Super Liga chinesa reforça aposta nos treinadores portugueses

Vítor Pereira sucede a Villas-Boas no Shanghai SIPG e junta-se a Paulo Sousa e Paulo Bento. Porquê este boom português? "Chineses precisam de aprender e querem os melhores professores de futebol", explica Manuel Cajuda

São cada vez mais os portugueses que se aventuram à conquista do Oriente ou os chineses que apostam na qualidade made in Portugal? Seja qual for a resposta, uma coisa é certa: a Super Liga da China - talvez o campeonato periférico mais rico e mediatizado do futebol mundial - está a reforçar a aposta nos treinadores nacionais. Em 2018 terá pelo menos três: Paulo Sousa, Paulo Bento e Vítor Pereira, que ontem foi apresentado como sucessor de André Villas-Boas, no Shanghai SIPG.

A presença lusa na China não tem parado de crescer, estendendo-se a divisões secundárias, academias e escalões de formação. "Os chineses facilmente se aperceberam da qualidade dos portugueses. Como precisam de organização, de alguém que os vá ensinar e faça evoluir (para obter resultados internacionais daqui a dez anos, por exemplo), têm escolhido os melhores professores de futebol", resume ao DN Manuel Cajuda, que treinou neste ano o Sichuan Annapurna da League Two da 3.ª divisão local.

Após o final de contrato, o técnico algarvio - que antes passara pelo Chongqing FC (2013) e pelo Tianjin Songjiang (2014) - ficou "com as portas totalmente abertas" para continuar no Oriente: "É provável que regresse à China, com outro clube." E admite que há bons motivos para um treinador português se deixar seduzir por uma aventura do género: o dinheiro ("o futebol chinês paga melhor") e principalmente o desafio pela possibilidades de "conhecer culturas diferentes, aprender e evoluir cada vez mais".

Conquistados por tais argumentos, chegaram à Super Liga chinesa, nas últimas semanas, Paulo Sousa (Tianjin Quanjian), Paulo Bento Chongqing Lifan) e Vítor Pereira (Shanghai SIPG). O técnico nortenho (que volta a render André Villas--Boas, como acontecera no FC Porto em 2011) mostra-se entusiasmado com o cenário que vai encontrar: uma liga repleta de estrelas internacionais, após os clubes terem investido cerca de 700 milhões de euros nos últimos dois anos. "O campeonato chinês é um grande desafio, com muitos treinadores [estrangeiros] e muito bons jogadores que aqui têm chegado", apontou Vítor Pereira na apresentação.

O ex-técnico de Al-Ahli Jeddah (Arábia Saudita), Olympiacos (Grécia), Fenerbahçe (Turquia) e 1860 Munique (Alemanha) terá a missão de dar ao Shanghai SIPG os troféus que lhe escaparam por muito pouco neste ano - a equipa de Xangai, que se estreou na Super Liga em 2013, foi 2.º no campeonato, finalista vencido na Taça da China e semifinalista na Liga dos Campeões Asiáticos. "Sei o que o clube quer e sei o que quero para a minha carreira: ganhar títulos. Juntos, tenho a certeza, de vamos alcançar os nossos objetivos no final da época", diz Vítor Pereira, que vai reencontrar nas águias vermelhas o ex-portista Hulk.

O avançado brasileiro é, como os colegas Oscar, Elkeson e Ricardo Carvalho (em final de contrato com o Shanghai SIPG), uma das estrelas da Super Liga. A prova está cheia de vedetas com passagem por Portugal, como Witsel, Ramires, Jackson Martínez e Freddy Guarín (aos quais se junta o internacional sub-21 luso Ricardo Vaz Tê) - Rúben Micael acaba neste mês o contrato com o Shijiazhuang Ever Bright, da 2.ª divisão.

No entanto, a chegada em força dos treinadores portugueses marca outra tendência, no momento em que os chineses põem travão nos gastos milionários. "Primeiro pensaram que investindo milhões em jogadores atingiam tudo, mas agora mudaram a forma de pensar. Perceberam que, para serem os melhores, têm de evoluir e contratar os melhores treinadores do mundo, como os portugueses", aponta Cajuda. Para para que tudo funcione, o técnico deixa um aviso aos compatriotas: "Adaptem-se. Não pensem apenas em chegar lá e mudar uma civilização milenar com cultura e hábitos próprios." Afinal, mesmo na Super Liga, o sucesso constrói-se com paciência de chinês.

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