Todos querem Nakajima, o fenómeno japonês que conquistou Portimão

Benfica e FC Porto atentos ao extremo japonês. SAD dos algarvios garante que só abdica da joia se alguém bater a cláusula de dez milhões

Shoya Nakajima tem 23 anos, chegou ao Algarve nos últimos dias de agosto e cedo caiu no goto dos adeptos do Portimonense. Os golos e as exibições do extremo japonês começaram também a ecoar a nível internacional, de tal modo que Naka tem mercado na Alemanha, de onde terão já surgido algumas propostas interessantes, bem como de França e até de Portugal - o FC Porto e o Benfica quiseram saber "números" do pequeno e talentoso jogador às ordens de Vítor Oliveira.

Internacional nas camadas jovens do seu país, estreou-se na I Liga à 5.ª jornada e nunca mais perdeu a titularidade, tendo obtido seis golos, o melhor registo entre o plantel algarvio. Nakajima veio emprestado pelo FC Tokyo até final da época, com a SAD do Portimonense a deter 20% do seu passe, cuja totalidade, porém, acaba agora de adquirir. Blindado por uma cláusula de dez milhões de euros, o japonês vai passar a valer o dobro no final deste mercado de janeiro se até lá não for vendido.

As boas relações do investidor maioritário, Theodoro Fonseca, do presidente da SAD, Rodiney Sampaio, e do diretor-geral, Robson Ponte, com o futebol japonês são por demais conhecidas e ajudam a explicar o negócio. Aliás, os dois primeiros colaboraram ativamente no crescimento do mercado futebolístico em terras nipónicas, durante mais de 15 anos, catapultando clubes e promovendo transferências. Recorde-se a passagem do avançado Fabrício pelo Kashima - disputou a final do Mundial de Clubes com o Real Madrid no final do ano passado - e o período em que Mu Kanazaki evoluiu no Portimonense. E nem será despropositado lembrar que foi Theodoro Fonseca, em 2008-09, a trazer Hulk, então no Tokyo Verdi, para o FC Porto.

Velocidade, técnica, remate fácil e excelente perceção dos lances, sobretudo pelo ritmo vertiginoso que aplica nas transições, são alguns dos atributos de Nakajima, que também impressionaram Vítor Oliveira. De início, o técnico jogou à defesa, atirando um "não digas muito bem de quem um dia mais tarde possas vir a dizer mal", mas não tardou a render-se à classe do extremo-esquerdo, que fala pouco ou nada de inglês e que tem de recorrer à ajuda do "tradutor" Ryuki (companheiro de equipa com dupla nacionalidade brasileira e japonesa) quando a mensagem é mais complicada. Vive com a mulher e o cão, aprecia bacalhau, diz que o seu estilo é algo parecido com o de Messi e elege o FC Porto como o onze que pratica o futebol mais vistoso na I Liga portuguesa.

Sobre o futuro, refugia-se no "politicamente correto", ou seja, gosta bastante de estar em Portimão sem, no entanto, fechar a porta a quaisquer convites e a outros mercados. Para a SAD dos algarvios, a questão é simples, pelo menos nas palavras de Rodiney Sampaio: "As joias só saem se alguém bater a cláusula", reconhecendo, no entanto, que pode ser difícil segurar algumas dessas joias, nomeadamente Nakajima. O dirigente confirma várias abordagens e propostas, com os alemães, por ora, à cabeça, casos do Wolfsburgo e do Eintracht, que têm enviado emissários para observar os jogos dos alvinegros. A antiga equipa de Vieirinha terá mesmo acenado com oito milhões, verba que a SAD rejeitou, como publicamente veio a informar nos últimos dias do ano passado.

"Não houve evolução nas sondagens. Ou seja, em papel, nada recebemos, embora o diretor-geral do Eintracht Frankfurt tenha visto o jogo de quinta-feira, com o Belenenses", confirma Rodiney Sampaio ao DN. "Abaixo da cláusula, é certo que o Nakajima não sai", reitera o líder da SAD, acrescentando que o FC Porto e o Benfica "pediram informações". De resto, os propalados 3,5 milhões que o clube da Luz terá oferecido nem chegaram a ser equacionados - "Se já rejeitámos uma proposta de oito milhões", justifica Rodiney.

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