Sem deslumbrar, Portugal vence na Moldávia

A seleção nacional continuou este sábado o seu imaculado percurso no European Trophy 2017/18 que continua a liderar, ao vencer na deslocação à Moldávia, por 29-10, sem direito a ponto de bónus ofensivo apesar dos quatro ensaios alcançados, já que os Lobos consentiram dois

As 21 posições de diferença no ranking mundial entre as duas seleções - Portugal é 24.º e a Moldávia, tão-somente 45.ª - acabaram por ficar bem demonstradas nos 19 pontos que distanciaram os quinzes esta manhã no complexo desportivo de Anenii Noi, cidade situada a pouco mais de 30 km da capital moldava, Quichinau.

Mas a exibição dos Lobos deixou muito a desejar e o que mais se aproveitou do encontro foi mesmo o resultado, com o agravante da seleção não ter conseguido somar o esperado ponto de bónus ofensivo. Isto perante uma equipa que, no ano passado no Jamor, foi cilindrada por 59-0, resultado que passou a constituir a maior vitória da seleção em território nacional da história do nosso râguebi...

Num péssimo relvado em jeito de ervado enlameado e com várias áreas muito empapadas e com neve, esta muito jovem equipa nacional, que continua sem utilizar qualquer jogador que alinhe em clubes franceses, e na qual apenas três atletas têm mais do que 25 anos, não entrou, como se esperaria e exigiria do líder invicto da prova, determinada e a mandar no jogo mas, pelo contrário, iniciou a partida de forma expectante e a ver como paravam as modas.

Dessa falta de ambição portuguesa se aproveitou o pesado (mas lento, pouco imaginativo e com claras deficiências técnicas) quinze moldavo, que em exclusivo através do trabalho dos seus avançados ocupou o meio-campo contrário mas sem importunar muito a defesa nacional. E só aos 9" os Lobos tiveram finalmente posse de bola, através de uma perfuração excelente de Tomás Appleton que só não resultou por falta de apoio.

Aos 19" a equipa da casa inauguraria mesmo o marcador num ensaio que concluiu intenso período de domínio em cima da nossa linha de ensaio numa sucessão de rucks perante a incapacidade portuguesa de roubar a oval e travar os tanques moldavos (0-5).

Aí soou finalmente o alarme entre os Lobos hoje liderados de novo por João Lino e em curtos dois minutos a equipa nacional despertou e a reviravolta aconteceu. Primeiro numa penalidade de Nuno Sousa Guedes a punir placagem alta e depois num estupendo contra-ataque todo urdido no corredor de cinco metros, iniciado precisamente pelo n.º 15 português à saída da nossa área de 22, combinando com o ponta Caetano Castelo-Branco que lhe devolveu a bola num fantástico ensaio de "praça a praça" espetado por Sousa Guedes no destroçado coração moldavo que começava aí a compreender o que lhe iria acontecer (10-5).

Sempre com algumas dificuldades nas mêlées, continuando sem acelerar o jogo nem pegar nele a sério, incapaz de acantonar a equipa da casa na sua área - foi incrivelmente residual o tempo passado nos 22 moldavos - e somando passes mal medidos mesmo sem pressão adversária, Portugal (onde a falta do médio de abertura luso-sul africano José Rodrigues foi por demais sentida...) chegava ao intervalo na frente nuns 40 minutos em que quase só o elétrico e acelerado Nuno Sousa Guedes mostrava vontade de criar embaraços às montanhas adversárias.

A 2.ª parte manteve a mesma tendência do 1.º tempo, mas com a Moldávia a sentir crescentes problemas físicos e a abrir mais brechas, a tarefa dos Lobos ficava facilitada. E dois bons lances (conduzidos em velocidade um pouquinho mais elevada...) aos minutos 54 e 62 concluídos facilmente pelo ponta Manuel Cardoso Pinto (já leva quatro ensaios marcados noutras tantas internacionalizações) acabariam por cavar uma distância no marcador finalmente mais folgada para as nossas cores e a materializar a real diferença existente entre as duas seleções (22-5).

Mas esta chata Moldávia voltaria a reagir e aos 67" numa "touche" a cinco metros conquistada pela frente do alinhamento e bem perfurada (ou mal defendida...) marcaria um segundo ensaio, reduzindo para 22-10.

Com ambas as equipas a fazerem então todas as possíveis substituições, Portugal ficou melhor, agora já sem dificuldades para controlar o encontro e empurrou definitivamente a equipa da casa para o seu meio-campo, acabando por marcar, no derradeiro lance de jogo, o quarto ensaio por intermédio do estreante ponta Rodrigo Freudenthal (Belenenses) que veio lá da ala direita para, num deslizar perfeito, selar os definitivos 29-10 depois de nova conversão do irrepreensível Nuno Sousa Guedes, o melhor em campo.

Do mal o menos, esta chata deslocação à Moldávia resolveu-se sem problemas de maior, com o triunfo no Trophy agora à distância de apenas um ponto. Mas pensando nos confrontos que os Lobos terão, mais à frente na época, diante de Alemanha (repescagem para subir ao Championship) e Roménia (apuramento para o Mundial 2019), esta nova pobre exibição mostrou que há muito e muito para melhorar.

Portugal alinhou e marcou: Nuno Sousa Guedes (5, 3, 2, 2); Caetano Castelo-Branco (Manuel Vilela), Tomás Appleton, António Vidinha, Manuel Cardoso Pinto (5, 5); Jorge Abecasis (Rodrigo Freudenthal, 5), Manuel Queirós (Gonçalo Prazeres); João Lino (cap.), Sebastião Villax, Salvador Vassalo, Gonçalo Uva (Salvador Cunha), Fernando Almeida (Manuel Picão), Francisco Bruno (Gonçalo Domingues), João Bernardo Melo (José Maria Lupi) e João Vasco Corte-Real.
Este será o quarto jogo no Rugby European Trophy 2017/18 que Portugal lidera só com triunfos (República Checa, 45-12; Holanda, 36-12; e Suíça, 31-17).

A classificação do Trophy ficou assim ordenada: Portugal, 18 pontos; Holanda, 14; Suíça e Polónia, 5; República Checa, 4; e Moldávia, 1.

Agora a seleção nacional descansa no próximo fim-de-semana e termina a sua participação na prova desta época dentro de duas semanas, na Polónia.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG