A dúvida sobre se falta uma ou duas demissões para Bruno cair

Maioria da Mesa da AG considera que uma saída basta, mas Marta Soares defende que são duas, versão do Conselho Diretivo

O Conselho Diretivo (CD) liderado por Bruno de Carvalho mantém-se em funções apesar de ter registado ontem mais uma baixa, a do vogal Bruno Mascarenhas, que após ponderação entregou a carta de renúncia na manhã de ontem. Já na véspera Mascarenhas, que era o representante do Sporting na Liga de Clubes, tinha-se retirado da reunião do órgão que integrava antes do comunicado aos jornalistas em que a direção revelou que não iria demitir-se.

É aqui que pode começar um verdadeiro problema pois há interpretações dúbias sobre os estatutos no que toca ao número de demissões necessárias para o CD perder o quorum, com a curiosa nuance de o presidente da Mesa da Assembleia Geral (MAG), Jaime Marta Soares, estar ao lado de Bruno de Carvalho e do restante CD.

Para Marta Soares não há dúvidas. "Tem que haver duas demissões para o CD perder o quorum, o que conta são os membros efetivos", referiu o líder da MAG ao DN, garantindo que quem tem outras interpretações "está errado".

No entanto, o DN sabe que a esmagadora maioria dos membros da MAG e do Conselho Fiscal e Disciplinar (CFD) faz outra leitura e que passa pela interpretação literal dos estatutos - os antigos, pois os recentemente aprovados ainda não estão em vigor - e que passa pela perda de quorum com apenas mais uma demissão, pois consideram como eleitos os 11 efetivos mais os dois suplentes. Entretanto, Vicente Moura saiu em abril e foi substituído pelo suplente Jorge Sanches. Demitiram-se também (ver quadro) devido a esta crise o vice-presidente António Rebelo, os vogais efetivos Bruno Mascarenhas, Luís Loureiro, Jorge Sanches e a vogal suplente Rita Matos.

Em resumo, desde as eleições o CD perdeu seis elementos em 13. Para perder a maioria falta a queda de mais um membro. A não ser que a versão de Jaime Marta Soares e do CD vingue, mas elementos da MAG e do CFD estão muito apreensivos quanto à possibilidade de haver uma só demissão - isso poderia desencadear uma resistência do CD alicerçada ironicamente nas declarações de... Jaime Marta Soares.

Entretanto, há sócios a movimentarem-se e já há uma sociedade de advogados de Lisboa a estudar uma nota de culpa bem fundamentada ainda que existam caminhos alternativos para tentar afastar Bruno de Carvalho. Um deles que colhe alguma aceitação junto de vários elementos da MAG e do CFD passaria por uma Assembleia Geral Extraordinária com apenas dois pontos; avaliação da justa causa e destituição com justa causa.

Neste ponto importa dizer que a MAG optou por apresentar a demissão em bloco pois assim pode trabalhar até ter sucessores ao passo que se as renúncias tivessem sido individuais, quem as apresentou tinha que sair imediatamente.

Nas últimas horas (e também nas próximas) a pressão para Bruno de Carvalho se demitir tem sido intensa mas já se percebeu que não está a colher frutos. Ontem surgiram indicações de que Luís Roque estaria a ponderar a saída mas a verdade é que não se efetivou.

Há um enorme receio junto dos dirigentes demissionários da MAG e do CFD quanto ao que pode acontecer amanhã no Jamor com a presença anunciada de Bruno de Carvalho e, pior do que isso, com a Assembleia Geral Extraordinária que visará a sua destituição, pois pode dar-se uma vaga maciça de desmobilização por receio em relação às condições de segurança.

Neste momento espera-se que algo possa acontecer de forma a que Bruno de Carvalho saia de cena e que o clube possa retomar a sua vida normal com a marcação de eleições e surgimento de listas concorrentes. Até porque se na segunda-feira Bruno de Carvalho ainda estiver em funções Jorge Jesus quererá um acordo para rescindir e decerto que vários futebolistas entrarão com pedidos de rescisão alegando justa causa.

Ainda assim, se amanhã de manhã tudo se mantiver como está há um triunfo importante para ser jogado por quem considera que Bruno de Carvalho e o seu elenco devem cessar funções. Falamos da assembleia obrigacionista na qual os bancos dirão de sua justiça em relação ao adiamento do reembolso do empréstimo obrigadionista que estava aprazado para este mês bem como a emissão de um novo empréstimo obrigacionista de 15 milhões de euros. E a assembleia de amanhã realiza-se horas antes da final da Taça de Portugal.

Governo não ajuda

O Governo liderado por António Costa, através de Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado das Finanças, não vislumbra qualquer tipo de ajuda pública ao Sporting, afirmando que não cabe ao Estado ajudar financeiramente "um clube de futebol", referiu o governante ao Dinheiro Vivo.

Ontem foi o dia em que dois patrocinadores - a empresa de exportação Grupovarius e a Inforphone, parceira tecnológica do clube - anunciaram a quebra de ligação ao Sporting que, através de comunicado, reagiu à decisão destas duas empresas reiterando que este "é apenas um exemplo da teia que está a ser urdida há muito tempo, com o objectivo claro de denegrir o Sporting Clube de Portugal e de derrubar a atual Direção".

A SAD, entretanto, apresentou ontem as contas dos primeiros nove meses de 2017/2018 com um lucro de 1,1 milhões de euros e a redução do passivo de 43 milhões de euros.

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