"Portugal é uma potência mundial do ténis de mesa"

Marcos Freitas, o mais titulado mesatenista nacional, avisa para a forte concorrência, que terá na seleção um opositor competente

Uma potência mundial. É assim, sem rodeios, que Marcos Freitas se refere à seleção nacional de ténis de mesa, que chega ao Rio de Janeiro com a ambição de tentar melhorar o resultado conseguido em Londres 2012 (5.º lugar). O melhor mesa-tenista português da atualidade, 11.º do ranking Mundial, explicou ao DN as razões que sustentam a aposta no bom resultado. "Somos a sétima melhor seleção do ranking, fomos campeões da Europa em 2014 (quebrando a hegemonia da Alemanha, que durava há seis anos) e em 2015 ganhámos a medalha de ouro na final dos I Jogos Europeus (jogo contra a França, com vitória portu- guesa por 3-1). Temos jogadores com muita experiência e com resultados relevantes na carreira. Eu próprio ocupo atualmente o 11.º lugar do ranking Mundial, mas já fui top 10 (a melhor classificação foi um 7.º lugar em novembro de 2015). Por isso, sim, podemos dizer que somos uma potência mundial desta modalidade", afirmou o madeirense, que vai formar equipa com Tiago Apolónia (18.º do Mundo) e João Pedro Monteiro (35.º).

Antes da prova por equipas, Marcos Freitas vai disputar o torneio individual. Com estreia marcada para amanhã, o mesa-tenista aponta como objetivo principal ultrapassar o 17.º posto que repetiu tanto em Pequim 2008 como em Londres 2012, principalmente depois de em outubro do ano passado ter conquistado a medalha de prata em singulares no Campeonato da Europa.

É, no entanto, na competição por seleções que está concentrada a maior expectativa. O histórico título europeu conquistado em 2014, a jogar em casa, trouxe o ténis de mesa para a ribalta, mas Marcos Freitas lembra que esse resultado "não foi fruto apenas do trabalho de um ano, mas sim um processo que teve continuidade e foi evoluindo até aí". "Antes disso, os nossos adversários já nos reconheciam como uma seleção competente", completa.

A prova de que o Europeu não foi obra do acaso foram os resultados que se seguiram: bronze na Taça do Mundo do Dubai, prova que reuniu as 12 melhores seleções do ranking, prata em Baku no top 16 Europeu e ouro nos I Jogos Europeus, também na capital do Azerbaijão. Além disso, a boa imagem da equipa também se deve às carreiras internacionais que os atletas foram construindo. Todos jogam no estrangeiro - Freitas em França, no Pontoise, onde em 2014 venceu a Liga dos Campeões; Apolónia no Saarbrucken, Alemanha; Monteiro no Chartres ASTT, França - em equipas habituadas a lutar pelos principais títulos.

Tudo somado, chega para colocar Portugal entre os candidatos a medalhas no Rio? Marcos Freitas joga à defesa: "Há muitos candidatos antes de nós. Por isso, o que temos é de ir pensando jogo a jogo. Logo a abrir, no dia 13, temos como adversária a Áustria [a seleção que eliminou Portugal na primeira ronda do Europeu de 2015], que é a atual campeã europeia e que é uma equipa que eu conheço bem. Tivemos azar com o sorteio. Mas o sonho ninguém nos tira."

À cabeça dos rivais portugueses aparece a China. Desde que o ténis de mesa se tornou desporto olímpico em Seul 1988, o gigante asiático conquistou 24 medalhas de ouro em 28 possíveis. São, naturalmente, os líderes do ranking mundial de seleções. Alemanha (2.ª), Coreia do Sul (3.ª), Japão (4.ª), Hong Kong (5.ª) e França (6.ª) são as outras seleções com melhor ranking do que o português a competir no Rio.

Viciado em medalhas

Marcos Freitas começou a jogar ténis aos seis anos, na escola primário do Estreito, na Madeira, incentivado pelo pai e já depois de ter experimentado praticar judo. A certeza de que o seu futuro passava pela modalidade chegou com a primeira medalha. "Fiquei viciado e foi esse o momento decisivo. Mas logo desde o início percebi ter algum jeito para o ténis de mesa e recebia dos treinadores a mesma ideia."

Na sua terceira participação em Jogos, o jogador madeirense, de 28 anos, admite que já não vive o ambiente na Aldeia Olímpica como o mesmo entusiasmo da estreia, pois "aquela que é realmente inesquecível é a primeira vez, é a experiência que se guarda para sempre" e diz que, até agora, a impressão que tem dos Jogos do Rio "é positiva".

* Enviado especial ao Rio de Janeiro

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