Sem derrotas mas com surpresas: os avisos antes da Letónia

Portugal nunca perdeu com uma seleção abaixo do 70.º lugar da hierarquia da FIFA em jogos oficiais. Mas o passado recente já resultou em alguns empates desoladores

Portugal prepara-se para defrontar a Letónia pela 5.ª vez na sua história (domingo, 19.45, no Estádio do Algarve), com as melhores recordações de uma seleção que é a atual 116.ª classificada da hierarquia da FIFA e que nos últimos três anos venceu apenas um jogo oficial (frente a Andorra, por 1-0).

Tal como aconteceu nos confrontos frente a Andorra e ilhas Faroé (duplo 6-0), a seleção nacional volta a ter uma forte possibilidade de golear na qualificação rumo ao Mundial 2018, até porque não sabe o que é perder, em jogos oficiais, com seleções que estejam abaixo da 70.ª posição da hierarquia da FIFA. O que não significa que equipas menos cotadas não tenham já causado dissabores a Portugal.

Paulo Bento sabe do que se fala: em setembro de 2014, no arranque de um percurso que terminou com a conquista do título europeu em Paris, Portugal perdeu por 1-0 frente à Albânia, resultado que ditou a demissão do selecionador. Nunca a seleção lusa tinha perdido um jogo oficial com um país tão mal posicionado na tabela da FIFA.

Ainda que as fases de qualificação para Europeus e Mundiais sejam recheadas de surpresas, a verdade é que Portugal nunca perdeu um jogo oficial contra uma equipa fora do top 100 da FIFA. E, contra a Letónia, as recordações são 100% vitoriosas, pois a seleção ganhou os quatro jogos que disputou contra os letões - dois no apuramento para o Euro 1996 e os outros na qualificação para o Mundial 2006.

O alerta finlandês

Portugal não sabe o que é perder com seleções que estão atualmente fora do top 100 da FIFA em fases de qualificação, mas já foi surpreendido em jogos particulares. A Finlândia, atual 101.ª, é um exemplo: em 2002, na preparação para o Mundial, a seleção perdeu por impensáveis 4-1 no Bessa. Um grande golo de Sérgio Conceição, em lance individual, foi o único apontamento de qualidade.

Gabão e Canadá, seleções mais bem cotadas do que a da Letónia mas também fora do top 100, também já travaram Portugal em jogos particulares. A seleção africana empatou 2-2 com a equipa das quinas em 2002, num jogo que na altura gerou polémica, fruto da longa e desgastante viagem que os atletas tiveram de fazer - tanto que Paulo Bento poupou várias das principais figuras da seleção, com CR7 à cabeça, e deu oportunidade a jogadores que não era normalmente convocados. Em 1995, Portugal fez outra longa viagem, desta vez ao Canadá, e empatou 1-1.

Num passado mais recente, Portugal permitiu nova igualdade (1-1) na visita à Arménia, em 2007, já depois de em 1996 não ter conseguido desfazer o nulo diante da atual 125.ª classificada.

No apuramento para o Mundial 2014, a equipa das quinas cedeu empates contra Israel (1-1) e Irlanda do Norte (1-1), e em 2008 foi incapaz de marcar à Albânia (0-0).

Ainda assim, estas seleções não são tal mal cotadas quanto, por exemplo, Liechtenstein (183.º) e Koweit (167.º), vítimas da maior goleada da história de Portugal: 8-0. De resto, a tendência da equipa nacional quando encontra seleções fora do top 100 é para golear. No entanto, entre as dez maiores goleadas da história da seleção nacional estão adversárias com cotação superior à da Letónia. São os casos de Azerbaijão (88.º), Rússia (53.º) e Chipre (139.ª), a única seleção abaixo do top 100 a conseguir marcar mais do que dois golos a Portugal - fez quatro, em 2010, no humilhante empate (4-4) em Guimarães.

A Letónia nunca venceu uma seleção do top 20 e só foi a uma fase final de uma grande competição internacional - curiosamente, ao Euro 2004, realizado em Portugal, onde foi eliminada na fase de grupos, alcançando apenas um empate no Grupo D, frente à Alemanha. Porém, curiosamente, Portugal nunca marcou mais de três golos à Letónia. Será desta?

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