Eleições reacendem ódio antigo

Os caminhos do presidente do ACP e do advogado voltam a cruzar-se. A zanga que alimentam há vários anos já se fez sentir na confusão da identidade.

Estiveram unidos mais de duas décadas por uma relação profissional que rapidamente se estendeu para o campo pessoal. Mas da mesma forma intensa com que comungaram os negócios também a inimizade foi cultivada quando o destino profissional os separou. Um é um conceituado advogado, que exerce também funções como administrador no grupo Cofina. O outro um empresário da comunicação social, fundador do Correio da Manhã, Semanário, Independente, entre outros títulos, e o presidente do Automóvel Clube de Portugal. Em comum, a paixão pelo Sporting e o nome Carlos Barbosa, sendo que na cédula do advogado o Cruz anula o Barbosa.

E é por estas duas particularidades, o clube e a identidade, que hoje os seus caminhos se voltam a cruzar, acentuando um "ódio" publicamente conhecido nos círculos pessoais de cada um, onde até coabitam amigos em comum. Carlos Barbosa da Cruz, o advogado de 57 anos, e Carlos Barbosa, o empresário de 56 anos, estão a estudar a possibilidade de se candidatarem ao Sporting.

O primeiro, que é vogal do actual Conselho Directivo, deverá anunciar a decisão hoje (após um jantar com Soares Franco, Rogério Alves, entre outros para definir lista e estratégia) . O segundo promete falar sexta-feira. Se, como tudo indica, avançarem com a candidatura, irão travar o segundo duelo. Em 2004, já numa altura de relacionamento gélido Carlos Barbosa levou a melhor, quando venceu as eleições à presidência do ACP. Obteve 40,4% dos votos derrotando as listas de Miguel Paes do Amaral (31,46) e de Mira Amaral (27,6) onde constava Carlos Cruz, como número dois. "Não se cumprimentaram, nem uma palavra", contou ao DN um amigo comum, recordando esse período

A "zanga", relata quem com eles privou na altura em que Cruz era advogado do Barbosa (foram 25 anos) deu-se quando o empresário saiu da Cofina para a administração da PT. Carlos Cruz não acompanhou e solidificou a sua posição no grupo de comunicação social. Não mais se falaram e no seu círculo de amigos dizem, à boca cheia, o pior um do outro.

"Não falo sobre esse assunto", disse ao DN Carlos Barbosa, que se sentiu incomodado com os telefonemas recebidos no ACP depois de o nome de Carlos Cruz ter surgido como o possível candidato da continuidade. A confusão de identidade foi tal que o ACP avançou com um esclarecimento pago em alguns jornais. E segundo afirmou Barbosa, "Record e Correio da Manhã" recusaram a publicação.

"O nosso call center não parou. Foi uma confusão. Muita gente ligou para perceber se era do Carlos Barbosa que se falava, se ele ia embora do ACP, muitos a incentivá-lo a candidatar-se. Possivelmente foram estes telefonemas que reacenderam o desejo de ser presidente do Sporting", refere Fernando Petronilho, do departamento de comunicação daquela entidade, explicando a origem do anúncio.

Carlos Cruz, que é sócio do ACP, garante que o seu apelido profissional é mesmo este, apesar do Barbosa também figurar no BI, e deixa um comentário corrosivo: "Os sócios do ACP deviam preocupar-se mais com a forma como o dinheiro deles é gasto."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG