Bruno de Carvalho: "Não nos demitimos a bem do Sporting"

"As manobras dos rivais já as percebemos" e "são os dentro a ajudar os de fora neste ataque" foram algumas das frases ouvidas

Bruno de Carvalho afirmou esta quinta-feira, em Alvalade, que não haverá demissão. "Não nos vamos demitir", afirmou o presidente do Sporting.

Em comunicado, por volta das 23:00, rodeado de outros membros do Conselho Diretivo, o líder dos leões falou ainda sobre um "golpe manobrado desde fora, em conluio com atuais dirigentes dos órgãos sociais do Sporting", que "joga no domingo e vai lançar um empréstimo obrigacionista nos próximos dias".

Da reunião do Conselho Diretivo "saiu a vontade de dar voz aos associados". Ainda sobre esta mesma reunião, Bruno de Carvalho referiu que restantes membros de outros órgãos sociais do clube foram convidados para estar presentes, mas que estes se "recusaram a reunir".

Reforçando que "são os de dentro a ajudar os de fora", naquilo a que chama um "ataque" ao clube, disse ainda que "as manobras dos rivais" já foram percebidas pela atual direção do Sporting. "O que move estes sportinguistas com responsabilidades no clube? Iremos perceber em breve", referiu ainda. Assim, questionou ainda: "como é possível argumentar que esta direção quer ganhar tempo?"

"Não nos demitimos a bem do Sporting, não estamos agarrados ao poder", explicou Bruno de Carvalho, que reforçou a ideia de que a Assembleia Geral é o "local próprio" para decisões de cariz importante e que a sua direção está "sempre disponível para prestar esclarecimentos".

Voltando ao empréstimo obrigacionista e aos "objetivos", quer desta época, quer da próxima, Bruno de Carvalho disse que estes exigem "compromisso, sentido de responsabilidade, coesão e união".

São várias as personalidades a pedir a demissão de Bruno de Carvalho

Os membros da Mesa da Assembleia Geral demitiram-se em bloco e parte dos elementos do Conselho Fiscal também renunciaram, mas tal facto por si não implica a queda do Conselho Diretivo, que hoje recebeu pressões vindas de vários quadrantes para apresentar a demissão. Álvaro Sobrinho, patrão da Holdimo, detentora de 30% das ações da SAD do Sporting, pediu a demissão da direção.

A polémica que envolve o Sporting agravou-se nos últimos dias, depois da derrota da equipa de futebol no domingo, no último jogo da I Liga de futebol, frente ao Marítimo, que fez o clube de Alvalade perder o segundo lugar para o Benfica.

Antes do primeiro treino para a final da Taça de Portugal, que vai disputar com o Desportivo das Aves, a equipa de futebol foi atacada na Academia Sporting, em Alcochete, na terça-feira, por um grupo de cerca de 50 alegados adeptos encapuzados, que agrediram técnicos e jogadores.

A GNR deteve 23 dos atacantes e as reações de condenação do ataque foram generalizadas e abrangeram o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa.

Face às críticas, Bruno de Carvalho negou hoje, em comunicado enviado à Lusa, qualquer responsabilidade pelo ataque na academia, rejeitou demitir-se da presidência do Sporting e anunciou que vai processar Ferro Rodrigues, bem como comentadores e jornalistas por o terem "difamado e caluniado" após os atos de violência em Alcochete.

O médico Eduardo Barroso, antigo presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting e o mais acérrimo defensor de Bruno de Carvalho, revelou entretanto numa entrevista à SIC Notícias esta quinta-feira que o presidente dos leões deve deixar o cargo.

"Neste momento o Sporting precisa de alguém que consiga sarar as feridas. Bruno de Carvalho fez um trabalho notável, a nível da reestruturação financeira e da recuperação do clube. Mas neste momento não tem condições para continuar. Mas acho que deve ser ele a fazer a sua análise e a decidir junto da mulher e dos amigos mais próximos. Se pode sair com dignidade? Acho que pode sair com dignidade", referiu Eduardo Barroso, lembrando que é amigo do líder leonino e da sua família.

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