Fábio Coentrão. O filho pródigo regressa à casa de partida

Lateral esquerdo vai voltar amanhã a Vila do Conde, de onde é natural e onde se revelou no futebol português. Estreia a titular na I Liga foi num... Rio Ave-Sporting, em 2006

Vinte e nove anos depois de ter lá nascido, dez após de lá ter saído pela primeira vez e passados seis anos desde a última vez que lá jogou, Fábio Coentrão vai regressar amanhã a Vila do Conde, para defrontar o clube que o formou: o Rio Ave. Curiosamente, foi também num duelo entre vilacondenses e leões, a 30 de abril de 2006, que o atual lateral esquerdo do Sporting, então extremo, foi pela primeira vez titular na I Liga.

Os nortenhos perderam por 1-3 e acabaram despromovidos à II Liga, mas aquela tarde de primavera não deixou de constituir um marco no trajeto daquele jovem jogador, até pela simpatia pelos verde e brancos de Lisboa. A decisão coube a João Eusébio, que já conhecia o caxineiro desde os 14 anos e não teve problemas em apostar num júnior de primeiro ano frente a um adversário poderoso. "Ele já tinha jogado três minutos frente ao Sp. Braga, mas a estreia dele a titular na I Liga foi comigo, frente ao Sporting. Eu sabia que o Fábio tinha simpatia pelo Sporting e tentei aproveitar isso devido ao aspeto motivacional", contou ao DN o treinador de 55 anos.

"Ele era um irresponsável criativo. Via-se que era um talento, pela precocidade com que apareceu e pela forma como já jogava na I Liga com 18 anos. Foi sempre um miúdo com uma personalidade forte, que era ele próprio e não se moldava, e por isso cometia erros. Mas sempre foi humilde e bondoso, com bom coração", acrescentou o técnico, também ele natural de Vila do Conde, atualmente sem clube.

Nessa fase, o que João Eusébio mais apreciava no futebol de Fábio Coentrão era a "intuitividade". "Ele era intuitivo para o jogo. Parecia que a bola ia ter com ele, mas não era assim. É algo com o qual já se nasce, não é como o passe ou a receção, que se trabalham", recorda o mister, que prevê uma boa receção nos Arcos para o antigo pupilo. "Estamos a falar de uma cultura própria. As pessoas são humildes, gratas e acho que vai ser bem recebido. Ele deu muito ao Rio Ave", vincou.

Quem também acredita numa receção calorosa é o antigo companheiro do internacional português no Rio Ave, Benfica e seleção nacional sub-21, Fábio Faria. "Os adeptos vão recebê-lo bem. Os filhos da terra são sempre bem recebidos. É um menino de Vila do Conde, e de certa forma representou a formação do Rio Ave no Real Madrid. Os adeptos gostam muito dele. Este regresso vai mexer com ele", acredita o ex-defesa, 28 anos, que viu a carreira terminar precocemente devido a um problema cardíaco.

Embora fosse um ano mais jovem, o futebolista retirado partilhou pela primeira vez o balneário com o lateral sportinguista ainda nos juniores do Rio Ave, e recorda "um miúdo traquina, sem medo de nada, que fazia o que lhe apetecia". "Em campo, isso notava-se", disse ao DN, confessando ter ficado surpreendido quando Jorge Jesus o adaptou ao lado esquerdo da defesa: "No Rio Ave, ele fazia muitos golos, era extremo esquerdo ou ponta-de-lança, e claramente quem mais se destacava. A adaptação dele a lateral surpreendeu toda a gente."

Saúdam reunião com JJ

Depois de ter despontado no Rio Ave e ter-se projetado a nível internacional pelo Benfica - o que valeu uma transferência milionária para o Real Madrid -, a carreira de Fábio Coentrão foi perdendo algum gás a partir da terceira época no Bernabéu, em 2013-14. Após a saída de José Mourinho, o espaço do lateral foi-se reduzindo, sobretudo devido às lesões. Agora, aos 29 anos, voltou a Portugal para relançar-se junto de um treinador com quem já foi muito feliz (Jorge Jesus).

Um passo saudado por quem privou com ele no início do trajeto profissional. "O Fábio teve uma lesão muito grave e esteve praticamente um ano sem competir. Quando uma lesão não te deixa mostrar valor, isso afeta. Ao início, não fiquei muito feliz por ele ter ido para o Sporting, mas hoje percebo. Voltou a trabalhar com um treinador que o conhece bem. E ele precisava de um treinador que acreditasse nele", salientou Fábio Faria. "Ele é um jogador com talento, mas há sempre momentos altos e baixos. Pela maturidade que foi adquirindo, percebeu que necessitava de ter mais jogo e ritmo, para se preparar para outras etapas. E está com um treinador que o conhece. Pelo que vejo, deve haver alguma planificação no aspeto físico. Sempre que joga, tem tido uma boa prestação e vê-se que de jogo para jogo tem mais disponibilidade física, porque as competências técnico-táticas estão intocáveis", considerou João Eusébio.

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