"O Sindicato de Jogadores defende tolerância zero ao assédio sexual, doa a quem doer. Estaremos sempre ao lado das jogadoras, protegendo o seu anonimato e encaminhando-as através de canais seguros para as autoridades. Ao mesmo tempo, respeitamos o princípio da presunção de inocência, a justiça deve fazer o seu trabalho", disse ao DN Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato de Jogadores, na sequência do arquivamento da queixa contra Miguel Afonso, acusado de alegado assédio sexual, por jogadoras do Rio Ave, na época 2020-21, noticiado hoje pelo DN..O dirigente sindical entende que "a temática é complexa", mas defende que "a ação célere e competente de quem investiga é fundamental para que as alegadas vítimas e os alegados acusados vejam os seus direitos salvaguardados". Para o presidente do Sindicato, é preciso ressalvar a importância deste "primeiro passo dado por jogadoras em Portugal no sentido de denunciar práticas de assédio sexual", defendendo que "é natural que muitas delas tenham sentido receio e preferido não colaborar com a investigação"..Para o líder do Sindicato de Jogadores, "as instituições cumpriram o seu papel e o anonimato das denunciantes foi protegido e todos estão mais vigilantes para um fenómeno que sabem existir". Mas "não basta apelar há denúncia ou fazer campanhas, é pedido educar e implementar protocolos eficazes de prevenção do assédio nos clubes"..Joaquim Evangelista disse ainda que é preciso separar a "esfera desportiva, que concluiu pela verificação de ilícitos disciplinares e a criminal que concluiu pela inexistência de crime". E que "não é imperativo que ambas as esferas decidam pela condenação"..E tanto quanto o DN conseguiu apurar, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, considera que agiu na área da sua responsabilidade, ao suspender o técnico, por considerar que não podia admitir o comportamento impróprio relatado pelas jogadoras e por isso o sancionou disciplinarmente. O DN soube ainda a decisão no âmbito do processo disciplinar desportivo foi tomada em função de vários outros testemunhos e não o da atleta menor citada no despacho do Ministério Público..Ministério Público arquivou o inquérito aberto na sequência das queixas de jogadoras do Rio Ave, nomeadamente uma menor. "Não se mostra minimamente indiciada a prática de crime de importunação sexual de menor por parte do denunciado no que à ofendida concerne, determino, sem necessidade de mais considerandos, o arquivamento dos presentes autos, por ter sido recolhida prova bastante da inexistência de crime", pode ler-se no despacho final do MP da secção de Vila do Conde, revelado pelo DN..Miguel Afonso ainda espera pela decisão do Tribunal Arbitral do Desporto sobre o recurso do castigo aplicado pelo Conselho Disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol, que o afastou do futebol por 3 anos, mas vai pronunciar-se sobre o caso no fim de semana. O técnico sempre negou as acusações.