Jogadores não treinam antes da final a pensar nas rescisões

Advogados aconselharam atletas a não retomar a atividade para manterem fundamentos para invocar justa causa para sair

Os jogadores do Sporting decidiram não fazer qualquer treino antes da final da Taça de Portugal, marcada para domingo (17.15) no Estádio Nacional, frente ao Desp. Aves - desmarcaram mesmo a sessão que estava marcada para hoje no Jamor, palco do jogo.

Na base desta decisão estão, segundo fonte conhecedora do processo, razões jurídicas relacionadas com as rescisões de contrato que os atletas estão a planear apresentar já a partir de segunda-feira, hipótese que ganha agora mais força com o anúncio feito ontem por Bruno de Carvalho de não se demitir.

Para reforçar os fundamentos da justa causa, os advogados dos jogadores defendem que estes não devem regressar aos treinos, porque tal situação seria interpretada como o regresso à normalidade e mesmo um perdão em relação ao que aconteceu na terça-feira na Academia, em Alcochete, quando um grupo de adeptos invadiram o balneário e agrediram os jogadores.

Assim, não se apresentando aos treinos, os futebolistas leoninos acentuam a tese da existência de insegurança no local de trabalho, um dos fundamentos para a eventual rescisão contratual com justa causa. Outro dos pressupostos que serão invocados nas eventuais rescisões a apresentar a partir de segunda-feira será, segundo a mesma fonte, imputar ao presidente Bruno de Carvalho a autoria moral das agressões de que os jogadores foram vítimas na Academia, justificando esta tese com as suas declarações públicas antes do incidente.

Há uma pergunta que, no entanto, tem de se colocar nesta altura: o que poderá evitar as rescisões em massa dos jogadores do Sporting? A resposta é simples: a demissão de Bruno de Carvalho até segunda-feira. Algo que não irá acontecer.

O caso do treinador Jorge Jesus é semelhante ao dos jogadores, isto porque, segundo o DN apurou, a continuidade de Bruno de Carvalho inviabilizará a sua continuidade. O técnico irá tentar chegar a um acordo para a rescisão contratual, mas, se tal se tornar inviável, avançará também ele para a rescisão com justa causa.

Jesus tenta fazer um treino

Ao início da tarde de ontem, a Federação Portuguesa de Futebol anunciou que os leões cancelaram o treino no relvado do Jamor, que é habitual para as duas equipas finalistas, e que estava marcado para esta manhã.

Ao que o DN apurou, Jorge Jesus tem tentado junto dos seus jogadores realizar ainda um treino, mesmo que não fosse na Academia, onde se registaram os incidentes no balneário, mas tais esforços têm-se revelado inglórios, face àquilo que é a posição assumida pelos futebolistas. Assim sendo, o que deverá acontecer é que o plantel se reúna apenas no dia do jogo, para depois seguir para o Estádio Nacional para disputar a final com o Desp. Aves.

Um dos jogadores que estarão presentes no relvado do Jamor é Bas Dost, que acabou por ser o atleta mais maltratado no ataque dos adeptos na terça-feira em Alcochete. O avançado holandês emitiu ontem um comunicado no qual disse ainda estar "chocado com os atos de violência" contra a equipa do Sporting "feito por elementos criminosos". Apesar disso, disse estar "feliz pela reação dos verdadeiros adeptos do Sporting", a quem agradeceu "pelo fantástico apoio". E acrescentou: "Estou orgulhoso pela forma como a minha equipa lidou com esta situação difícil. Estou muito orgulhoso desta equipa. Vamos atravessar isto juntos."

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