Eder e a vida em França após o Euro: "Ainda não digeriram bem"

Na apresentação de "Vai Correr Tudo Bem!", escrito juntamente com Susana Torres, Eder admitiu que é assobiado e insultado quando joga fora nos estádios da liga francesa

10 de julho de 2016. Decorria o minuto 109 da final do Euro 2016, entre França e Portugal, em pleno Stade de France, quando Eder disparou um remate desde fora da área, sem hipóteses para Lloris. O golo valeu o título europeu a Portugal, no maior momento do futebol nacional. Inesquecível para os portugueses, para Eder e, pelos vistos, também para os franceses.

Na apresentação ontem em Lisboa da sua biografia Vai Correr Tudo Bem!, escrita juntamente com a sua coach Susana Torres, Eder admitiu que não tem sido bem recebido nos estádios franceses que visita com o seu clube, o Lille, na liga francesa.

"Em Lille apoiam-me muito, mas quando jogamos fora assobiam e insultam-me", afirmou, acrescentando que "há algum desagrado" porque muitas pessoas ainda "não digeriram bem" a derrota da França contra Portugal.

Susana Torres, coach de alta performance que trabalha com Eder, já tinha admitido ao DN que ambos sabiam que ele ia marcar, caso o jogador entrasse em campo na final do Euro. Eder, por seu lado, admite que o objetivo era esse. "Tínhamos vindo a trabalhar nesse sentido. Estava planeado eu fazer tudo para marcar golo. Aconteceu e ficámos muito felizes", afirmou.

E o golo que ficará para sempre marcado na memória dos portugueses (e franceses) fez que as pessoas confiassem mais em Eder? Para o próprio, isso é irrelevante. "Continuo focado. Não reparo se confiam mais em mim ou não. Eu confio", frisa.

A confiança, essa, adveio mais do coaching, que é "muito importante" na vida do jogador. "O golo foi motivador, mas o coaching ajudou-me muito. À minha volta as coisas talvez tenham mudado, mas eu vou continuar a fazer o básico e continuar o meu percurso", aponta.

Sobre o objetivo deste seu livro, Eder tem uma ideia muito clara: servir de inspiração aos outros. "As pessoas precisam de inspiração. O coaching com a Susana inspirou-me muito e tem sido fantástico. Quero continuar e acho que toda a gente devia experimentar, se pudesse", acrescentou, com Susana Torres e o seu ex-treinador Sérgio Conceição, que apresentou o livro, sentados ao seu lado.

O internacional português pensa que a sua biografia pode "mostrar às pessoas que tudo é possível, mesmo quando não acreditam em nós".

Com figuras como José Peseiro, Pedro Proença e Joaquim Evangelista nas primeiras filas, Eder, muito nervoso, como o próprio admitiu, afirmou também a satisfação de ter "chegado até aqui", depois das "várias batalhas" que superou.

"Ao início [quando Susana Torres propôs escreverem um livro] estava reticente, mas quando percebi que podia ajudar as pessoas com a minha história aceitei", acrescentou.

O coaching, muito destacado pelos três oradores, foi então explicado de forma sucinta pela profissional Susana Torres, que admitiu que gostaria e está disponível para trabalhar com a Federação Portuguesa de Futebol.

"O coach trabalha com alguém e ajuda-o a dar o passo entre a realidade e o que essa pessoa quer fazer. Também tenho o meu coach. Mesmo quem é muito forte precisa. O problema é acharmos que só existe uma solução", explicou a mulher que também ficou famosa com o golo de Eder.

A apresentação do livro ficou a cargo de Sérgio Conceição, que orientou Eder no Sp. Braga. Confirmando que a relação entre os dois "não foi fácil", contou que o jogador até lhe chamou "alguns nomes" quando não estava a jogar, mas que a sua atitude mudou quando conheceu Susana Torres, que foi inclusivamente trabalhar com Sérgio Conceição para o V. Guimarães.

Sobre Eder, o técnico, agora sem clube, destacou cinco fatores fundamentais para o sucesso do jogador: "Personalidade e carácter", uma "visão incrível", "capacidade de comunicação", "humildade na aprendizagem" e "o trabalho do pormenor". "Vale a pena tentar e acreditar. Podemos até dizer que não conseguimos, mas tentámos", finalizou o treinador

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