Ronaldo e Mourinho voltam a cruzar-se na luta por mais um título

Principais figuras lusas no futebol internacional medem forças esta terça-feira

Skopje, capital da Macedónia, recebe hoje (19.45, RTP1) a primeira final europeia da nova época, uma Supertaça Europeia marcada pelo reencontro entre aquelas que há mais de uma década são as principais figuras portuguesas no futebol internacional: Cristiano Ronaldo e José Mourinho.

O avançado do Real Madrid, e que já foi figura do Manchester United, foi convocado por Zidane apesar de só ter dois dias de treinos após 37 dias de férias; o treinador dos red devils, que já treinou Ronaldo no Real, procura conquistar o título europeu que lhe falta no palmarés. Voltam a cruzar-se hoje, precisamente quatro anos depois. A 8 de agosto de 2013, o madeirense respondeu com dois golos - num triunfo sobre o Chelsea (3-1) em particular jogado em Miami - a uma provocação do setubalense, que dias antes tinha afirmado que o "verdadeiro Ronaldo" era o brasileiro que ele treinara (como adjunto de Bobby Robson) no Barcelona.

Vivia-se ainda o rescaldo da tumultuosa saída de Mourinho de Madrid e a tensão entre os dois já vinha de trás. Enquanto ambos coincidiram no Santiago Bernabéu, entre julho de 2010 e junho de 2013, a relação entre os compatriotas foi esfriando, apesar dos rasgados elogios mútuos nos primeiros tempos. Em abril de 2011, após uma eliminação na Liga dos Campeões aos pés do Barcelona, Ronaldo reprovou publicamente a estratégia utilizada. "Não gostei da estratégia, mas tenho de me adaptar ao que é pedido", confessou na altura o avançado, que sob o comando do compatriota viveu, no entanto, o seu período mais produtivo: 168 golos em 164 jogos.

Dois anos mais tarde, os media espanhóis fizeram eco de alegadas críticas de Mou ao trabalho defensivo de CR7, em pleno balneário, à frente do restante plantel, o que terá motivado uma resposta severa de Ronaldo: "Depois de tudo o que fiz por ti, é assim que tu me tratas? Como te atreves a dizer isso?"
Meses depois, nas vésperas do tal jogo particular nos EUA, já como treinador do Chelsea, Mourinho esclareceu a situação. "Ronaldo fez três excelentes temporadas comigo. Não sei se foram as melhores da sua carreira ... só ele poderá responder. Só tive um problema com ele, muito simples, muito básico, que foi criticá-lo sob o ponto de vista tático. E ele não aceitou muito bem, talvez porque pense que já sabe tudo e que o treinador não o pode ajudar a crescer mais", afirmou o Special One.

Juntos, venceram três troféus. Desde então, os dois continuaram a conquistar títulos, ainda que Cristian o faça a um ritmo mais frenético: oito troféus coletivos contra cinco de Mourinho desde a "separação" (ver quadro). Hoje voltam a reeditar um passado de "duelos" que já tinham experimentado no futebol inglês, aquando da primeira passagem de Mourinho pelo Chelsea e em que CR7 era a grande estrela do Man. United de Ferguson.

Ontem, quando questionado em conferência de imprensa sobre as supostas má relações com jogadores blancos, o técnico deu a entender não guardar rancores. "Com alguns mantenho uma relação e com outros não. Não só com os do Real Madrid, mas também os do Chelsea, Inter e FC Porto. Se os encontrar na rua, cumprimento-os", vincou.

Nesta noite, se CR7 for mesmo a jogo - Zidane deixou tudo em aberto mas disse que o jogador "está muito bem fisicamente" -, um deles tornará ainda mais rico o respetivo palmarés. Mourinho, que deseja conquistar pela primeira vez a prova - perdeu em 2003, pelo FC Porto, e em 2013, pelo Chelsea -, traz boas indicações da pré-época: cinco vitórias em sete jogos, enquanto o adversário nem sequer ganhou. Mas o Real chega a Skopje como bicampeão europeu e deverá manter dez dos titulares da última final da Champions (4-1 à Juventus). "Vamos tentar, mas existe uma diferença óbvia entre o vencedor da Champions e o da Liga Europa", considerou Mou.

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