Sousa. O infante português fez tremer Nadal, o rei da terra batida

Tenista natural de Guimarães obrigou Nadal a jogar um terceiro set antes de ceder o encontro. Foi a segunda vez que ganhou um set a um ex-número 1. Para a semana joga em Roma

Obrigar o rei da terra batida, leia-se Rafa Nadal, a jogar um terceiro set já foi uma vitória para João Sousa. Ontem, no Masters 1000 de Madrid, o português entregou o primeiro parcial em branco ao número 5 do ranking, venceu o segundo e cedeu o terceiro (0-6, 6-4 e 3-6), sob o olhar atento do amigo Cristiano Ronaldo.

"Ganhar 6-0 a um jogador como o João nos quartos-de-final de um Masters 1000 simplesmente não acontece. E depois começou a chover, as bolas ficaram mais pesadas e deixei de conseguir fazer-lhe tanta mossa. Tive de sofrer, lutar e procurar uma solução que felizmente encontrei", admitiu o espanhol, que já vai em 13 vitórias seguidas e enfrentará o carrasco da final de 2015, Murray, nas meias-finais.

Já Sousa admitiu que teve momentos em que dominou o amigo e parceiro de treino: "No segundo set respondi bem e consegui fazer o break. E no terceiro senti que estava a ser superior a ele (Nadal), mas não consegui responder bem, mas foi também mérito do Rafa."

Depois de fazer história em Madrid - chegou aos quartos de um Masters 1000, depois de Frederico Gil ter feito o mesmo em 2011-, o português segue hoje para Roma, onde jogará mais um Masters. E já como top 30 - a melhor classificação de sempre de um tenista português - terá como adversário o convidado italiano Lorenzo Sonego, 333.º ATP: "Não o conheço. Se está no quadro principal de um Masters 1000 é porque é um bom jogador, senão não lhe tinham dado o wildcard. Não estou à espera de um encontro fácil."

Se ganhar terá pela frente o vencedor do duelo entre Dominic Thiem e Dolgopolov, podendo, no terceiro jogo, encontrar Roger Federer, que evitou em Madrid, depois de o suíço desistir devido a uma lesão nas costas.

'Set' ganho ao rei da terra batida

Frente a Nadal, rei da terra batida - é o tenista em atividade com mais títulos (49), recorde que partilha com o argentino Guillermo Villas, tendo perdido apenas 32 encontros em 392 disputados -, Sousa errou demasiado e ficou sem argumentos para o espanhol, que conquistou o primeiro set em branco pela primeira vez em dois anos.

Sem nada a perder, Sousa cresceu física e mentalmente no segundo parcial, fazendo que o detentor de 14 Grand Slam e de 28 Masters 1000 cometesse erros (30 no total contra 22). A concentração do português era tal que nem a interrupção do encontro, para fechar o teto do court, o atrapalhou, acabando por conquistar um parcial (6-4). Foi apenas a segunda vez que o vimaranense venceu um set a um ex-número um mundial (depois de Federer no torneio de Halle, em 2014).

No final do segundo set, Sousa sonhava com uma vitória histórica e Nadal ia dando sinal de alguma irritação, festejando de punho no ar cada ponto. Depois, o número um nacional cedeu o terceiro parcial (6-3), mas saiu de Madrid com um resultado mais positivo do que o anterior (6-1 e 6-0, no Rio, em 2014).

O português continua assim com apenas uma vitória nos duelos com os top 5 mundiais desde que começou a jogar entre os melhores (ver tabela). Foi em 2013, na Malásia, frente a Ferrer, quando conquistou o primeiro de dois títulos ATP.

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