Vuelta dividida entre a despedida de Contador e o teste a Froome

Britânico parte como o inevitável favorito ao triunfo, mas os rivais mostraram no Tour estarem mais perto de o bater. Espanhol diz adeus e não o quer fazer de forma discreta

A Volta a Espanha que arranca hoje contará com a maioria dos intervenientes principais do Tour e alguns do Giro. Alberto Contador, 34 anos, vai centrar grande parte das atenções, não só pelo nome e por correr em casa mas também porque fará a sua despedida do ciclismo na Vuelta que hoje começa na cidade francesa de Nîmes. O outro corredor em foco será Chris Froome, para se saber até que ponto o vencedor do Tour terá conseguido gerir a sua condição física para tentar a dobradinha que há um ano Quintana lhe tirou, isto é, vencer a Volta a França e a Vuelta.

Romain Bardet (AG2R), terceiro no Tour, Fabio Aru (Astana), Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), Louis Meintjes (UAE Team Emirates), Warren Barguil (Sunweb) - rei da montanha no Tour e vencedor de duas etapas -, Rafal Majka (Bora--Hansgrohe), Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo) e Bob Jungels (Quick--Step Floors) - duas vezes o melhor jovem no Giro -, e ainda o trio da Orica-Scott, Johan Esteban Chaves e os gémeos Yates, compõem a lista de candidatos, com mais alguns nomes a ter em atenção como David de la Cruz (Quick-Step Floors), Rohan Dennis (BMC) e Rubén Fernández e Marc Soler, ambos da Movistar.

Faltam nomes como Richie Porte, Nairo Quintana, Tom Dumoulin, Mikel Landa e Alejandro Valverde para que fosse uma prova perfeita na qual os espanhóis desejam um triunfo de Contador. Mas ficou bem claro no Tour que El Pistolero já não consegue regressar ao seu melhor. Talvez não seja candidato a uma vitória na geral (seria a quarta), mas despedir-se de forma discreta não está nos seus planos. Mais do que nunca, será um Contador a tentar dar espetáculo e a procurar pelo menos uma vitória de etapa.

Inevitavelmente Chris Froome aparece como principal candidato. Além dos quatro Tours conquistados, o britânico soma três segundos lugares na Vuelta e quer de uma vez por todas quebrar o enguiço. Porém, nesta última Volta a França, Froome tremeu como nunca se tinha visto. Ao quarto ano, o domínio do ciclista e da Sky foi posto em causa por uma juventude a querer conquistar o seu espaço. Froome sobreviveu aos ataques no Tour, mas na Vuelta será uma espécie de segundo round. O britânico disse que este ano se preparou para estar mais forte na terceira semana do Tour e também na Vuelta, um claro objetivo para 2017. E de facto apresentou-se melhor nas decisões finais em França.

A Sky apostou numa equipa equilibrada, com destaque para Wout Poels, que será o braço direito de Froome. Há um ano toda a equipa foi apanhada desprevenida quando Contador atacou numa etapa, levando com ele Quintana. O colombiano ficou com o triunfo quase garantido e Froome só não perdeu a equipa porque a organização optou por não excluir os ciclistas que tinham chegado fora do tempo limite, já que tal significaria uma redução drástica do pelotão.

Esta Vuelta será novamente marcada por sobe e desce e autênticas rampas, nem sempre muito longas, mas complicadas, com o mítico Angliru (Astúrias) a estar de regresso ao percurso que começa com um contrarrelógio por equipas em Nimes e terá também um individual (16.ª etapa) de 40,2 quilómetros.

Cinco portugueses estarão presentes (ver texto ao lado) numa prova que nas últimas edições tem sido das corridas de três semanas mais espetaculares.

Mais um caso de doping

Em todas as grandes voltas deste ano, pouco antes de começarem, houve suspeitas de doping. No Giro foram Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni (entretanto já confirmados), ambos da Bardiani-CSF, no Tour foi o português André Cardoso (Trek--Segafredo) e agora na Vuelta Samuel Sánchez ficou de fora. O ciclista espanhol, de 39 anos, é um dos mais populares no país e estaria a preparar-se para terminar a carreira. Mas na quinta-feira foi informado de que tinha acusado uma hormona de crescimento e foi suspenso.

Sánchez foi campeão olímpico em Pequim 2008 e a sua fama foi construída na já extinta Euskaltel--Euskadi, equipa basca conhecida pelos seus equipamentos laranjas e pela forma atacante como enfrentava as corridas. O ciclista espanhol está agora na BMC em final de contrato. Sánchez tem direito a pedir a contra-análise e só se esta confirmar o positivo receberá uma sanção que poderá significar o final da carreira.

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