Desconhecido Braz da Silva tem em Rogério Alves possível aliado

Ideia do fundo de investimento privado para ajudar Sporting tem sido discutida nas últimas duas semanas.

O projecto do empresário José Braz da Silva de criar um fundo de investimento privado para investir um total de 100 milhões de euros no Sporting já era do conhecimento de um grupo restrito de pessoas ligadas ao clube há cerca de duas semanas. E desde esse momento que têm existido contactos entre individualidades como o advogado Rogério Alves, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Sociedade Anónima Desportiva (SAD), apontado como um dos candidatos às eleições de 26 de Março, e o presidente do banco BESI, José Maria Ricciardi, um dos mais conhecidos adeptos sportinguistas e impulsionador da ideia.

Estas conversas podem mesmo terminar com a "união" entre uma eventual candidatura de Rogério Alves às eleições do clube e o financiamento proposto por José Braz da Silva, apoiado por empresários angolanos e brasileiros, tal como o DN noticiou ontem.

Por agora, ninguém comenta a iniciativa de Braz - que ontem em Lisboa confirmou que pensa candidatar-se à presidência do clube -, mas a verdade é que este gestor com uma carreira de 20 anos de ligação a Angola tem mantido conversas com figuras do universo leonino. Por exemplo, na semana passada esteve em São Paulo (Brasil), onde se encontrou com Ricciardi e o fundo de investimento foi um dos temas de conversa. E também já falou com Rogério Alves, apesar de o dirigente da SAD leonina não o confirmar. "Não dou notícia pública das diligências que possa ou não fazer durante o período pré-eleitoral", frisou ao DN. Reconheceu, todavia, que podem existir "contactos com vista a criar soluções e alternativas" para as eleições do Sporting, de 26 de Março, a data adiantada depois da reunião dos corpos sociais do clube.

Certo é que um dos maiores apoiantes de Rogério Alves como eventual candidato à presidência leonina, Agostinho Abade (presidente do Conselho Fiscal), é também um dos elementos-chave no projecto preparado por José Braz. E já reconheceu, ao DN, que o empresário "pode ser um grande presidente".

Caso não se confirme a "união" entre os dois potenciais candidatos é praticamente assente que Rogério Alves fará parte de uma lista à presidência.

Os contornos da operação financeira que José Braz da Silva defende vão ser conhecidos nos próximos dias. De acordo com as fontes consultadas pelo DN, o empresário vai reunir-se com elementos ligados ao clube - recentemente falou também com o presidente demissionário José Eduardo Bettencourt, mas ainda antes de apresentar o fundo de investimentos. Este fundo privado terá duas fases. Envolverá, na primeira, uma verba de 50 milhões de euros, com cada investidor a pagar cerca de um milhão, pelo menos. Seguir-se-á uma segunda emissão a valores mais baixos. José Braz já explicou, ao DN, que os contornos deste negócio serão conhecidos durante a semana que agora se inicia. O objectivo passa por obter liquidez para investir em passes de jogadores que depois possam ser "utilizados " pelo Sporting, que os poderia valorizar.

Ou seja, pode estar aqui a chave para a capitalização da SAD do Sporting para o futebol, que assim receberia nos cofres dinheiro para planear a próxima época, pois a janela de mercado de Inverno fecha já amanhã. E, enquanto decorrem estas negociações de bastidores, poucos são os adeptos leoninos mediáticos que querem assumir uma posição sobre o assunto.

"Acho que não deveriam surgir candidaturas até 14 de Fevereiro, quando se processa a demissão dos órgãos sociais. Depois, há 40 dias para surgirem candidaturas", defendeu Rui Oliveira e Costa, membro do Conselho Leonino.

Já Sérgio Abrantes Mendes, ex-dirigente do clube e candidato às eleições em 2006, disse não conhecer Braz da Silva, pelo que está a "acompanhar com expectativa" o assunto. Defendeu o surgimento de um "consenso alargado e não hipócrita em redor do clube. "Para já olho para a ideia e os números apresentados com cautela", vincou. E lembrou que quando se candidatou já defendia a aposta em Angola.

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