Portugal reforça estatuto como um dos melhores palcos mundiais do surf

Cascais prepara-se para acolher mais duas provas de grande dimensão, a contar para os principais circuitos mundiais. Representante da WSL explica as razões para a crescente importância da modalidade em Portugal

Cascais será um dos principais palcos do surf mundial entre 24 de setembro e 2 de outubro, ao receber duas etapas dos importantes campeonatos do calendário da World Surf League (WSL): o Cascais Women"s Pro, a contar para o circuito mundial feminino, e o Billabong Pro Cascais by Allianz, etapa de categoria máxima (dez mil pontos) do circuito mundial de qualificação masculino.

Francisco Spínola, representante em Portugal da WSL, espera uma semana em cheio. "A prova masculina tem a premiação máxima e os atletas que conseguirem bons resultados terão entrada praticamente assegurada no World Tour [divisão de elite]. Quanto à prova feminina, quem ganhar em Cascais assegurará praticamente o título de campeã do mundo, pois a seguir só irão ser disputadas mais duas provas, em França e no Havai. Recordo que há três anos coroámos a Carissa Moore como campeã do mundo nesta prova", refere ao DN.

Esta edição traz duas novidades: por um lado, em vez de primeiro entrarem em ação as mulheres e depois os homens, existe uma combinação entre ambos, de acordo com as condições do mar, aumentando assim o período de espera dos atletas. Por outro lado, Cascais proporciona condições únicas que tornam possível realizar as competições em três locais diferentes, consoante o estado das ondas: a praia do Guincho tem uma ondulação de norte, enquanto Carcavelos e as praias da Linha têm uma ondulação de oeste e sul. "Criámos uma estrutura móvel que nos permite ir atrás das melhores ondas", explica Francisco Spínola, referindo-se ao imponente camião 4x4 que permite mudar de praia sempre que desejável.

A pergunta é óbvia: então e o público, que está à espera que a prova se realize em determinada praia e depois é surpreendido com a nova localização? O responsável da WSL é completamente transparente ao assumir que "o principal objetivo é trabalhar o surf numa lógica de broadcast a nível global e, por isso, o essencial é proporcionar as condições ideais para os milhões de espectadores que têm acesso ao site da WSL, onde podem assistir às provas em direto", diz, lembrando ainda o acompanhamento que em Portugal é feito através da Sport TV.

Na opinião de Francisco Spínola, há dois surfistas brasileiros que partem em vantagem para a prova masculina, "devido às características das ondas, de fundo de areia, e também porque em Portugal se sentem em casa". Mais concretamente Jadson André, que já venceu por duas vezes em Cascais (2013 e 2014), mas principalmente Ítalo Ferreira, "que está em grande forma e pode vir a ser coroado como o grande vencedor" da etapa masculina que integra o circuito de qualificação - e que conta como uma espécie de aperitivo para a etapa portuguesa do World Tour (circuito de elite), com início agendado para 18 de outubro. Quanto aos portugueses, Vasco Ribeiro, Frederico Morais e o luso-brasileiro Pedro Henrique são figuras de cartaz.

No setor feminino, cuja etapa pontua para a divisão de elite do mundial, aposta as fichas todas em Tyler Right, a líder do ranking, que em caso de vitória garante praticamente o título do principal troféu feminino da WSL. A grande esperança portuguesa é a jovem Teresa Bonvalot, de 16 anos, que recebeu um wild card da organização.

A "boa onda" do surf

O trocadilho é óbvio, mas não há dúvidas de que o surf navega em boas ondas em Portugal, pois nos últimos anos conseguiu-se conciliar as fabulosas condições naturais com uma boa capacidade de organização. "O grande momento do surf deve-se essencialmente ao bom trabalho do Turismo de Portugal, que passou a concentrar o investimento em quatro grandes eventos, em vez de se dispersar por muitas provas. Assim, hoje em dia, temos esta prova de Cascais, os Açores, Peniche e a Nazaré, deixando de se apostar em provas de pequena dimensão", considera, acrescentando ainda Santa Cruz, "uma prova mais pequena, de qualificação para o Mundial, apenas para turistas portugueses e europeus, mas premiada com a pontuação de 1000 pontos".

Francisco Spínola realça "o conjunto de ações organizadas com a WSL e com outros parceiros, que contribuíram para o reconhecimento da marca Portugal no mundo do surf". Hoje em dia, em vez de serem os portugueses a apelar para as excelentes condições do país para a modalidade, "são os grandes surfistas internacionais que o reconhecem e divulgam amplamente, com vídeos em que dizem maravilhas de Portugal".

A atração dos turistas estrangeiros pelas provas portuguesas é evidente. Por exemplo: no último campeonato organizado em Peniche, 30 por cento do público não era português, representando muito investimento estrangeiro.

Por outro lado, tem-se assistido à abertura de cada vez mais escolas de surf em Portugal. "Temos cinco ou seis de nível extremamente elevado para a inscrição de turistas, atraindo visitantes a Portugal fora da época alta. Isto porque a melhor altura para praticar surf em Portugal não é no verão", faz questão de lembrar Francisco Spínola, que sublinha ainda as inúmeras escolas que vão nascendo um pouco por todo o país focadas na iniciação do surf.

Um importante incentivo é também o facto de o surf passar a ser uma das cinco novas modalidade olímpicas em Tóquio 2020, ainda que em período experimental. "O surf está definitivamente nas bocas do mundo e este é mais um facto a comprová-lo. Ainda têm no entanto de ser ultrapassadas algumas questões, a principal das quais o facto de não haver ainda uma piscina de ondas com as características ideais, o que levanta óbvias dificuldades quando os Jogos Olímpicos forem realizados numa cidade sem mar", realça o representante da World Surf League em Portugal.

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