Do "cartilheiro do Benfica" aos jogadores "manobrados". A comunicação leonina ao país

Além de Bruno de Carvalho, intervieram três outros dirigentes do Sporting. Falou-se desde a "falta de sintonia" entre Conselho Fiscal e Direção até "manobras", "interesses" à afirmação de colaboração com a justiça, que o clube aguarda "serenamente"

Bruno de Carvalho afirmou esta quinta-feira à noite, em Alvalade, que a direção que lidera não se demite "a bem do Sporting". Ao seu lado estiveram Fernando de Carvalho, vogal do Conselho Fiscal, Carlos Vieira, vice-presidente, e Rui Caeiro, vogal do Conselho Diretivo, além de restantes dirigentes que não falaram. Na comunicaç​​​​ão ao país, foram abordados temas judiciais, mas sempre sem mencionar André Geraldes, que saiu hoje em liberdade com uma caução de 60 mil euros.

Fernando de Carvalho começou por dar dois "exemplos" sobre a "falta de sintonia" entre o Conselho Final e Disciplinar do Sporting em relação ao Conselho Diretivo e ao presidente dos leões: falou em João Pedro Paiva dos Santos que, "como todos sabem, foi apanhado a passar documentos internos do Sporting ao senhor Pedro Guerra, conhecido cartilheiro do Benfica", e em José Pedro Rodrigues, que alegadamente caluniou e difamou "contra membros do Conselho Diretivo e seus familiares".

"O Conselho Fiscal e Disciplinar reclama de forma recorrente por maior autonomia. Essa maior autonomia até pode existir, mas o que não se pode tolerar é o trabalho mal feito e a falta de gratidão e lealdade", disse ainda, acrescentando que o "Conselho Fiscal e Disciplinar não tem até à data qualquer processo, indício ou razão para apresentar a sua renúncia ou até sugerir a renúncia do Conselho Diretivo ou de qualquer dos seus membros".

Carlos Vieira, vice-presidente do Sporting, disse que os sócios do clube "têm sido bombardeados" com várias "especulações sobre a eventual vontade de jogadores da equipa de futebol rescindirem contrato". Frisou o dirigente que a direção do Sporting vai "averiguar todas as manobras que estão a ser feitas para noticiar tais ameaças" e o que se move por trás desses "interesses".

Falou ainda, sobre o que aconteceu em Alcochete, em ato de "terrorismo" e, ainda sobre os jogadores, diz que "o paradigma do mercado ficaria posto em causa", caso aconteça a rescisão dos jogadores.

Refere também que os jogadores, "por choque com a situação", possam estar a ser "manobrados e enredados em algo que está a desvirtuar o seu profissionalismo". Nega alguma "rixa" entre Bruno de Carvalho e os jogadores, falando numa reunião que aconteceu na segunda-feira, onde ficou presente um "claro apoio do presidente" e um "claro comprometimento de todos com o clube, SAD e em vencer a final do Jamor".

Temos o treinador mais bem pago do país

Num dos poucos momentos da conferência em que se abordaram as questões judiciais em que o clube se vê agora envolvido, Carlos Vieira disse que o clube foi atacado na sua "dignidade". "Temos o treinador mais bem pago do país, o plantel considerado como o mais valioso e acusam-nos de comprar jogos? A justiça está a trabalhar, nós estamos a colaborar e aguardamos serenamente e de consciência absolutamente tranquila, pelo desfecho deste processo", referiu ainda.

Rui Caeiro falou sobre o andebol, cujos títulos estarão a ser investigados, afirmando que a direção tem "total confiança" nos atletas e técnicos. "Também neste processo estamos de consciência absolutamente tranquila, a colaborar com a justiça e a aguardar serenamente pelo desfecho da investigação", finalizou o dirigente do Sporting.

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