Reuniões de alto nível para debater o futebol português

Joaquim Evangelista exige respeito pelos jogadores. Liga, Federação, capitães e secretaria de Estado do Desporto envolvidos

O clima de crispação e suspeição no futebol português vai ser debatido ao mais alto nível na segunda e na terça-feira, com reuniões entre o Sindicato de Jogadores e capitães de equipa dos dois escalões profissionais com a Liga (2.ª feira no Porto) e com a Federação Portuguesa de Futebol e secretaria de Estado do Desporto (3.ª feira em Lisboa).

"Em causa está o envolvimento dos jogadores no clima de crispação do futebol português. Os jogadores não querem servir de arma de arremesso nem que seja posta em causa a sua idoneidade profissional. Isso afeta-os a nível profissional e também no plano pessoal", referiu ontem ao DN o presidente do Sindicato de Jogadores, Joaquim Evangelista, acrescentando que "os atletas não são indiferentes, não querem fazer parte disto e exigem respeito."

A primeira reunião será na sede da Liga, no Porto, segunda-feira às 15.30 horas. Além de representantes do Sindicato estarão presentes capitães de equipa da I e II Liga (cinco e dois, respetivamente) de clubes do norte. Terça-feira, em Lisboa, haverá primeiro uma reunião com a Federação Portuguesa de Futebol, às 16.00, seguida de uma outra com a secretaria de Estado do Desporto, às 17.30, na qual estarão capitães de equipa mais do sul. Estarão presentes jogadores de FC Porto, Benfica e Sporting? "Estão todos envolvidos. Ainda vamos ver quem tem disponibilidade de ir" [em função da agenda dos jogadores e das equipas]", respondeu Evangelista.

O presidente do Sindicato de Jogadores não quis abrir o jogo relativamente ao que vai ser proposto. Mas em cima da mesa vão estar medidas a adotar no futuro para que o estado das coisas se altere radicalmente: "Houve várias medidas em cima da mesa, mas o sindicato entendeu que seria melhor não criar mais ruído [com uma paralisação dos campeonatos]. Somos muito responsáveis: o mais fácil era parar, mas não é isso que nos move. Não é reagindo a quente que vamos resolver os problemas. Preferimos ouvir as entidades competentes e discutir medidas a implementar no início da próxima época desportiva, pois dificilmente se conseguiria mudar as coisas de um dia para o outro."

Em declarações à agência Lusa, fonte da Liga referiu que o organismo presidido por Pedro Proença está "absolutamente solidário" com os futebolistas em relação a denúncias anónimas de que os mesmos têm sido alvo e que "coloca em causa a integridade dos atletas profissionais". A A mesma fonte salientou que "o Ministério Público abre os processos tendo em conta critérios meramente jurídicos" e que, "processualmente, são os passos normais nestas situações, pelo que não faz sentido este mediatismo que afeta pessoalmente os futebolistas".

Além das constantes declarações incendiárias de dirigentes, estão em causa várias denúncias feitas ao Ministério Público a insinuar que existem jogos e jogadores comprados para favorecer adversários. Um dos últimos casos envolveu Vagner, guarda-redes do Boavista, facto que motivou o clube do Bessa e o treinador Jorge Simão a sair em defesa do guardião.

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