Moutinho no Dragão deixa Alvalade em polvorosa

Pela primeira vez na história do futebol português, um capitão de um grande ruma a outro grande numa negociação directa entre dois clubes. João Moutinho deixa o emblema onde se formou, o Sporting, e vai jogar no FC Porto nas próximas quatro temporadas, naquele que é o maior negócio entre dois clubes portugueses. A decisão de negociar, por parte dos dirigentes leoninos, deixou os órgãos sociais dos verdes e brancos em polvorosa, desagradados com a forma de actuar do presidente José Eduardo Bettencourt, que cedeu, no entender desses dirigentes, à "chantagem" do futebolista, que reclamava o facto de lhe ter sido prometida a saída neste defeso, e do seu empresário, Pini Zahavi, visto como um dos maus da fita. Os próximos tempos para Bettencourt prometem não ser fáceis, isto a menos que os resultados ajudem e façam esquecer a saída de um símbolo para um dos clubes rivais. Se tal não acontecer, a contestação interna subirá de tom até níveis imprevisíveis.

O primeiro sinal de que algo não estava bem surgiu na quinta--feira, dia do aniversário do clube. Bettencourt confidenciou a pessoas próximas de que Moutinho podia sair e que já não seguiria para o estágio francês, que se inicia amanhã em Évian-les-Bains. Segundo o DN conseguiu saber, Moutinho e Costinha travaram-se de razões após uma soma de pequenas divergências que tiveram início na época passada. A gota de água foi a divulgação de que o médio iria perder a braçadeira de capitão. Moutinho não gostou de ler a notícia e interpretou que teria sido o Sporting a "passar" a informação. Em simultâneo, com a ausência de propostas do estrangeiro, fez ver que merecia ser aumentado, ao que lhe foi respondido que não era possível e que o seu ordenado já "batia" no tecto salarial.

Colocado perante o interesse do FC Porto, o Sporting vacilou mas, à falta de ofertas, tomou a decisão de negociar com o FC Porto - que deve deixar sair Raul Meireles - , um clube com o qual se tem entendido bem no que toca a medidas estruturantes no futebol português, nomeadamente no que à Liga de Clubes diz respeito.

Segundo o DN conseguiu apurar, o Sporting vai receber, sensivelmente, dez milhões de euros, e fica com a metade do passe de Postiga que ainda pertencia ao FC Porto (2,5 milhões) e ainda a totalidade dos direitos desportivos do jovem central Nuno André Coelho. E ainda mantém 25% do passe de Moutinho. O FC Porto, por seu turno, tenciona vender parte de 75% do passe que adquiriu, de forma a suavizar o investimento feito.

O brasileiro Helton foi outro dos nomes conversados, mas o Sporting tem, praticamente, garantido o guarda-redes Nilson, do Vitória de Guimarães.

O último passo da negociação foi dado com o empréstimo do extremo Bruno Pereirinha aos minhotos.

Em cima da mesa está ainda a possibilidade de o Sporting e o FC Porto negociarem, em separado, Farías e... Vukcevic. Ontem, porém, o treinador do Sporting, Paulo Sérgio, decidiu reintegrar o montenegrino deixando uma pequena farpa a Paulo Bento e Carvalhal: "Apercebi-me junto do grupo que, muitas vezes, Vukcevic foi mais vítima do que prevaricador e que é bom elemento no balneário."

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