Promessa boavisteira Edu morreu vítima de cancro

Jovem avançado de 20 anos sofria de doença oncológica, na perna direita, revelada em novembro do ano passado. "Se não voltar a jogar, a vida continua", tinha afirmado em março

O futebol português está de luto. Morreu Eduardo Ferreira, mais conhecido por Edu, promessa do Boavista que aos 20 anos não resistiu a um cancro na perna direita.

A triste notícia foi ontem dada pelo clube do Bessa, que no início do mês tinha renovado contrato com o avançado até junho de 2019, deixando aí uma mensagem de esperança na recuperação do jogador. "Edu partiu, mas nunca nos vai deixar! Compreender a partida pode ser algo muito difícil, principalmente quando a tristeza bate à nossa porta porque acabamos de perder um dos nossos. Dedicaremos este dia para relembrar os bons momentos que foram compartilhados. Que a dor da nossa perda possa ser diminuída a cada dia e que, daqui para frente, esta ausência se transforme em boas recordações e seja capaz de fortalecer ainda mais os laços da nossa família. O vazio que ficou jamais será preenchido nos nossos corações. Hoje, há mais uma estrela no céu. Descansa em paz, Edu!", publicaram os boavisteiros através das redes sociais.

A doença de foro oncológico foi anunciada pelo Boavista em novembro do ano passado, quando Edu estava a dar os primeiros passos na equipa principal. Na altura, o clube declarou que ia cumprir "escrupulosamente o contrato" e que ia apoiar o jovem ponta-de-- lança "em todas as necessidades clínicas". "O Edu tem a coragem e a força da pantera, como já demonstrou várias vezes em campo, e vai seguramente ganhar o jogo da sua vida. Naturalmente, com a contribuição da família boavisteira", pode ler-se num comunicado dos axadrezados publicado há mais de um ano, quando também foi aberta uma conta solidária.

Mostrava esperança em março

Há nove meses, Edu Ferreira recebeu um cheque de cinco mil euros do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol, para o auxiliar no combate à doença, e aí o jogador mostrava esperança e não descartava um regresso aos relvados. "Só no princípio é que foi muito complicado. Foi um choque muito grande deixar o futebol desta maneira. Mas foi só nos primeiros tempos, agora está tudo normal, tento viver o dia-a-dia tranquilo e vou fazendo a minha vida normalmente", dando conta de que os tratamentos estavam a correr "muito bem". "Pode ser que consiga voltar, mas, se não voltar, a vida continua, é mesmo assim", afirmou, numa declaração produzida durante a cerimónia simbólica de entrega do cheque, em que o futebolista também foi presenteado com a inscrição num curso para diretor desportivo.

Nesse evento, o jovem avançado tinha recordado todo o processo que levou à descoberta do cancro, iniciado num jogo de preparação diante dos Dragões Sandinenses, em setembro do ano passado. "Comecei o jogo muito cansado. Não era normal. Já tinha feito o aquecimento e parecia que tinha feito os 90 minutos. Senti uma cãibra na perna e saí do jogo, porque não conseguia jogar. A partir daí, foi um mês de exames, muitos exames. Cheguei a fazer exames à coluna, muitas coisas", explicou, contando que depois teve febre e começou a perder peso, até que uma ressonância magnética à perna detetou o cancro.

Eduardo José Godinho Ferreira, nascido em 23 de abril de 1997, fez a sua formação enquanto futebolista no Ramaldense, Superball, Salgueiros, Leça e Boavista, clube que o recebeu em 2014 e que o promoveu a sénior dois anos depois.

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