Portugal começa com vitória importante um Europeu de sub-21 muito aberto

Golos de Gonçalo Guedes e Bruno Fernandes permitiram ultrapassar a Sérvia do benfiquista Zivkovic e conquistar uma vitória muito importante no jogo de estreia. Renato Sanches começou no banco, mas fez passe para o segundo golo

Portugal começou da melhor maneira o Campeonato da Europa de sub-21, ao vencer a Sérvia, por 2-0, com golos de Gonçalo Guedes e Bruno Fernandes, dois dos vários jogadores que atuam em equipas estrangeiras. Perante uma boa equipa, com homens como Zivkovic, Djurdjevic, o guarda-redes Milinkovic-Savic, a seleção comandada por Rui Jorge teve sorte em alguns momentos, mas conseguiu manter o registo de mais de cinco anos sem perder.
Renato Sanches e Gonçalo Paciência ficaram no banco de início, já que Rui Jorge preferiu um ataque mais de movimento e menos de posição ou de referências, procurando tirar partido de uma defesa sérvia que mostra dificuldades perante gente rápida e técnica.
Com Gonçalo Guedes em grande na primeira parte, mais Podence e Diogo Jota, a ideia era claramente marcar primeiro e a partir daí jogar em contra-ataque e aproveitar o espaço. Rúben Neves acertou no poste com um remate próximo da baliza logo aos 5", na sequência de um livre, num início forte da equipa. Os sérvios, que têm uma das muitas equipas com possibilidades de ganhar esta prova, equilibraram muito pelo trabalho do benfiquista Zivkovic, que jogou sobre a direita do ataque (os remates é que lhe saíram sempre mal, diga-se). Djurdjevic, avançado do Partizan de Belgrado, autor de 24 golos esta época no clube, perdeu um boa oportunidade, Bruno Varela brilhou noutra ocasião ao sair da área a pontapé e o jogo estava equilibrado. Como foi quase sempre, apesar do resultado, porque se Portugal marcou um golo em cada parte, a Sérvia teve várias oportunidades, sobretudo no segundo tempo.
Foi uma combinação entre os três homens do ataque que permitiu o primeiro golo: Jota lançou em profundidade, Podence, que conseguiu com um toque só o cruzamento da linha final, o guarda-redes desviou a bola mas deixou-a de forma a que Gonçalo Guedes pudesse marcar facilmente de cabeça. Uma boa jogada, mas alguma sorte a ajudar.
A reação da equipa do treinador Lalatovic foi forte, obrigou Portugal a cometer erros, mas houve sempre Rúben Semedo na defesa, Rúben Neves no meio-campo e Guedes no ataque, a coluna vertebral responsável pela vitória. Mas houve mais, claro.
Grujic de cabeça, após um livre, cabeceou ao lado, fazendo o mais difícil, Radonijic esteve duas vezes perto do golo e era um período em que a bola era dos sérvios, que acabaram com 53% de posse, mas sem golos. Portugal tinha feito entrar Bruma ao intervalo (saiu Jota) e depois Renato Sanches (saiu João Carvalho) e foi dos pés do jogador do Bayern de Munique que saiu o passe, magnífico, sobre os defesas, esperando o momento certo, para Bruno Fernandes aparecer nas costas e fazer o segundo golo em dois toques. O jogo estava no fim, o resultado estava feito.
Vitória muito importante, mostrando uma equipa melhor que o seu jogo. Ou seja, há ali jogadores para mais, porque houve muitos erros não forçados, de passes que deram ataques contrários, que estes jogadores não fazem muitas vezes. Havia cansaço de parte a parte no final, mas os sérvios acabaram pior, porque estavam a perder e porque tiveram que correr atrás do prejuízo e fazer a despesa maior. Este Europeu tem um nível altíssimo, muitos jogadores que já valeram milhões (Portugal tem vários exemplos) e já com carreiras importantes, o que leva a que as decisões, provavelmente, venham aparecer por detalhes. Até porque são três grupos, apuram-se os primeiros e o melhor segundo - uma vitória por 2-0 a abrir é um bom começo para ter vantagem em caso de igualdade de pontos.

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