Winnie the Pooh protagonista na história de Yuzuru Hanyu

Patinador japonês brilhou no dia em que Bjoergen igualou recorde de medalhas e Ledecka surpreendeu todos

Não consta que tenha alguma vez feito parte dos planos de Alan Alexander Milne, escritor inglês autor das famosas obras infantis sobre o Winnie the Pooh, qualquer aventura olímpica para o seu personagem mais popular. Mas o ursinho laranja que atravessa gerações subiu ontem ao palco dos Jogos de Inverno, à boleia da atuação de Yuzuru Hanyu - patinador japonês que brilhou no oitavo dia de competição em PyeongChang, numa jornada que viu também a norueguesa Marit Bjoergen fazer história, ao igualar o recorde de 13 medalhas, e a checa Ester Ledecka protagonizar a maior surpresa, ao conquistar o ouro na prova de Super G em esqui alpino (ela que é campeã mundial de... snowboard).

Assim que Yuzuru Hanyu terminou o seu exercício de programa livre na final de patinagem artística - que confirmou uma historicamente rara revalidação do título olímpico para o japonês [nenhum patinador conseguia defender com êxito o seu ouro olímpico desde o americano Dick Button em1952] -, começaram a chover dezenas dos famosos ursos de peluche sobre o rinque da Gangneung Ice Arena, num ritual que se repete a cada performance de Hanyu desde 2010.

Verdadeiro ídolo nacional no Japão, seguido por uma legião de fãs entre as quais se conta uma assinalável percentagem de mulheres nipónicas solteiras mais velhas, Yuzuru Hanyu revelou na altura a sua afeição ao personagem criado por A. A. Milne, quando uns fãs repararam que o patinador estava a usar uma embalagem de lenços de papel com os desenhos de Winnie the Pooh. O jovem japonês confessou que a figura do urso o tranquilizava e passou mesmo a levar um para todas as provas, colocando-o em lugar onde o possa ver, num ritual que o relaxa.

Nos Jogos Olímpicos - aos quais chegou rodeado de seguranças pessoais armados, que o acompanham para todo o lado - esse amuleto é-lhe vetado pela restrita política comercial e de patrocinadores imposta pelo Comité Olímpico Internacional. Mas os admiradores do fenómeno japonês da patinagem não o deixaram ficar "só", repetindo em PyeongChang o que já tinham levado a Sochi, em 2014: dezenas de Winnie the Poohs, prontos a saltar para o rinque após cada número de Hanyu.

O patinador, atualmente com 23 anos, correspondeu ao apoio com mais um exercício espetacular sobre o gelo e ganhou com uma pontuação de 317.85, com uma margem de 10.95 pontos de vantagem sobre o compatriota Shoma Uno. Uma vitória ainda mais impressiva pelo facto de Hanyu ter estado lesionado nos meses anteriores a estes Jogos. "O meu pé direito aguentou-se bem. Deixei muitas pessoas preocupadas, por não ter podido treinar bem devido à lesão, e o apoio foi mais forte do que nunca. Estou muito grato", disse, enquanto os voluntários dos Jogos iam enchendo sacos com as dezenas de Winnie the Pooh atirados para a pista.

A recordista e a surpresa

Figura maior em PyeongChang é inevitavelmente a norueguesa Marit Bjoergen. Ontem, a veterana esquiadora de 37 anos igualou o seu compatriota Ole Einar Bjorndalen como atleta mais medalhado em Jogos Olímpicos de Inverno, após alcançar o seu 13.º pódio.

Marit Bjoergen integrou a estafeta da Noruega que conquistou a medalha de ouro nos 4,5 quilómetros de esqui de fundo. A esquiadora conquistou a sua primeira medalha nesta mesma prova, nos Jogos de Salt Lake City, em 2002, e obteve uma segunda em Turim em 2006, para, nos Jogos de 2010, em Vancouver, conseguir o seu recorde pessoal de medalhas numa edição, com cinco. Nos Jogos de 2014, em Sochi, alcançou três pódios, feito que já igualou em PyeongChang. Das 13 medalhas conquistadas, sete são de ouro. E ainda terá mais oportunidades nesta edição para aumentar a sua lenda.

A grande surpresa da jornada aconteceu no esqui alpino, na prova de SuperG que parecia "destinada" à famosa norte-americana Lindsey Vonn, mas acabou por ser conquistada pela checa Ester Ledecka, mais conhecida até aqui por ser campeã mundial de... snowboard.

A checa de 22 anos, que nunca subiu sequer ao pódio em provas de Taça do Mundo de esqui, onde começou a competir apenas em 2016, estava longe de sonhar com o ouro e até competiu com uns esquis emprestados pela norte--americana Mikaela Shiffrin. No final, não escondeu a incredulidade, ao vencer o ouro por 0,01 segundos de vantagem sobre a austríaca Anna Veith. "Deve haver algum erro. Devem ter trocado tempos."

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