surgiu dia 1, via Twitter. O trimarã Spindrift 2, de 40 metros, sofreu danos num dos lemes, o de estibordo (o lado direito do barco).

Horas depois, outra nota na mesma rede social dava conta do que já se suspeitava: o dano era irreparável. Falhou assim a tentativa da tripulação liderada por Yann Guichard de conquistar à tripulação do IDEC Sport, também capitaneada por um francês, Francis Joyon, o recorde da volta ao mundo à vela obtido em 2017: 40 dias, 23 horas, 30 minutos e 30 segundos. Assim, Joyon, a sua tripulação e o IDEC Sport mantém-se na posse do Troféu Júlio Verne.

A natureza do problema no leme do Spindrift 2 não foi revelada. Yann Guichard limitou-se a escrever que não terá sido uma pancada a danificar a peça. Na navegação transatlântica é relativamente frequente os veleiros serem danificados por UFO (Unidentified Floating Objetcts), isto é, objetos flutuantes não identificados, geralmente contentores largados no mar por navios da marinha mercante.

Não terá sido esse o caso, segundo o skipper, desconhecendo-se portanto o que verdadeiramente se passou. O Spindrift 2 navega agora em direção a Perth, na Austrália, para ser reparado, devendo chegar na quarta-feira de manhã. Depois regressará a França, ou pelos seus próprios meios ou transportado num navio cargueiro.

O problema ocorreu quando o trimarã velejava no Índico Sul, mais ou menos a meio caminho entre o Cabo da Boa Esperança (África do Sul) e o Cabo Leeuwin (Austrália). O percurso do barco pode ser seguido aqui. Esta foi a segunda vez que Yann Guichard falhou, capitaneando este trimarã, o objetivo de conquistar o Troféu Júlio Verne.

O Spindrit 2 seguia bem lançado para bater o recorde obtido pelo IDEC Sport em 2017. Depois de, no dia 16 de janeiro (às 11h 47m e 27 s) cruzar a linha de partida - uma linha imaginária entre o farol de Créac'h (ilha de Ushant, Bretanha, França) e o farol de Lizard (Inglaterra) - chegou em menos de cinco dias à linha do Equador (quatro dias, 19 horas e 57 minutos), batendo o recorde que era do IDEC Sport.

Em 12 dias, 19 horas e 41 minutos conseguiram depois chegar à longitude do Cabo da Boa Esperança, velejando a uma média de 41 km/h (22 nós). Nessa altura o Spindrift 2 tinha 335 milhas (539 quilómetros) de avanço sobre o recorde do IDEC Sport.

No último reporte antes da notícia do fatal problema no leme de estibordo, o Spindrift 2 já percorrera 10 679 milhas (17,2 mil quilómetros), a uma média de 24 nós (44 km/h). Em 15 dias, a tripulação, de 12 homens, consumira 180 quilos de alimentos.

O Troféu Júlio Verne, que não implica nenhum prémio monetário - pelo contrário, quem o quiser disputar tem de pagar para isso - foi criado para o primeiro veleiro que conseguisse fazer a volta ao mundo de França a França em menos de 80 dias. A primeira tripulação a conquistá-lo foi a do "Explorer", em 1993, capitaneada pelo francês Bruno Peyron, que estabeleceu a marca de 79 dias, 6 horas, 15 minutos e 56 segundos.

A organização só estabelece que o barco tem se ser à vela - sem limites de dimensão ou de número de tripulantes. E são proibidas paragens, mesmo que apenas para reparações.

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