A medalha, a ovação e o YouTube. As maratonistas recordam Rosa

O DN desafiou as maratonistas a descreverem a principal memória que têm de Rosa Mota e da sua vitória em Seul

A medalha de ouro conquistada por Rosa Mota nos Jogos de Seul 1988 continua a ser a única de Portugal na história das maratonas olímpicas femininas. De então para cá, só Manuela Machado (por duas vezes, em Barcelona 1992 e Atalanta 1996) e Jéssica Augusto (Londres 2012) conseguiram um lugar no top 10, terminando ambas na mesma posição: 7.º posto. O feito de Rosa Mota continua por isso a servir de inspiração para as atletas que hoje, a partir das 09.30 (13.30 portuguesas), vão correr os 42,195 km no Rio de Janeiro, num domingo que se espera de muito sol.

A prova, que vai obrigar ao encerramento de várias ruas na cidade, tem partida e chegada na zona do Sambódromo e quem quiser assistir aos dois momentos nesse local vai ter de pagar entre 11 e 20 euros.

O DN desafiou as maratonistas a descreverem a principal memória que têm de Rosa Mota. Há história de medalhas recebidas em criança, arrepios ao ver a campeã olímpica entrar num estádio e agradecimentos à rede de vídeos YouTube.

Sara Moreira, 30 anos (2 em 1988, quando Rosa ganhou em Seul)

"Eu não acompanhei a carreira da Rosa. Ela bateu o recorde nacional da maratona [2:23.29 horas, em Chicago], que ainda hoje perdura, em 1985, o mesmo ano em que eu nasci. Já vi bastantes vídeos da maratona, pois ela é uma inspiração. Mas a primeira grande recordação que tenho da Rosa aconteceu em 2007, em Osaka [Japão], no meu primeiro Campeonato do Mundo. Estava na bancada a ver provas e comecei a ver os japoneses num alvoroço, a bater palmas, e quando percebi era ela que estava a entrar no estádio. Para mim foi arrepiante ver uma portuguesa ser tão ovacionada num país que não era o dela."

Comecei a ver os japoneses num alvoroço, a bater palmas, e quando percebi era ela que estava a entrar no estádio

Dulce Félix, 33 anos (5 no ouro de Seul)

"Ainda era miúda quando ela ganhou a medalha de ouro na Maratona de Seul [a 23 de setembro de 1988, faltava-lhe exatamente um mês para cumprir o 6.º aniversário], pelo que só vi imagens da corrida em vídeos. Mas tenho uma recordação forte do dia em que ela me deu uma medalha de vencedora num corta-mato escolar na minha terra [Azurém, Guimarães], quando andava a estudar no ciclo. Provavelmente, ela já nem se recorda, pois já deve ter ido a muitas escolas fazer o mesmo, mas eu nunca esqueci e ainda guardo essa medalha em casa."

Jéssica Augusto, 35 anos (7 no ouro de Seul)

"Não vi a Rosa Mota a conquistar a medalha de ouro na maratona de Seul, mas, felizmente, hoje existe o YouTube e assim torna-se possível recordar os feitos dos nossos atletas."

Enviado ao Rio de Janeiro