Bruno de Carvalho deu mais reforços a Jesus do que Vieira

O treinador leonino contratou 25 jogadores desde que chegou a Alvalade, mais sete do que no mesmo período no Benfica. Contudo, na Luz gastou mais 17 milhões de euros

Fechou o mercado de transferências de verão e em Alvalade assistiu-se a uma verdadeira revolução no plantel, pois só neste período chegaram 12 novos jogadores para a equipa principal, quase tantos quantos foram contratados nos dois períodos de transferências da época passada. Ou seja, em pouco mais de um ano como treinador do Sporting, Jorge Jesus já recebeu 25 novos futebolistas.

Comparando com o período homólogo de Jesus no Benfica é possível chegar a uma conclusão interessante: o treinador recebeu mais reforços em Alvalade do que nas suas duas primeiras temporadas na Luz (2009-10 e 2010-11, onde não é incluído o mercado de janeiro), quando viu chegar 18 futebolistas. Ou seja, menos sete jogadores do que no mesmo período em Alvalade.

É caso para dizer que Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, deu mais matéria-prima a Jesus do que Luís Filipe Vieira, líder dos encarnados. Contudo, salvaguardando as devidas diferenças relativas ao momento económico no espaço de seis anos, nesse período o Benfica gastou mais 19,97 milhões de euros do que o Sporting neste ano e meio.

Ainda assim, o avançado Bas Dost, ex-Wolfsburgo, é o jogador mais caro que Jesus tem ao seu serviço nos dois períodos semelhantes da sua carreira nos rivais. O holandês obrigou a um investimento de 10 milhões de euros, aos quais podem acrescer mais dois milhões se forem atingidos determinados objetivos. Ou seja, Bas Dost supera o investimento no guarda-redes espanhol Roberto (8,5 milhões de euros), que se revelou um flop na Luz, ou no argentino Gaitán (8,4 milhões).

Revolução em marcha

Quem olha para o atual plantel do Sporting e o compara com o que que conquistou a Taça de Portugal em 2014-15, sob o comando de Marco Silva, verifica que apenas se mantêm seis jogadores - Rui Patrício, Jefferson, Paulo Oliveira, William Carvalho, Adrien Silva e Gelson Martins. É verdade que Rúben Semedo, Ricardo Esgaio e Matheus Pereira já estavam nos quadros leoninos, mas não fizeram parte dos planos de Marco Silva para essa temporada. É, pois, uma autêntica revolução operada por Jorge Jesus, que no início da segunda época no Benfica mantinha ainda onze jogadores herdados do seu antecessor, o espanhol Quique Flores - Moreira, Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, David Luiz, Rúben Amorim, Pablo Aimar, Carlos Martins, Mantorras, Oscar Cardozo e Nuno Gomes. Além destes, ainda reintegrou Fábio Coentrão, Luís Filipe e Roderick, que na altura já tinham contrato com os encarnados.

Curioso é que esta revolução de Jorge Jesus em Alvalade começou pela defesa, quando em janeiro foram contratados Schelotto, Coates e Zeegelaar, que se juntaram a João Pereira e Naldo, contratados no verão do ano passado. Agora, chegou Douglas, um desejo antigo do técnico e que não foi possível satisfazer no início da época anterior.

No início desta temporada foi o ataque a ser reformulado com Bas Dost, André Souza, Alan Ruiz, Joel Campbell, Luc Castaignos, Spalvis e Lazar Markovic. O meio-campo sofreu ligeiros retoques, sobretudo com a chegada de Bruno Paulista há um ano, Bruno César em janeiro e agora de Petrovic, Marcelo Meli e Elias.

Vários casos de insucesso

Mas nem todas as contratações foram um sucesso para Jorge Jesus, pois alguns dos jogadores que chegaram na época passada já receberam guia de marcha. São os casos do francês Ciani, que só esteve um mês no clube, do brasileiro Naldo, do italiano Aquilani e do argentino Hernán Barcos, que nunca se conseguiram impor na equipa leonina. Caso diferente é o do colombiano Teo Gutiérrez, que apesar de ter marcado 15 golos de leão ao peito, não conseguiu enquadrar-se no clube e depressa quis deixar Portugal para voltar ao futebol argentino.

Em setembro de 2010, o plantel do Benfica também viu saírem quatro jogadores que não vingaram na primeira época de Jesus. Foram os casos dos brasileiros Patric, Keirrison e Éder Luís e ainda do argentino José Shaffer.

Em relação a jogadores da formação, Jorge Jesus lançou Matheus Pereira, médio brasileiro que estava na equipa B do Sporting, tendo ainda integrado no plantel Rúben Semedo e Ricardo Esgaio, que estavam emprestados a Vitória de Setúbal e Académica, respetivamente.

Ainda assim, quando chegou ao Benfica chamou o júnior Roderick Miranda ao plantel principal, sendo o único atleta oriundo da formação que foi lançado por Jesus nas duas primeiras temporadas em que o técnico orientou o plantel benfiquista.