À oitava maratona Eliud Kipchoge conquistou o ouro olímpico

Medalha de bronze em Atenas e prata em Pequim, o queniano, de 31 anos, cumpriu finalmente o sonho

O queniano Eliud Kipchoge conquistou hoje o título olímpico da maratona, na oitava presença nos 42,195 quilómetros, em que apenas foi derrotado em Berlim, em 2013, quando foi batido o recorde do mundo.

Aos 31 anos, Kipchoge 'abrilhantou' o seu historial com a medalha de ouro no Rio2016, ao concluir a prova em 2:08.44 horas, depois de já ter vencido este ano em Londres, onde bateu o recorde da corrida e obteve o melhor registo do ano (2:03.05).

Medalha de bronze em Atenas2004 e prata em Pequim2008 nos 5.000 metros, o queniano, campeão do mundo de corta-mato em juniores em 2003, confirmou o favoritismo inicial e somou o seu sétimo triunfo na distância.

Kipchoge estreou-se na maratona em 2013, em Hamburgo, vencendo com o recorde da corrida (2:05.30), enfrentando depois a distância em Berlim, onde foi batido pelo compatriota Wilson Kipsang, que alcançou na capital alemã o então recorde do mundo, em 2:03.30.

Seguiram-se mais seis triunfos, em Roterdão e Chicago, em 2014, Londres e Berlim, em 2015, até nova vitória na capital britânica, em abril, e o título olímpico, hoje, num currículo em que praticamente apenas falta o recorde do mundo, na posse do compatriota Dennis Kimetto desde a maratona de Berlim de 2014 (2:02.57).

"O segredo é um bom planeamento e uma boa preparação. Mas eu estava aqui para a medalha de ouro e não para um recorde mundial", frisou Kipchoge.

Para a chegada triunfal ao Sambódromo contribuiu a arrancada encetada aos 35 quilómetros, conseguindo 44 segundos de vantagem sobre o etíope Feyisa Lilesa, enquanto o norte-americano Galen Rupp, prata nos 10.000 metros em Londres2012, arrebatou a medalha de bronze, em 2:10.05 horas.

"A sensação é realmente fantástica. Senti que ainda tinha um pouco de energia e estava confortável, mesmo muito confortável. É a minha primeira medalha de ouro, a melhor vitória da minha vida", assumiu o mais rápido entre os 155 maratonistas que alinharam à partida, em representação de 80 países.

Lilesa, terceiro na maratona nos Mundiais de 2011, cruzou a meta em segundo erguendo os braços cruzados, um gesto de protesto contra a falta de liberdade no seu país: "Tenho familiares presos. Se falas em democracia matam-te e se voltar para a Etiópia talvez me matem ou me prendam. O meu país é muito perigoso, talvez tenha de ir para outro. Estava a protestar por todas as pessoas do mundo que não são livres", assumiu Lilesa.

Já o norte-americano Rupp, que assegurou a terceira medalha em cerca de 12 horas para atletas treinados pelo controverso Alberto Salazar, depois dos ouros de Matthew Centrowitz, nos 1.500 metros, e de Mo Farah, nos 5.000, justificou o êxito com a concorrência nos treinos.

"Ele é o diabo quando estamos a treinar, mas ter um grupo fantástico com o Mo e o Matthew dá-nos uma excelente diâmica, que nos ajuda a puxar uns pelos outros", concluiu.

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