Imagens do VAR para os adeptos, árbitros a falar e bicadas ao Benfica

Bruno de Carvalho questionou diretamente o CEO do International Board sobre o videoárbitro e lançou alguma confusão com Fernando Gomes, presidente da FPF, ao lado

O 4.º Congresso The Future of Football, organizado pelo Sporting, começou ontem com Bruno de Carvalho ao ataque (no dia em que completou cinco anos de mandato), lançando para a discussão novas ideias sobre o videoárbitro (VAR). Com Fernando Gomes (líder da FPF) e elementos do International Board na plateia do Pavilhão João Rocha, o presidente leonino defendeu a divulgação das imagens do videoárbitro para os adeptos em tempo real no estádio e ainda que os homens do apito possam falar.

Durante o primeiro painel do congresso, onde esteve presente, entre outros, Greg Barkley, diretor da MLS, Bruno de Carvalho deu como exemplo a divulgação de imagens do VAR no estádio, à semelhança do que acontece na Liga norte-americana de futebol. E questionou Lukas Brud, CEO do International Board, se isso pode ser feito em Portugal.

"Não há qualquer regra que o proíba, deixamos isso à consideração das federações locais. É mais uma filosofia, cultura. No ano passado dissemos que podiam fazer como quisessem, apesar de também os termos alertado para alguns perigos", salientou Burk. Aproveitando a deixa, Bruno de Carvalho insistiu no tema: "Preciso que isto seja muito claro, você diz--me que se a FPF quiser pode mostrar imagens, é isso? Ele [Fernando Gomes] diz que não. Os adeptos estão fartos deste secretismo, disse isso há três anos na FIFA. Vocês dizem que sim, o Fernando Gomes diz que não. Estão a dizer verdades opostas e isso é o problema em geral. O Fernando [presidente da FPF] diz que não, o José [presidente do CA da FPF] diz que não, vocês dizem que sim", atirou o presidente dos leões, deixando depois um desafio a José Fontelas Gomes, também ele presente no painel.

"Vai solicitar ao seu presidente da FPF para que os árbitros possam falar, para que as imagens possam ser passadas? Podemos ficar descansados de que o responsável dos árbitros vai trazer humanização e credibilidade junto dos fãs?", questionou Bruno de Carvalho.

Na resposta, José Fontelas Gomes prometeu analisar a proposta. "Primeiro que tudo, acho que há aqui questões de organização. Por exemplo, nem todos os estádios têm monitores para passar imagens. Vou falar com o Conselho de Arbitragem para analisar essas propostas e depois vamos ver se as vamos apresentar", respondeu o presidente do CA da FPF.

Jorge Jesus, treinador do Sporting, também abordou o tema lançado pelo presidente, lembrando, contudo, que a MLS e os campeonatos europeus "são realidades diferentes". "Os adeptos na MLS não são como em Portugal e Espanha. Aqui são muito mais fanáticos. Mas penso que a ideia do presidente é boa, até porque hoje em dia eles podem ver isso tudo num telemóvel, pelo que passar as imagens nos estádios é a mesma coisa", referiu.

Indiretas ao rival Benfica

Ainda sobre as transmissões televisivas dos jogos e do VAR, Bruno de Carvalho deixou uma indireta ao Benfica, questionando o International Board sobre a produção e realização dos jogos por parte de canais televisivos, como é o caso da BTV. "Foi aqui dito que quem faz a apresentação das imagens tem de ser neutral. O que é que o International Board vai fazer com clubes que transmitem jogos produzidos pela TV dos clubes? Não me refiro à questão de transmissão, mas sim da realização e produção. São essas as imagens que passam na sala do VAR. São estas questões menos tecnológicas, mais de conceito e futuro, que é importante perceber se são um passo significativo para que o VAR constitua um elemento de confiança e que traga a acalmia na violência da comunicação utilizada nos clubes. As informações não são passadas, por vezes, de forma transparente", disse, mas desta vez não teve resposta de Lukas Brud, CEO do International Board.

No discurso de abertura do congresso, o presidente do Sporting aproveitou ainda a oportunidade para deixar recados ao governo, nomeadamente em questões de segurança no futebol, também aqui com uma bicada ao rival Benfica. "A intervenção dos governos é necessária para o fim da violência. Infelizmente, em Portugal ainda nos deparamos com estas questões, de violência e corrupção. Um adepto do Sporting foi morto à porta de um estádio e foi deixado lá. Foi a segunda vez que isto aconteceu. O clube do qual o adepto era apoiante está indiciado por corrupção. Queremos tratar esta indústria o mais depressa possível, queremos que tudo se decida no campo com a habilidade das equipas", concluiu.

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