Kohei Uchimura já tem o título que lhe faltava: o ouro coletivo

Japão conquista ouro na competições por equipas de ginástica artística, 12 anos depois. Filho de ginastas cumpriu, por fim, o sonho que há muito buscava

Kohei Uchimura ainda não tinha pisado a Arena Olímpica do Rio (palco das provas de ginástica artística dos Jogos Olímpicos) e já era notícia, por ter recebido uma fatura de meio milhão de ienes (cerca de 4400 euros) de roaming de dados do telemóvel, por ter passado horas a jogar Pokémon Go, no Brasil, nos dias que antecederam o início oficial do Rio 2016. No entanto, ele, um dos ginastas masculinos mais bem-sucedidos de sempre, estava destinado a ficar na história por outros motivos: ontem à noite, alcançou o grande título que lhe faltava, ao levar o Japão à medalha de ouro na competição por equipas.

O japonês, campeão olímpico e hexacampeão mundial na competição all around (um feito inédito), procurava há muito a consagração coletiva no mais importante dos palcos - após ter conquistado o título mundial de equipas em 2015. Em Pequim 2008 e em Londres 2012, o Japão - campeão em 2004, ainda sem Uchimura - ficou-se pela medalha de prata, atrás da toda-poderosa China. No entanto, à terceira foi de vez: ontem, os nipónicos totalizaram 274 094 pontos, batendo a Rússia (271 453) e relegando a China (271 122) para o lugar mais baixo do pódio.

Naturalmente, o homem mais em foco, na final, foi Kohei Uchimura, o único japonês que competiu nos seis aparelhos - mesmo que apenas tenha sido o melhor no cavalo com arções. Afinal, o obstinado japonês - cujo lema é "não acredito em Deus nem em lances de sorte, acredito na prática" - parecia destinado, desde o berço, a viver momentos de glória nesta modalidade: filho de dois ginastas e irmão de outro, começou a praticar aos 3 anos e chegou à ribalta aos 18. Nove anos depois, é um dos homens com mais títulos de sempre na ginástica artística e promete não parar por aqui: o sonho é continuar até Tóquio 2020, para celebrar novos títulos.

No entanto, esse ainda é um futuro demasiaso longínquo. Por agora, Kohei Uchimura pode esquecer, por fim, os deslizes dos primeiros dias no Rio de Janeiro, do pobre desempenho nas qualificações (onde ficou em 2.º, atrás do ucraniano Oleg Verniaiev, no all around, e só se apurou para a final de um aparelho - solo), à gigantesca fatura de roaming (entretanto reduzida pela operadora de telemóveis). Amanhã, o nipónico - que já tem seis medalhas olímpicas no palmarés (duas de ouro e quatro de prata) volta a entrar em cena para tentar repetir o título de 2012 na final all around. Domingo, 14, tenta o título no solo (disciplina em que foi vice-campeão nos últimos Jogos).

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