"Trabalho forte." O argumento de Pimenta e Évora para as medalhas

Entram hoje em ação dois trunfos portugueses na luta pelo pódio. Ao DN, explicaram porque podem ser ambiciosos

Nélson Évora e Fernando Pimenta iniciam hoje a sua participação nos Jogos Olímpicos à procura de um lugar nas finais de triplo salto e K1 1000 m de canoagem (ambas a disputar amanhã), mas já a pensarem num resultado que vá mais além. Os dois são os únicos da comitiva de 92 atletas que veio a Rio de Janeiro que já conheciam a sensação de conquistar uma medalha olímpica - Nelson Évora com ouro no triplo salto em Pequim 2008 e Fernando Pimenta com prata, ao lado de Emanuel Silva, no K2 1000 da canoagem em Londres 2012.

Ao DN, explicaram porque devem os portugueses ter esperança numa nova medalha de ambos. O trabalho árduo que fizeram na preparação para os Jogos é apontado como o grande trunfo e também como a principal razão para terem definido metas ambiciosas para a sua participação.

"Tem tudo a ver com os resultados. A pessoas acreditam em mim, do ponto de vista individual, e em nós enquanto equipa no K4, devido ao trabalho forte e aos resultados que temos vindo a atingir nas últimas temporadas", afirmou Fernando Pimenta, que vai cumprir no Rio, na lagoa Rodrigo de Freitas, o desejo de competir em K1, só ele e a canoa. De Londres para cá, o canoísta de Ponte de Lima, que celebrou no sábado na Aldeia Olímpica o seu 27.º aniversário, somou uma série de bons resultados que consolidaram a ambição olímpica - 1.º lugar nos Europeus de 2016, 2.º nos I Jogos da Europa, 3.º nos Mundiais de 2015 e 2.º nos Mundiais de 2014 (K4). São eles o seu maior cartão-de-visita para Rio, onde além do K1 também vai tentar a medalha em K4 ao lado de Emanuel Silva, João Ribeiro e David Fernandes. Pimenta lembra, no entanto, a concorrência forte que vai encontrar: "Os Jogos Olímpicos são uma prova diferente, em que os atletas se superam. Eu espero ser um deles e conseguir um grande resultado. Mas o primeiro grande passo será chegar à final."

Nelson Évora, 32 anos, também está confiante num grande resultado. "Quando na seleção de futebol se disse que queríamos ser campeões da Europa muitos gozaram e, depois, acabámos mesmo por vencer o título. Para estar no Rio, trabalhei imenso e da forma mais profissional possível para sonhar com tais metas. Nunca poderia sair da minha boca um objetivo desses sem sequer ter lutado por isso. Agora esse trabalho está feito e resta saltar para mostrar o resultado de todos estes meses a fio a treinar no duro", sublinhou ao DN. Ninguém duvide que Évora é um lutador. "Não estou acabado", reagiu após as graves sofridas na tíbia direita, em 2012, e que o impediram de estar presente nos Jogos de Londres. Sem desistir, iniciou um longo processo de recuperação que deu os maiores frutos em 2015: primeiro foi campeão europeu de pista coberta e depois regressou ao Estádio Olímpico de Pequim para garantir um 3.º lugar nos Mundiais.

vou saltar para mostrar o resultado de todos estes meses a fio a treinar no duro

Para Fernando Pimenta, o exemplo de superação de Nelson Évora é mais um motivo para esperar um bom desempenho do saltador. "Mesmo depois de passar por um momento difícil quando se lesionou, em que muita gente deixou de acreditar nele, conseguiu dar a volta e voltar aos títulos. É uma referência para o desporto nacional, como é a Telma Monteiro e outros atletas que aqui estão na comitiva e que mostram todos os dias a garra, a ambição e o querer de todos os portugueses", diz o canoísta. Já Évora vê na experiência olímpica de Pimenta uma mais-valia que pode ser decisiva: "A experiência é importante. De há uns anos para cá, Portugal tem conseguido formar comitivas muito fortes e experientes. Essa realidade é mais um motivo para ter confiança."

Enviado especial ao Rio de Janeiro

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