Uma edição especial: FC Porto e Sporting de volta à Volta

Arranca a 78.ª edição da Volta a Portugal, com os grandes de regresso à estrada e importantes novidades no percurso. Favorito? Gustavo Veloso, vencedor das duas últimas edições

As estradas portuguesas voltam a animar-se a partir de hoje e até 7 de agosto com a passagem do pelotão da Volta a Portugal em Bicicleta, que apresenta o percurso mais longo dos últimos cinco anos, com um total de 1618,7 km. A prova fica marcada pelos regressos do Sporting e do FC Porto, reeditando uma antiga rivalidade que fez faísca na modalidade. Falta agora apenas que também o Benfica volte, algo que até poderá acontecer no próximo ano, quando a prova cumprir 90 anos.

Gustavo Veloso, da W52-FC Porto, vencedor das duas últimas edições, apresenta-se como o grande favorito à vitória, pois é o chefe de fila da equipa que apresenta o melhor grupo de ciclistas. De resto, esta formação só mudou praticamente o nome de W52-Quinta da Lixa para W52-FC Porto, pois os ciclistas são praticamente os mesmos do ano passado.

Para além de Gustavo Veloso, há apenas mais dois corredores no lote de inscritos que já sentiram o sabor da vitória final na Volta: Ricardo Mestre, igualmente da W52-FC Porto, e Alejandro Marque, da LA-Antarte. E se Mestre está teoricamente fora da corrida, porque irá trabalhar para a vitória de Gustavo Veloso, existe muita curiosidade para perceber o que poderá fazer o outro espanhol, Marque, um atleta sempre a ter em conta.

Uma das novidades deste ano é a redução de nove para oito elementos por equipa. São seis os conjuntos portugueses, com Gustavo Veloso a ser o chefe de fila da W52-FC Porto, Alejandro Marque a liderar a LA-Antarte, Ricardo Nocentini o Sporting-Tavira, Rui Sousa a Rádio Popular-Boavista, Joni Brandão a Efapel e João Benta o Louletano-Hospital de Loulé.

O pelotão conta ainda com duas equipas espanholas (Caja Rural e Euskadi-Murias) e formações de Itália (Androni Giocattoli-Sidermec), Áustria (Drapac), Suíça (Team Roth), Brasil (Funvic Soul Cycles-Carrefour), Colômbia (Boyaca), Rússia (Lokosphinkx), Alemanha (Christina Jewelry), República Dominicana (Inteja-MMR), Cazaquistão (Astana City) e França (Armeé de Terre). Ao todo, apresentam-se 18 equipas e 144 competidores.

Os estrangeiros têm dominado por completo as últimas edições da Volta e desde 2000 só três portugueses se conseguiram intrometer na lista de vencedores: Vítor Gamito, em 2000, ao serviço da Porta da Ravessa; Nuno Ribeiro (LA Alumínios-Pecol Bombarral), em 2003, e Ricardo Mestre, da Tavira Prio, em 2011. Ainda assim, o domínio luso continua a ser esmagador, com 54 triunfos em 77 edições.

Tri para Gustavo Veloso?

O antigo ciclista Marco Chagas, um dos grandes nomes na história da Volta a Portugal, venceu a prova em quatro ocasiões. Para ele, Gustavo Veloso é o grande favorito ao triunfo. "Ele ganhou as duas últimas edições e não é pelo facto de estar a ter uma época sem grandes resultados que deixará de fazer uma grande prova. Aliás, isso já é usual acontecer, parece que não está no máximo das suas potencialidades, mas depois surge em grande forma nesta altura e ganha a Volta", sublinha.

Marco Chagas enaltece o regresso de Sporting e FC Porto. "É possível que apareçam mais pessoas nas estradas, atraídas pela rivalidade entre os dois clubes, mas tudo dependerá dos resultados das primeiras etapas. Certo é que o interesse da comunicação social aumenta, pois quer se queira quer não, estamos a falar de dois grandes clubes que faziam falta à modalidade", refere a antiga glória, que correu por leões e dragões.

No entanto, Marco Chagas não duvida da superioridade azul e branca. "A W52-FC Porto tem um lote de ciclistas muito mais bem preparado, enquanto o Sporting--Tavira não tem corredores muito conceituados. O próprio Nocentino, chefe de fila, não se pode dizer que tenha um palmarés propriamente rico. No entanto, apresenta-se em boa forma, pois acabou de ganhar o Troféu Joaquim Agostinho, naquela que foi a primeira vitória do Sporting esta época", refere.

Marco Chagas chama a atenção para uma importante alteração nesta edição da Volta que poderá beneficiar o espanhol Alejandro Marque, da LA-Antarte. "A última etapa já não será aquela típica consagração do vencedor, a não ser que exista uma grande diferença entre o primeiro e o segundo classificado. O último dia terá um contrarrelógio de 32 km e o Marque é mesmo muito forte nessa componente. Estou em crer que se ele não perder muito tempo na montanha e chegar ao último dia em condições de discutir a vitória, poderá ter uma importante palavra a dizer", antevê.

O atual comentador de ciclismo da RTP elogia a forma como o percurso desta edição foi feito. "Parece-me que tem o grau de dificuldade adequado. Só existe uma etapa acima dos 200 km, mas é difícil fazer-se percursos mais longos e nem faria sentido que assim fosse, dada a classificação que a UCI dá a esta Volta a Portugal", realça.

Exclusivos