Federer. O adeus do maestro que foi um exemplo

Foi número 1 mundial, venceu 20 Grand Slams e travou batalhas épicas com Nadal e Djokovic. Aos 41 anos anunciou a retirada, motivada por problemas no joelho. Para a semana, na Laver Cup, em Londres, vai jogar pela última vez.

Quando o assunto for desporto e se recordar o ano de 2022, há dois factos que vão fazer parte da história: os abandonos de Serena Williams e de Roger Federer, duas das maiores lendas do ténis mundial A campeã norte-americana jogou este mês o seu último Grand Slam (US Open). Esta quinta-feira foi a vez do suíço anunciar que vai deixar a modalidade. Aos 41 anos e fustigado por lesões que o impedem de continuar a jogar a alto nível.

O anúncio, apesar de surpreendente pelo timing, já era algo esperado. Há três anos que Federer lutava contra lesões (foi operado três vezes ao joelho direito) que o afastavam permanentemente das grandes competições. Esta quinta-feira, por volta das 15.00, uma mensagem do tenista nas redes sociais, acompanhada de um vídeo, confirmava o adeus aos courts a nível profissional. A última aparição está marcada para a próxima semana, em Londres, na Laver Cup, que marca ao mesmo tempo um regresso... e o adeus definitivo.

"Esta é uma decisão agridoce porque vou sentir falta de tudo o que o ténis me proporcionou. Mas ao mesmo tempo há tanto para celebrar. Considero-me uma das pessoas mais sortudas deste mundo. Recebi um talento especial para jogar ténis, e fi-lo a um nível que nunca imaginei, durante muito mais tempo do que imaginei que seria possível", começou por referir.

"Fiz mais de 1500 jogos ao longo de 24 anos. O ténis tratou-me melhor do que alguma vez poderia imaginar, e agora preciso de reconhecer que está na altura de terminar a minha carreira a nível competitivo", acrescentou, numa carta onde agradece à família, aos treinadores e aos patrocinadores que sempre o apoiaram ao longo de uma carreira que durou 24 anos.

Chega assim ao fim uma carreira ímpar de um tenista que foi e continua a ser um exemplo para outros praticantes, que travou durante mais de uma década uma luta tremenda com Novak Djokovic e Rafael Nadal. Para trás, além de outros troféus, ficam um total de 20 Grand Slams (seis edições do Open da Austrália, uma de Roland Garros, oito de Wimbledon e cinco do US Open). Foi número 1 mundial em vários anos e durante um total de 310 semanas (237 consecutivas, entre fevereiro de 2004 e agosto de 2008) e tornou-se o tenista mais velho a atingir esse posto em fevereiro de 2018, com 36 anos.

Fica ainda o registo da conquista de 103 títulos individuais, 1526 jogos disputados e 1251 partidas ganhas. Para nós, portugueses, a recordação de uma vitória na edição de 2008 do Estoril Open. Em plena final, ao fim de pouco mais de uma hora, viu Nikolay Davydenko desistir no segundo set devido a lesão. "É a primeira vez na minha carreira que venço uma final por desistência, e já joguei 70 ou 80 finais", recordou na altura.

A Federação Internacional de Ténis elegeu-o melhor tenista do ano em 2004, 2005, 2006, 2007 e 2009 e foi também galardoado com cinco Laureus para melhor desportista nos anos de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2018.

Dinheiro e desejo de Alcaraz

Federer, que festejou 41 anos em agosto, fez a sua última aparição num court em setembro de 2021, no torneio de Wimbledon, no qual foi derrotado por Hubert Hurkacz por 6-3, 7-6 (4) e 6-0. Nesse dia, o público despediu-se do suíço de pé nas bancadas, talvez já consciente de que provavelmente seria a última vez que o veriam em ação no court central do All England Club.

Foram tantos que é difícil nomear o melhor jogo de Federer. Mas o próprio chegou a eleger os 25 minutos mais perfeitos da sua carreira na final do Open da Austrália de 2017, na qual bateu Nadal, numa partida histórica.

Apesar de não jogar há um ano, e das várias pausas em 2020, Federer continua a ser o jogador mais bem pago do circuito. De acordo com um ranking elaborado pela revista Forbes há cerca de um mês, o tenista suíço teve ganhos nos últimos 12 meses de cerca de 90 milhões de euros, sendo a maior parte proveniente de contratos de patrocínio com marcas como Rolex, Credit Suisse, Mercedes, Moet & Chandon ou as massas Barilla.

Uma das primeiras reações surgiu de Carlos Alcaraz, o espanhol agora número 1 mundial, que ainda recentemente, após ter ganho o US Open, disse que um dos sonhos que tinha era poder defrontar Roger Federer, um dos seus ídolos de infância. Alcaraz recorreu à redes sociais e escreveu "Roger..." acompanhado de um coração partido.

"O impacto do Roger no ténis e o legado que construiu são impossíveis de ultrapassar. Em 24 anos como profissional, trouxe milhões de fãs para este desporto. Liderou uma incrível nova era do ténis e deu popularidade ao nosso desporto. Poucos atletas se transcenderam em campo como ele", disse Andrea Gaudenzi, chairman do ATP.

nuno.fernandes@dn.pt

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