"Quando falei com Bettencourt era para ele liderar o projecto"

Braz da Silva decide dentro de uma semana se avança com a candidatura à presidência do Sporting. Até lá irá reunir-se com sócios, dirigentes e figuras do clube. Garante que o seu projecto irá colocar os leões no topo do futebol português. Mas os objectivos vão além da restruturação interna. Defende a redução dos quadros competitivos, única forma de tornar o negócio mais competitivo.

Diz que dentro de uma semana estará em condições de decidir se avança ou não com a candidatura à presidência do Sporting. O que falta agora para ter a certeza?

Falta reunir o maior consenso possível dos sportinguistas à volta deste projecto. Há alguns contactos para fazer, pessoas com quem quero falar. Não quero que este projecto seja encarado como uma lista de A contra B. É um projecto agregador.

Dos contactos que tem feito com os actuais dirigentes e figuras importante do clube sente que a sua mensagem está a ser aceite?

Sem dúvida. Sinto um enorme entusiasmo.

Já esteve reunido com José Eduardo Bettencourt. Sentiu receptividade?

Falei com ele na sexta-feira anterior à sua demissão [presidente dos leões renunciou ao cargo no sábado, dia 15, após o jogo com o Paços de Ferreira]. Dei-lhe a conhecer um projecto capaz de alterar o rumo da situação. O Sporting precisa de uma equipa forte. No meu pensamento era para ser ele a liderar o projecto. Todos os órgãos sociais iriam fazer parte.

E a resposta?

O objectivo era dar a conhecer a minha ideia e voltar a falar. José Eduardo Bettencourt entretanto demitiu-se...

Pretende falar com a equipa técnica de Paulo Sérgio

Não. A candidatura ainda não está decidida, mas se eu assumir a liderança do projecto irei transmitir tranquilidade à equipa técnica e ao plantel, só assim é que se consegue trabalhar. A equipa técnica tem um contrato de trabalho que é para cumprir.

Afirmou que tem recebido manifestações de apoio. Por parte de quem?

De centenas de milhares de sócios anónimos, que são tão importantes como os conhecidos, e de muitas velhas glórias do Sporting. Sinto esse apoio nas ruas e as mensagens vão chegando através dos mais variados meios tecnológicos, na Net, no Facebook.

Como idealiza o fundo de 50 milhões de euros para o Sporting?

Para já ainda não posso falar muito deste projecto. O modelo e a fórmula do fundo que defendo para o Sporting vai ser decidido pelos próprios sportinguistas. O que pretendo é que este fundo permita que o Sporting venha a ter uma equipa competitiva, para tal é necessário investir.

Mas está a falar de um fundo de jogadores do género do Benfica?

Não. É diferente, não estou interessado num fundo que beneficie pessoas e prejudique o clube. É um fundo para servir o Sporting. Os fundos que existem, da forma como estão a ser estruturados, são meio caminho para a destruição dos clubes. São feitos grandes investimentos e as receitas não sobem na mesma proporção, pelo que os clubes vêem o seu défice aumentar cada vez mais. Não é isso que eu quero para o Sporting.

O que pretende então?

Um Sporting com sucesso a todos os níveis. Preciso de uma equipa competitiva, para isso necessito de dinheiro para aplicar em activos e rentabilizar o investimento. Sei que com este projecto e com a união de todos, o Sporting vai ser a curto prazo o maior clube português. Isso pode doer a muita gente, mais vai ser. O Sporting merece e tem condições para isso.

Além do fundo, que outras ideias tem para o Sporting?

Muitas, mas dentro de uma semana darei a conhecê-las. Mas posso dizer que o importante aqui é servir o Sporting, e há muitas pessoas que têm possibilidade de o fazer sem querer nada em troca. Por exemplo, comigo, o presidente do Sporting não volta a ser remunerado, nem ninguém dos órgãos sociais. O clube terá bons profissionais, que serão pagos, mas não os dirigentes, estes têm de servir o clube. Naquilo que idealizo para o Sporting também é essencial lançar o debate para mudanças profundas no futebol português.

Que tipo de mudanças?

Temos de ter um futebol, um campeonato, equipas mais competitivas. Se nada fizermos, Portugal vai perder competitividade e dentro de algum tempo vamos descer vertiginosamente no ranking europeu.

E como inverter essa situação?

Há que alterar o modelo de negócios, tem de se mexer nos quadros competitivos.

Defende a redução do número de equipas?

Só dessa forma poderá haver maior competitividade, mais assistências, mais negócios. Não existe nenhum negócio que se consiga manter com prejuízos constantes ou com vendas extraordinárias de jogadores.

Diz-se que teve problemas com a justiça em Luanda, nos anos 90, que foi implicado num caso de falsificação de dólares. O que se passou ?

É totalmente mentira. Isso de falsificação de dólares nunca aconteceu. Respondi, sim, no conhecido processo dos triliões, em que alguns empresários foram chamados a responder no âmbito de uma investigação a alegadas irregularidades com dinheiros do Estado, envolvendo algumas das maiores empresas do país. E eu, como um dos grandes investidores, fui chamado. Mas apenas isso, o meu envolvimento neste processo não passou disso mesmo. Para mim acabou depois de ter prestado declarações. Nunca existiu qualquer acusação, nada.

Então estas notícias a envolver o seu nome com a justiça angolana são meros equívocos?

Se calhar esta minha disponibilidade em servir o Sporting incomodou alguém. Até há pessoas com quem lidei que agora dizem que não me conhecem. Devem ter a memória curta. Mas isso agora não interessa nada. O importante é o projecto Sporting.

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