Tubarões gostam de aniquilar equipas de Jesus ao soar do gongo

Em vésperas de receber a Juventus, o DN fez um apanhado do registo do treinador leonino frente a colossos do futebol europeu. Tudo seria diferente se os jogos acabassem aos 75 minutos. Em 20 encontros, 14 desaires, quatro triunfos

É uma ideia feita e assimilada de que Jorge Jesus, ou melhor as equipas que orienta, costuma dar muito trabalho aos colossos do futebol europeu. É verdade por um lado, é menos verdade pelo outro.

Desde que a sua carreira começou a passar por clubes com presenças nas competições europeias, ou seja, a partir de 2007-08 como treinador do Belenenses, Jorge Jesus, até ao dia de hoje, já defrontou equipas da elite do futebol do Velho Continente em 24 ocasiões. E apenas quatro vezes saiu vencedor - duas frente ao Paris Saint-Germain, Liverpool e Juventus. Esta última foi vital para que o Benfica alcançasse a final da Liga Europa e afastasse a Juventus de Conte do jogo decisivo que se realizaria no seu próprio estádio. De resto, constatámos 14 derrotas e seis empates - 18 golos marcados e 34 sofridos.

Mas há um dado que merece reflexão, não só porque tem sido assíduo no Sporting desta época mas porque este levantamento permite perceber que há um problema que vem de longe e com um denominador comum. Referimo-nos aos golos sofridos na parte final dos encontros. Aliás, das 14 derrotas sofridas pelas equipas de Jorge Jesus frente à classe alta do futebol europeu, nove foram concedidas nos últimos 15 minutos. O ideal para o treinador português, bem como para as suas equipas, seria que os jogos terminassem aos 75 minutos.

Por exemplo, em 2008-09, o Sp. Braga estava a conseguir calar San Siro frente ao AC Milan, mas aos 90 minutos surgiu Ronaldinho Gaúcho. E esta traição deve ter custado a Jorge Jesus, até porque foi o técnico a conseguir relançar a carreira de Roberto Assis, irmão do então futebolista do AC Milan, no Estrela da Amadora. Na mesma temporada, o Sp. Braga perderia com o Paris Saint-Germain, no Parque dos Príncipes, com um golo sofrido aos 81 minutos (apesar de nesta altura o PSG não ser o colosso que é hoje).

Já no Benfica, Jesus teve mais argumentos para se bater com as grandes equipas. Na primeira temporada não resistiu ao Liverpool, apesar de ter vencido na Luz, na segunda época eliminou o Paris Saint-Germain e na terceira o Benfica empatou duas vezes com o Manchester United, resultados que devem ser enaltecidos.

Nessa mesma temporada atingiu os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Na primeira mão o Chelsea venceu na Luz aos 75 minutos e na segunda mão, com o jogo empatado 1-1 e o Benfica a tentar o golo da qualificação, Raul Meireles faria o 2-1 para os blues aos... 90"+2. Ou seja, dois golos nos últimos 15 minutos a impedir o Benfica de Jesus de chegar às meias-finais da Liga dos Campeões.

Mas não houve desaire mais doloroso nos últimos minutos do que a derrota com o Chelsea na final da Liga Europa na temporada 2012-2013. Com o encontro empatado a um golo e a encaminhar-se para o prolongamento, os londrinos venceram o troféu com um cabeceamento de Ivanovic aos... 90"+3".

Já em Alvalade vira o disco e toca o mesmo. Duas derrotas com o Real Madrid, ambas da mesma maneira. Na primeira, na capital espanhola, o Sporting vencia aos 88 minutos por 0-1, mas Morata aos 89" e Ronaldo aos 90"+4 deram a volta ao texto. Em Alvalade, diante do campeão europeu, foi Benzema aos 87" a desfazer o 1-1 que o marcador mostrava. Já nesta temporada, Jorge Jesus, que nunca havia perdido em Turim, viu o Sporting consentir o golo da derrota (1-2) aos 84 minutos por Mandzukic. Amanhã a Juventus visita Alvalade. Veremos se a tendência é para manter...

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