Cena de assalto a Gisele Bündchen na abertura dos Jogos causa polémica

Relatos garantem que cerimónia inclui cena de assalto à manequim brasileira. Responsáveis desmentem

Rumores de que Gisele Bündchen será assaltada durante a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro estão a levantar uma onda de críticas contra a organização. Uma cena, exibida durante o ensaio aberto ao público, em que a modelo é abordada por um jovem que está alegadamente a ser perseguido pela polícia está na origem de toda a polémica.

Apesar de a organização ter pedido, no domingo à noite, aos cerca de 15 mil voluntários que assistiram ao ensaio da cerimónia para não tirarem fotografias, foram publicadas imagens do espetáculo nas redes sociais.

A cerimónia terá a duração de cerca de cinco horas, durante as quais será contada a história do Brasil desde que o país foi descoberto pelos portugueses. A parte que mais chamou a atenção dos presentes, no entanto, foi a cena em que Gisele Bündchen é assaltada.

A modelo vai desfilar ao som da música "Garota de Ipanema" e "será assaltada por um ator", segundo relatos do jornal Folha de São Paulo. "A mensagem final de tal cena, contudo, será de paz", continua o jornal, referindo-se à parte em que supostamente a modelo perdoa o assaltante e o protege da polícia.

A organização do espetáculo desmentiu este e outros relatos de testemunhas que dizem o mesmo, afirmando que não estavam corretos. O Comité Olímpico disse ainda à AFP que "não há nenhum assalto".

O realizador Fernando Meireles, conhecido por ter dirigido o filme Cidade de Deus, é um dos responsáveis pelo espetáculo e também desmentiu o caso, criticando a imprensa que lançou os boatos.

A organização respondeu a um dos jornais que divulgou a notícia que dizem ser falsa, acusando-o de difamação.

Por outro lado, o jornalista da Globo, Lauro Jardim, escreveu numa coluna do jornal que a cena foi cortada da cerimónia final porque foi mal interpretada pelo público. Segundo Lauro Jardim, a cena mostrava afinal um vendedor de rua a tentar vender um biquíni a Gisele Bündchen.

"A cena estava perfeita no papel. No ensaio ontem, no entanto, não resultou", escreveu Lauro Jardim. "Dava a impressão para quem estava a assistir de que era um assalto. E a partir daí criou-se a polémica nas redes sociais", continuou no artigo.

A manequim Gisele Bündchen retirou-se das passerelles em 2015 e está no Brasil para participar na cerimónia dos Jogos Olímpicos e acompanhar o evento.

Criminalidade a subir no Brasil

Num país onde a criminalidade é um dos principais problemas sociais, a cena de assalto está a gerar controvérsia e a ser condenada por ter sido incluída numa cerimónia que deveria melhorar a imagem do Brasil.

O Rio de Janeiro enfrenta graves problemas de criminalidade que se têm vindo a agravar nos últimos tempos. Segundo a AFP, que cita dados oficiais, o número de homicídios aumentou 17% no primeiro semestre deste ano, com 2470 mortes, e o número de assaltos aumentou 34%, tendo sido contabilizados mais de 58 mil.

Segundo um estudo da Human Rights Watch divulgado em julho, só a polícia do Rio de Janeiro matou 645 pessoas este ano e mais de 8 mil na última década. Além disso, a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil, segundo uma comissão de inquérito do senado brasileiro, citada pela BBC.

Espera-se que cerca de 3 mil milhões de pessoas de todo o mundo assistam à cerimónia no dia 5 de agosto, segundo o jornal Folha de São Paulo.

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