Volvo Ocean Race com largada épica de Lisboa

Nortada forte na saída de Lisboa para a Cidade do Cabo proporcionou às sete equipas concorrentes condições extremas de velocidade

Lisboa redimiu-se da chegada sem vento que forneceu às sete equipas concorrentes da Volvo Ocean Race (VOR), quando estas, vindas de Alicante (Espanha), terminaram a 1ª etapa da prova, em 28 de outubro.

Esta tarde, pelas 14.00, foi dado o tiro de partida, debaixo de uma poderosa nortada que empurrou os barcos a grande velocidade de Pedrouços para dentro do Tejo, até ao Terreiro do Paço. Aqui, deram meia-volta, passaram outra vez debaixo da Ponte 25 de Abril - uma das imagens mais icónicas desta regata de volta ao mundo - e rumaram ao Atlântico. Destino: Cidade do Cabo, África do Sul. A viagem deverá demorar cerca de três semanas.

À passagem da Doca de Pedrouços, a caminho do mar alto, o Dongfeng, 3.º na classificação geral, liderava a frota, com 300 metros de vantagem sobre o Team Brunel (6.º na classificação geral). Depois, Mapfre (2.º na geral), Sun Hung Kai/Scallywag (5.º), Vestas 11th Hour Racing (líder da geral, porque venceu a 1.ª etapa), Turn the Tide on Plastic (o barco com bandeira portuguesa, 7.º na geral) e, por último, o AkzoNobel (4.º na geral). Ao todo, a frota não se espalhava por 3,3 quilómetros. Foi por esta altura que o passageiro VIP do Turn the Tide on Plastic, Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, teve se atirar ao mar, para ser resgatado por um semirrígido de apoio. Todas os barcos tiveram um jumper a bordo e o autarca foi um deles.

Depois, não foi preciso mais de um quarto de hora no mar alto para o vento aumentar de intensidade. Aqui todas as equipas viram os respetivos barcos transformados em verdadeiras máquinas de lavar, com água por todo o lado, e velocidades por vezes muito perto dos 30 nós, ou seja, 55,5 km/h. Antes da partida, o skipper do Mapfre, Xabi Fernández, já tinha dito: "A verdadeira corrida começa agora!"

Batismo dos meninos de ouro

Todos os velejadores sabiam, à partida, ao que iam e quanto tempo teriam de enfrentar nestas condições limite: pelo menos 48 horas. Em cinco horas percorreram cerca de cem milhas, uma média de 37 km/h - bastante mais rápido do que qualquer autocarro lisboeta. Pelas 19.30 de ontem, cinco horas e meia depois da largada, a frota, numa rota para sudoeste desde Lisboa, já se espalhava por 7,5 milhas (14 km), a distância entre o primeiro e o último. O Mapfre aqui já liderava. Seguiam-se Dongfeng, Team Brunel, Scallywag, Vestas, AkzoNobel e, em último, o Turn the Tide on Plastic, onde segue o português Frederico Melo.

Antes da partida, todos os skippers se prepararam para a grande praxe desta etapa: o batismo por Neptuno (personagem que os comandantes desempenharão) dos velejadores que cruzam pela primeira vez a linha do equador. A praxe inclui, por exemplo, grandes tosquiadelas do cabelo.

É uma tradição de cumprimento obrigatório, e envolverá, por exemplo, três das maiores estrelas mundiais da vela de velocidade, Kile Langford (australiano), Peter Burling e Blair Tuke (neozelandeses), todos vencedores da Taça América (a Fórmula 1 da vela), agora a estrearam-se na prova rainha das maratonas da vela.

Burling (Brunel) e Tuke (Mapfre) personificam, por sua vez, uma espécie de corrida dentro da corrida. Enquanto amigos e parceiros, conquistaram juntos uma medalha de ouro nos Olímpicos do Rio de Janeiro (classe 49er.) e a vitória na edição deste ano da Taça América, tripulando o barco da equipa Emirates Team New Zealand (ETNZ). Agora, em concorrência um com o outro, ambicionam juntar a estes dois troféus uma vitória na VOR e assim conquistar o Triple Crown da modalidade. Não há um único velejador no mundo que some estas três vitórias no currículo.

[Pode seguir aqui a par e passo a progressão da frota.]

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