Jaime Marta Soares diz que não abriu nenhum processo eleitoral

"Eu não abri nenhum ato eleitoral, e não podia receber candidaturas, porque só eu é que, efetivamente, tenho competência para isso", disse presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral

O presidente demissionário da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, Jaime Marta Soares, considerou hoje "uma ilegalidade" o processo eleitoral que está a ser liderado pela Comissão Transitória de MAG, nomeada pela direção de Bruno de Carvalho.

"Eu não abri nenhum ato eleitoral, e não podia receber candidaturas, porque só eu é que, efetivamente, tenho competência para isso. Não vou comentar ilegalidades", disse Jaime Marta Soares à agência Lusa.

Hoje, a Comissão Transitória da Mesa da Assembleia Geral (CTMAG) anunciou a receção de documentação de uma candidatura às eleições para a Mesa da Assembleia Geral e Conselho Fiscal e Disciplinar.

Num comunicado, a CTMAG refere que recebeu "a documentação relativa à candidatura 'Feitos de Honra. Leais ao Sporting', a qual concorre às eleições para a Mesa da Assembleia Geral e Conselho Fiscal e Disciplinar, que vão realizar-se no dia 21 de julho de 2018" e adianta que "de acordo com o regulamento eleitoral, procederá agora à análise de toda a documentação perante os requisitos exigidos".

Esta comissão foi designada pelo Conselho Diretivo (CD) para substituir a Mesa da Assembleia Geral, uma vez que o elenco liderado por Bruno de Carvalho considera que a Mesa eleita, presidida por Jaime Marta Soares, cessou funções ao anunciar a intenção de se demitir em bloco.

A CTMAG informa ainda que recebeu na quarta-feira um requerimento assinado por sócios, que totalizam cerca de três mil votos, considerando inexistente a Assembleia Geral marcada para o dia 23 de junho pela Mesa eleita com o intuito de votar a destituição de Bruno de Carvalho.

Desde 15 de maio que o Sporting vive uma situação conturbada, desencadeada pela invasão da Academia, em Alcochete, onde alguns futebolistas e elementos da equipa técnica foram agredidos, a que se seguiu a derrota na final da Taça de Portugal.

Paralelamente, o 'team manager' do Sporting, André Geraldes, foi constituído arguido no âmbito de uma investigação sobre alegados atos de tentativa de viciação de resultados.

Depois estes acontecimentos, a maioria dos membros MAG e do Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) e parte da direção apresentaram a sua demissão, defendendo que o presidente Bruno de Carvalho não tinha condições para permanecer no cargo.

Após duas reuniões dos órgãos sociais, o presidente demissionário da MAG, Jaime Marta Soares, marcou uma AG para votar a destituição do CD, para 23 de junho -- sobre a qual foi interposta uma providência cautelar para a sua realização pela MAG - e nomeou uma comissão de fiscalização para evitar o vazio provocado pela demissão da maioria dos elementos do CFD.

O CD do Sporting, que não reconhece legalidade a estas decisões, criou uma Comissão Transitória da MAG, que, por sua vez, convocou uma AG para o dia 17 de junho, para aprovação do Orçamento da época 2018/19, análise da situação do clube e esclarecimento aos sócios, e decidiu marcar uma AG Eleitoral para a MAG e para o CFD para o dia 21 de julho.

Jaime Marta Soares considerou que "a decisão do CD não tem fundamento e é uma demonstração inequívoca de um assalto ao poder".

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