Empresário gere um banco 'offshore' em Cabo Verde

Poucos em Portugal o conhecem. Gestor é próximo do PSD e do clube desportivo da Fundação José Eduardo dos Santos.

É um nome pouco conhecido em Portugal e os empresários que gerem negócios em Angola só muito vagamente reconhecem o seu no-me. Mas José Braz da Silva, o homem que com um projecto para vir a liderar o Sporting, tem muitos e bons contactos em Portugal e, sobretudo, em Angola.

É próximo de altos dirigentes do PSD, como Miguel Relvas, do movimento Compromisso Portugal (Alexandre Lucena e Valle, um dos promotores), de António Maurício, director do Santos Futebol Clube de Angola, da fundação do presidente angolano. Juntamente com Lucena e Valle e duas outras pessoas, gere um banco offshore em Cabo Verde, o Banco Fiduciário Internacional (BFI), registado na Cidade da Praia. Valle, Relvas e Maurício são administradores executivos do grupo Finertec, controlado (mas não gerido) por Braz da Silva. O BFI está na lista de entidades credenciadas pelo banco central de Cabo Verde na qual surge o problemático Banco Insular, o veículo que terá permitido ao Banco Português de Negócios "ocultar prejuízos e lucros, financiar empresas do grupo e esconder operações", como revelou há dias um ex-dirigente do BPN.

Braz da Silva diz ter um projecto para "salvar o Sporting da agonia" mediante a criação de um fundo de investimento assente nos passes dos jogadores no valor de 100 milhões de euros. E não exclui uma candidatura à presidência do clube. Lançou recentemente um projecto ambicioso nas energias renováveis em Portugal, área que terá apoios financeiros abundantes da União Europeia até 2013.

Segundo apurou o DN junto de fontes em Luanda, o empresário controla o grupo Finertec e tem relações estreitas com o poder político e económico de Angola. O grupo "tem como principal actividade a produção de energia", lê-se no site. Opera em Portugal (comprou a Construtora do Tâmega, que estava falida), Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, República do Congo e Moçambique. Há poucos anos, Braz da Silva deu a cara pela compra ao grupo Mello da Finertec e da Engimais. Esta última é uma consultora imobiliária que tem clientes como o Banco Africano de Investimentos, Brisa, Império, CTT, Enatur, Espírito Santo Activos Financeiros, Empresa Nacional de Electricidade (Luanda), Hospital CUF, Lisnave, BCP, Montepio Geral, RAR Imobiliária, RTP e Somague.

O DN apurou que Braz da Silva está em Angola há 20 anos, é amigo do actual governador do Banco de Angola e terá sido um alto dirigente da Fundação Eduardo dos Santos. No país africano tem empresas como a Comfabril, o maior importador de tractores e autocarros do país. Tem ainda negócios na construção e na energia. Diz quem o conhece, em Luanda, que nos anos 90 foi implicado num caso de falsificação de dólares, mas que entretanto saldou os seus atritos com a justiça. O DN tentou contactar Braz da Silva ao longo do dia, sem sucesso.

Por cá, é pouco conhecido. Luís Mira Amaral, presidente do Banco BIC Português, um parceiro do BIC Angola, conta que "o senhor foi-me apresentado fugazmente em Lisboa, sei que tem negócios em Angola, mas não o conheço mesmo, nem sei que negócios são". António Pires de Lima, presidente da Unicer e sportinguista, diz que "nunca ouviu falar dele". "Não quer isto dizer que não dê um bom presidente do Sporting", atira. Jorge Armindo, líder da Amorim Turismo, sabe pelos jornais que o empresário tem um projecto para investir em energias renováveis em Portugal, "mas nunca tinha ouvido o nome". Arnaldo Figueiredo, vice-presidente da Mota--Engil, diz "saber da existência dele há muitos anos, mas nunca nos cruzámos".

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