Sergio Ramos. O defesa que faz a diferença na área contrária

Central marcou 22 golos nos últimos três anos, 19 deles decisivos. "Sabe como surpreender os defesas", diz o ex-benfiquista Ricardo Gomes

Cristiano Ronaldo é o homem golo do Real Madrid, mas é dos golos de Sergio Ramos que mais se fala ultimamente. O central nunca marcou tanto numa só temporada (10) e a sua pontaria tem estado bastante afinada desde 2014, concretamente após marcar o golo do empate (aos 93") do Real Madrid na final da Liga dos Campeões diante do rival Atlético de Madrid, que o clube de CR7 acabaria por vencer por 4-1 no prolongamento.

Mais importante que a pontaria afinada é mesmo o facto que desde esse triunfo no Estádio da Luz, em 2014, Sergio Ramos tem sido fundamental para importantes triunfos do Real Madrid. Aliás, marcou 22 golos nos últimos três anos, 19 dos quais com influência direta, ou seja, a colocarem os merengues em situação de vitória ou pelo menos de empate.

Na corrente época, por exemplo, seis dos seus dez golos permitiram a vitória na Supertaça, diante do Sevilha (fez o 3-2 final), os empates com o Villarreal ou em Barcelona (ambos por 1-1) e mesmo a reviravolta no marcador em Nápoles, para a Liga dos Campeões, com o central a fazer o 1-1 e o 2-1 na vitória sobre os italianos. Nesta última jornada, mais uma vez, revelou a sua veia decisiva ao apontar o golo do triunfo caseiro sobre o Bétis, por 2-1, já depois de Cristiano Ronaldo ter empatado.

Ricardo Gomes explica sucesso

Como explicar o sucesso goleador de Sergio Ramos? O DN falou com o antigo central brasileiro Ricardo Gomes, ele que também gostava de fazer o gosto ao pé (marcou 27 em quatro épocas no Benfica), e o agora treinador diz que a explicação está obrigatoriamente no "trabalho de casa" feito pelo defesa de 30 anos.

"Tem de se dar muito mérito ao Sergio Ramos. Não se marcam tantos golos só por acaso, mas sim com muito trabalho. Ele marca sobretudo em lances de bola parada e isso demonstra que trabalha muito bem os adversários. Sabe onde deve estar. Por exemplo, trabalha diariamente com os companheiros e sabe quem cruza e como cruza. Mas mais importante do que isso sabe em que posição pode surpreender este ou aquele defesa. Ele não se lembra de ir para a área saltar por saltar, é tudo feito ao pormenor, tenho a certeza", disse o antigo internacional brasileiro, tentando explicar a razão pela qual a grande maioria dos golos de Sergio Ramos são determinantes. "Não sente a pressão, vai de cabeça fria para a decisão, concentrado", disse, comparando depois com o seu tempo.

"São tempos muito diferentes. Hoje em dia os futebolistas têm todos os meios para poderem estudar ao pormenor os adversários. Nós conhecíamo-los dos jogos e sabíamos mais ou menos o que esperar, apenas. Com isto não estou a dizer que é mais fácil, pois se o Sergio Ramos sabe os pontos menos fortes dos adversários, também estes sabem melhor como ele pode surgir no ataque. Por tudo isto também tem de se dar mérito, pois mesmo assim consegue surpreender", salientou.

"Pichichi" em oito equipas

Sete dos dez golos apontados esta temporada foram na Liga espanhola, o que faz que Sergio Ramos tenha mais ou igual número de golos que os melhores marcadores de oito equipas do principal escalão do país vizinho: Villarreal (Sansone é o melhor, com sete golos), Las Palmas (Boateng, 7 ), Málaga (Sandro, 7), Osasuna (Sergio León, 7), Alavés (Deyverson, 5 ), Valencia (Santi Mina, 5), Granada (Kravets e Carcela com 5) e Leganés (Szymanowski, 4).

No resto da Europa, nas melhores ligas, Sergio Ramos não tem rival. McAuley (West Bromwich) é o defesa que mais se aproxima, com seis golos, seguindo-se Piszczek (Dortmund) e Caldara (Atalanta), com cinco, e finalmente Ivan Marcano, do FC Porto, e Raúl Silva (Marítimo) com quatro.

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