Telma foi derrubada. Mas recusa adeus e quer levantar-se para estar em Paris com 38 anos

Medalha de bronze no Rio 2016, a judoca disse adeus nos oitavos-de-final. Não conteve as lágrimas mas recusou dar-se por vencida aos 35 anos. Conseguirá a judoca reinventar-se ou terá este sido o adeus olímpico? Seja qual for a decisão o Benfica vao apoiá-la.

"Se eu quiser ir a Paris 2024, eu vou!" Palavra de Telma Monteiro, após ser eliminada na segunda ronda de - 57 kg de Tóquio 2020, recusando, para já, dizer adeus às participações em Jogos Olímpicos, apesar dos seus 35 anos. Mas só o quer fazer se for ao mais alto nível e com possibilidades de vencer, porque ir só para participar e juntar mais uns Jogos ao currículo não está nos seus planos.

Na madrugada de segunda-feira, a medalha de bronze no Rio 2016 superou a costa-marfinense Zouleiha Abzetta Dabonne na primeira ronda e marcou combate no tatami com a polaca Julia Kowalczyk, a quem venceu no único combate que tinham realizado, em 2020. Mas desta vez perdeu já no golden score (ponto de ouro), ao somar o terceiro castigo com 9,31 minutos de combate.

"Sinto-me muito triste, porque queria avançar mais na competição. É uma sensação diferente de frustrada e desiludida, porque sinto que dei tudo o que tinha. Saí exausta, lutei os dez minutos para ganhar e por isso fico triste de não ter conseguido. O meu objetivo era chegar mais à frente", admitiu a atleta ainda na zona mista do pavilhão Nippon Budokan.

Sem conter as lágrimas e de voz embargada, lembrou que preferia chorar no pódio e escusou-se a comentar o papel do árbitro, que, segundo os comentadores, devia ter penalizado a postura demasiado defensiva da polaca durante o combate.

A judoca portuguesa de 35 anos repete assim a o nono lugar de Pequim 2008 - foi 12.ª em Atenas 2004, 17.ª em Londres 2012 e terceira no Rio 2016. "O mais importante é descansar. Não sei o que vai ser o futuro, mas se eu quiser ir a Paris, eu vou. Disso tenho a certeza", atirou. Apesar da frustração, Telma consegue ainda ter o discernimento necessário para dizer que tomar uma decisão a quente "seria errado". E reconheceu que precisa de tempo para descansar física e psicologicamente. E depois sim, avaliar se tem condições para um novo ciclo olímpico, que será apenas de três anos, em que terá 38 anos.

As lesões e as dores constantes nas costas, ombro e pulso direito não matam, mas moem. E a judoca está a ficar cansada. Ainda em abril, depois de ser campeã da Europa em Lisboa, deu uma entrevista ao DN onde revelava isso mesmo, mas também garantia que Tóquio 2020 não seria um adeus e que a idade não é requisito para abandonar o judo.

"Para Paris, será um apuramento olímpico muito exigente e eu não consigo pensar em chegar a um nível mais ou menos. O nível de exigência que tenho é que decide. Não quero ser uma atleta de alta competição mais ou menos. Quero pensar que posso ganhar sempre. Tenho de estar disponível para treinar a um nível que me permita pensar que posso ganhar sempre", resumiu a única atleta mulher portuguesa medalhada da atualidade e uma das quatro em toda a história, ao lado de Rosa Mota, Fernanda Ribeiro e Vanessa Fernandes.

Em final de contrato, mas com ligação eterna ao Benfica

No Benfica desde 2007, Telma Monteiro está em final de contrato, mas isso é só um pormenor. Segundo fonte do clube encarnado, a judoca vai "ficar ligada ao Benfica até ela quiser", seja como atleta ou em outras funções: "Seria muito mau não aproveitar tudo o que ela ainda tem para dar ao judo."

A mesma fonte explicou ao DN que "O Projeto Olímpico do Benfica continua a ter Telma como principal chamariz" e os desabafos foram encarados como "motivação" por quem a conhece. Mas se decidir colocar um ponto final na carreira Olímpica será apoiada porque é política do clube não deixar cair atletas. "Ainda hoje a Vanessa Fernandes está ligada ao Benfica", lembrou a mesma fonte.

Ainda faltam cinco judocas entrar em prova

Em Tóquio 2020, além de Telma, Catarina Costa (5.ª nos -48 kg) e Joana Ramos (17.ª nos -52 kg) já competiram. Esta madrugada entrava em ação Anri Egutidze, em até 81 kg. O judoca do Benfica brilhou nos europeus de Lisboa, em abril, ao derrotar os campeões mundial e olímpico, falhando as medalhas por pouco. Vingou-se no mundial onde arrecadou o bronze.

Ficam a faltar Bárbara Timo (-70 kg), na quarta-feira, Patrícia Sampaio (-78 kg) e Jorge Fonseca (-100 kg) na quinta-feira, e Rochele Nunes (+78 kg), na sexta.

isaura.almeida@dn.pt

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