Vanessa volta sem pressão mas com Tóquio 2020 no horizonte

Vanesssa Fernandes, medalha de prata em Pequim 2008, vai regressar à modalidade que lhe deu fama. O clique deu-se no final do ano passado e a atleta está motivada, garante o pai

Era um regresso há muito esperado: seis anos depois, Vanessa Fernandes vai voltar ao triatlo, para competir sem pressões mas com a qualificação para os próximos Jogos Olímpicos (Tóquio 2020) no horizonte. "Ela pensou - e bem - que o triatlo é a modalidade certa para ela. Sente-se motivada. E agora é tudo uma questão de tempo", resume, ao DN, o pai da triatleta, Venceslau Fernandes.

Há meio ano, quando estava no Rio 2016 como suplente da prova de maratona, Vanessa dizia ter encontrado a "inspiração" para voltar a uns Jogos Olímpicos como participante - "isto acaba por ser um sinal que eu agarro com muita força, para estar daqui a quatro anos com mérito, a competir mesmo". Mas o clique do regresso ao triatlo - que será oficializado na segunda-feira, em conferência de imprensa, segundo anunciou ontem a sua assessoria de imprensa - só se deu meses depois.

"Ela reconheceu que no atletismo [a única modalidade a que estava dedicada] era muito difícil vir a ter o sucesso que teve no triatlo, porque ela não corre só bem como também anda bem de bicicleta e consegue acompanhar os melhores na natação", descreve o pai Venceslau, ex-ciclista. A partir de dezembro, Vanessa, de 31 anos, voltou a dedicar-se às três disciplinas em que se tornara uma referência mundial, juntando-se, em Lisboa, ao grupo de trabalho do selecionador nacional Lino Barruncho, "para ter as melhores condições de trabalho".

No caminho, a atleta - que conquistou a prata olímpica em Pequim 2008 - encontrou a motivação que lhe faltava desde fevereiro de 2011, quando anunciou a interrupção da carreira, por motivos de saúde. O regresso, gradual, deu-se pela porta do atletismo. No entanto, agora, Vanessa Fernandes parece pronta para voltar à modalidade que lhe deu fama. "Ela está a treinar-se, está motivada. E o nosso grande objetivo é que tenha prazer no triatlo e que perceba que é muito bem-vinda na modalidade", diz, ao DN, o líder da Federação de Triatlo de Portugal, Vasco Rodrigues.

O presidente, recém-empossado, já tinha expressado o desejo de que Vanessa "voltasse a ser uma figura" da modalidade, nem que fosse "como embaixatriz", que servisse de exemplo às camadas jovens, "com um potencial enorme", que vão surgindo no triatlo nacional. Afinal, o regresso será mesmo competitivo, ainda que Vasco Rodrigues não queira meter-lhe demasiado peso nos ombros: "Este é o ano ideal para ela começar o regresso, sem grandes objetivos, sem grandes pressões."

"O objetivo não é competir já no limite. A Vanessa vai fazer um ano ou dois sem pressões, praticamente o desporto pelo desporto", anui Venceslau Fernandes, lembrando que "o apressar das coisas dá origem a lesões" - e, precisamente devido a uma pequena mazela, a triatleta deve adiar a estreia, inicialmente prevista para 4 de março, na primeira etapa das World Triathlon Series, em Abu Dhabi (EAU).

Mais do que o físico, o fator psicológico deverá ser determinante neste regresso. "Passa tudo pela motivação dela. Com a devida orientação e motivação, estou convencido de que vai alcançar resultados de relevo. Faço votos que consiga tudo o que deseja do ponto de vista pessoal e desportivo", afirma Sérgio Santos, antigo treinador da atleta e atual diretor do Complexo Desportivo de Rio Maior.

Embora "a realidade do triatlo tenha mudado um bocadinho nos últimos anos", o técnico não tem dúvidas de que Vanessa pode voltar ao topo - seja no triatlo olímpico "ou na distância longa". "Ela tem de desenvolver rotinas competitivas e voltar a familiarizar-se com o meio, mas tem um potencial inquestionável, por tudo o que conseguiu alcançar até 2009, e continua jovem: as triatletas alcançam os melhores resultados entre os 25 e os 36/37 anos. Não seria a primeira a consegui-lo com essa idade", nota Sérgio Santos.

"Passando pela motivação e vontade dela, pode ser atleta para Tóquio 2020 e até para os Jogos Olímpicos de 2024", completa o técnico. Contudo, sem aumentar a fasquia, a meta fica-se, para já, pela capital japonesa: "o objetivo é esse", conclui Venceslau Fernandes.

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